Chassis já foram faturados pela Mercedes-Benz, restando encarroçamento. Foi primeiro financiamento do Refrota
ADAMO BAZANI
Após exatos nove meses de anúncio do Refrota, um programa do governo federal que disponibiliza R$ 3 bilhões do FGTS para estimular a compra de veículos urbanos novos, os primeiros ônibus financiados finalmente saíram da linha de produção.
Os 100 chassis já foram faturados pela Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, e serão encaminhados para o Rio de Janeiro, onde receberão carroceria Marcopolo.
O lote é formado por ônibus que irão para a Suzantur, operadora dos transportes municipais de Mauá, no ABC Paulista.
A linha para a empresa foi de R$ 30,3 milhões, sendo R$ 28,7 milhões financiados e R$ 1,5 milhão de contrapartida Suzantur. Mas como houve demora pela Caixa Econômica Federal entre os primeiros contatos da empresa, no início do ano, e a assinatura do contrato, em 12 de junho, o preço para a compra dos ônibus subiu, e o dinheiro liberado não foi suficiente. Como o financiamento é atrelado somente à quantidade de ônibus estipulada no contrato, e não ao total que pode ser comprado com os recursos, a verba se tornou insuficiente.
A Suzantur teve de usar R$ 3 milhões próprios para concluir a compra.
Deste total, 80 ônibus são micrões (OF1519) e 20 são convencionais (OF1721).
“Depois dos ajustes do Refrota, acreditamos que em médio prazo, este financiamento será uma alternativa procurada pelo mercado para auxiliar a renovação das frotas de ônibus pelas cidades brasileiras, mas no momento, ainda é uma segunda opção. A taxa de juros é de cerca de 10%. Com a redução da Selic (taxa de juros básicos da economia) para algo em torno de 9,5%, o Finame (linha do BNDES) volta a ser mais interessante. Mas é bom ressaltar que o Finame financia 80% do valor do ônibus e o Refrota, 95%” – disse ao Diário do Transporte, o diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa.
O executivo também informou que o Banco Mercedes-Benz já teve um limite de crédito aprovado para operar o Refrota.
A população de Mauá ainda terá de esperar alguns meses para andar nos ônibus novos. Entre o faturamento do chassi, envio à encarroçadora, depois transporte para a garagem e licenciamento, o tempo, em média, é de três a quatro meses.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
