Livro ‘Mobilidade Humana para um Brasil Urbano’ da ANTP explica: por que os ônibus perdem passageiros?

Levantamento recente da NTU mostra que entre 2015 e 2016 a queda no número de passageiros foi de 8,2%; isso indica que três milhões de pessoas por dia deixaram de usar ônibus em seus deslocamentos

ALEXANDRE PELEGI

Cada vez menos pessoas usam ônibus no Brasil. Levantamento divulgado no dia 24 de agosto de 2017 pela NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que reúne em torno de 500 empresas de ônibus em todo o País, dá os números de um sistema continuamente em crise. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/24/onibus-no-brasil-perderam-3-milhoes-de-passageiros-por-dia-e-estao-ficando-mais-velhos/#prettyPhoto

Segundo os dados apresentados, entre 2015 e 2016 a queda no número de passageiros foi de 8,2%, o que, segundo a associação, significa que três milhões de pessoas por dia deixaram de usar ônibus em seus deslocamentos.

O levantamento concentrou-se em nove capitais: Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Juntas, estas cidades reúnem 37% da demanda de passageiros de ônibus no Brasil.

O livro “Mobilidade Humana para um Brasil Urbano”, lançado pela ANTP no 21º Congresso de Transporte e Trânsito, no final de junho de 2017, dá vários motivos para a acentuada perda de passageiros no sistema de ônibus. Além das causas bem conhecidas pelos usuários, que vão desde problemas de superlotação, tempo de espera e outros, uma delas, sem dúvida, é a disparidade dos tempos de locomoção entre os modos motorizados de transporte individual e o sistema de ônibus nas cidades brasileiras.

Os dados estão no capítulo “Evolução da mobilidade (2003-2014)”, que faz um resumo do comportamento da mobilidade urbana no período no universo das cidades com mais de 60 mil habitantes no Brasil. Leia um trecho:


tempo_consumido_pelas_pessoas_simob

O tempo consumido nas viagens no transporte coletivo é muito maior que o tempo consumido nas viagens no transporte individual, como se pode na Figura 2,7 ao lado. 

Apesar de representar quase a metade das viagens motorizadas, as viagens em transporte coletivo representam quase 70% do tempo consumido nos deslocamentos.

A tabela 2.3 abaixo mostra a relação entre a velocidade de deslocamento utilizando ônibus, automóvel e motocicleta, além da relação de consumo de espaço por viagem por estes modos, considerando os valores de viagem de ônibus como valor de referência (1,0).

velocidade_x_consumo

O dado relativo à velocidade aponta mais uma razão para a escolha pelos modos motorizados individuais, ou seja, nossa mobilidade urbana “oferece” aos usuários dos modos motorizados individuais tempos de deslocamento menores do que aqueles “permitidos” aos usuários de transporte coletivo. Trata-se de mais um incentivo ao uso dos modos motorizados individuais. 

Por outro lado, o dado relativo ao uso do sistema viário mostra que uma viagem realizada em automóvel requer quase oito vezes mais espaço viário do que uma viagem realizada em ônibus, gerando um enorme impacto em termos de solicitação de capacidade em infraestrutura viária.

Assim, temos uma mobilidade urbana que, ao oferecer menor tempo de deslocamento para os modos individuais motorizados, incentiva o uso de modos que exigem elevada quantidade de espaço viário, gerando pressão sobre investimento em expansão desmedida em infraestrutura de elevado custo de implantação.

Do ponto de vista da “produtividade” do sistema viário, ou seja, da quantidade de viagens que podem ser feitas numa determinada seção viária, o dado apresentado na tabela 2.3 acima mostra a flagrante vantagem do uso do transporte coletivo. Assim, o incentivo a medidas que reservam espaço viário para o transporte coletivo é essencial para aumentar a “produtividade” do sistema viário em termos de viagens urbanas.


Quer saber mais sobre o quadro geral da mobilidade urbana no país nos últimos 20 anos?

Faça o download gratuito do Livro “Mobilidade Humana para um Brasil Urbano”, disponível no link:

http://files.antp.org.br/2017/7/12/antp-mobilidade-humana-11-07-2017–baixa.pdf

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

2 comentários em Livro ‘Mobilidade Humana para um Brasil Urbano’ da ANTP explica: por que os ônibus perdem passageiros?

  1. Amigos, bom dia.

    Ok, fizeram um livro, parabens!

    Mas uma questão ninguém fala.

    Falar que o buzão ocupa espaço 1, enquanto o automóvel e a moto ocupam o espaço viário relativo de 7,8 e 4,1 respectivamente; é lógica,matemática e física pura.

    Me desculpem, mas vocês não vão atrair passageiros para o buzão, utilizando esse apelo “sentimental” do “espaço viário relativo”.

    Só se for por Medida Provisória ou ditadura.

    MUDEM O FOCO.

    Sugiro a ANTP utilizar a sua expertise e verbas, para escrever um livro, apontando soluções, vejamos algumas, no caso de Sampa, onde eu resido (infelizmente).

    – Linhas, onde é aplicado o conceito de matemática base da Tia Cotinha; a menor distância entre dois pontos é uma reta.

    – Eliminar linhas caranguejadas, zigzagueadas;

    – Otimizar as linhas, abolindo as linhas do tipo “Penha – Lapa”;

    – Colocar ralões nos pontos de buzão;

    – Conservar o pavimento dap ista do buzão;

    – Reduzir e racionalizar o numero de paradas;

    – Ouvir os busólogos e os passageiros;

    – Aumentar a ocupação dos bancos (aqui na Avenida Corifeu passa um monte de buzão batendo lata, mesmo de manha, podia dar desembarque na Vila Yara e ao invés de 2 carros na lata circularia, só um com lotação de bancos.

    Impossível isso? Não.

    Antes que alguém reclame, não estou querendo enlatar passageiro não, só aumentar a velocidade.(Aliás a fiscalizadora precisava estudar física).

    – Corredor, só linha ponto a ponto, nada de linha de Vila.

    – Aumentar o uso de micros em linhas vapt vupt com os trilhos e pontos principais e de grande movimento.

    Gente, o mundo mudou, Sampa mudou, Sampa faliu, o ABC, faliu, houve muiiiiiiiiiita mudança e o buzão continua na mesma, NADA MUDA.

    Outro dia vi um buzão no Rio Pequeno que tinha como destino Terminal Barra Funda.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK piada, uma deste tipo e tantas outras não podia mais existir, não tem cabimento em 2017 um passageiro tomar um buzão e ir nele até o Terminal Barra Funda, por isso que o gráfico da velocidade prova o óbvio, gasta-se muiiiiiiiiiiiiito tempo numa linha tipo Penha – Lapa dessa.

    QUal a sugestão eu tenho várias, mas precisa de um estudo técnico mais apurado.

    Outra questão absurda e que não entra na minha cabeça, é por que o 809-H sobe um trechoe de uma ladeira ingrime, esburacada e residencial, ao invés de subir a Rua ou Av. João Seabra com ótima pavimentação, menos residencial e muiiiiiiito menos íngrime.

    Isto só a fiscalizadora pode explicar.

    Depois não sabem porque o passageiro não usa o buzão, aliás saber sabem, o problema é que ganhar dinheiro desse modus operandi atual NÃO dá mais lucro, pois a evasão do passageiro quebrou o esquema.

    Afinal, matematicamente o traçado das linhas do buzão é inviável para o passageiro, ta ai o resultado.

    ANTP, está aberta uma boa oportunidades para vocês gastarem massa encefálica para fazer um trabalho que realmente traga resultados a todos tanto as empresas quanto ao passageiros.

    Mas vivemos num estado democrático de direito, cabe a vocês pensar e fazer o certo.

    Caso contrário, já sabem o resultado, e não sou eu que estou falando, a queda da demanda está avisando vocês.

    Já sabem né, quem avisa amigo é.

    Errar é humano persistir no erro é burrise, portanto ..

    E tem mais heim, mais uma PTREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL do Paulo Gil, essa licitação será uma “furada”, se não considerar os Aerotrens em Operação, pois com os Aerotrens em operação ai é que o buzão vai pro vinagre de vez.

    Bom vocês estão no volante, pilotem corretamente, senão a tragédia anunciada será realidade.

    Ahhhhh, comecem com uma loiinha Vapt Vupt em linha reta entre o Terminal Vila Yara e a Estalção Presidente Altino da CPTM, mas com um Termnal suspenso em cima da linha da CPTM para descermos já na cara das bilhetrias, nada de deixar os passageiros naquela imensa passarela.

    Hoje na hora do meu almoço vou ver se filmo o caroço na faixa do buzão na Corifeu, os leitores do Diário merecem.

    ANTP, acorda pra vida, O MUNDO MUDOS, APESAR DE QUE O BARSIL NÃO.

    Att,

    Paulo GIl
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

    • Amigos, boa noite.

      Felizmente consegui gravar o vídeo da faixa do buzão na Av. Corifeu de A. Marques do número 3.108 ao 3.300 +/-, no sentido centro – bairro.

      Esta é uma pequena amostra a faixa do buzão tá mal conservada de cabo a rabo da avenida.

      Tem mais um vídeo, filmado só nas proximidades de ponto de parada, pois no primeiro vídeo o buzão parou bem na hora, mas preciso excluir um trecho que gravou indevidamente.

      Será que o livro resolve esse problema ???

      Isso é JESTÃO.

      Assistam, está ai a prova material do relaxo.

      OBS.: O calombão esta quase no final do filme.

      https://www.youtube.com/watch?v=h19CTnBjzBA

      OBS.: Também tirei umas 14 + ou – fotos que já foram enviadas ao Adamo.

      Tem uma tampa de água pluvial, abaixo do nível do pavimento bem na faixa do buzão e com buraco, mas essa eu não filmei.

      Detalhe já fiz protocolo no SAC da PMSP, mas até agora NADA.

      Pelo visto as empresas são coniventes com o puder, porque se o buzão fosse meu não operava nesse relaxo, ou estão sendo muiiiiiiiiiiito bem pagos para tal.

      Afinal Tubarão não toma prejuízo, nunca.

      Att,

      Paulo Gil

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