Furto de cabos atrapalha transporte nas cidades

Foto: André Porto/ Metro São Paulo

CPTM, Metrô, e rede semafórica de BH e São Paulo têm sofrido com problema, que aumenta insegurança no trânsito, reduz velocidade dos trens e aumenta gastos de manutenção

ALEXANDRE PELEGI

O furto de cabos e outros acessórios de semáforos têm se espalhado pelas cidades brasileiras e causado transtornos ao trânsito em geral. Em São Paulo, segundo dados da CET divulgados em junho, esse tipo de ocorrência cresceu 24% em 2017: foram 337 casos deste tipo, entre janeiro e maio.

Dados mais recentes, que englobam todo o primeiro semestre de 2017, mostram o tamanho do problema para o trânsito de São Paulo: 738 quilômetros de cabos, usados para os mais diversos fins, foram furtados na capital, o que dá uma média de 4 quilômetros por dia.

O problema afeta 1,8 milhão de pessoas por ano, a um custo para os cofres públicos que chega a 54 milhões de reais.

O furto tem uma razão de ser: o cobre empregado na produção dos fios é valioso no mercado negro. Cada quilo é vendido a 15 reais nos ferros-velhos, material que retorna ao mercado na forma de fios recapeados.

Em Belo Horizonte a situação também preocupa as autoridades de trânsito. A BHTrans – Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte, já teve que substituir 5,1 quilômetros de cabos danificados por vandalismo, entre furtos, depredações e colisões, 79% a mais do que os 2,8 mil metros dos seis primeiros meses de 2016.

Assim como na CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, em que o vandalismo e o furto de cabos têm prejudicado o tráfego em algumas linhas, nas cidades as falhas de sinalização têm piorado o trânsito, colocando em risco a vida de motoristas e pedestres.

Na CPTM alguns casos recentes prejudicaram a circulação dos trens. No dia 21 de julho o furto de cabos na linha 9-esmeralda provocou a redução na velocidade dos trens.  Na semana passada, dia 17 de agosto, na Linha 7-Rubi, o furto de cabos afetou o trecho entre Jundiaí e Campo Limpo Paulista.

O Metrô de São Paulo também tem sido vítima, e não é de hoje. Juntamente com a CPTM, as duas empresas gastaram, entre 2015 e 2016, R$ 2,3 milhões para repor cabos de iluminação e de fibra óptica roubados nas estações.

No balanço da BHTrans pode-se ver o crescimento desse tipo de problema na capital mineira. Em todo o ano passado foram repostos 3.642 metros de cabos, por motivos que vão desde o furto simples até casos de vandalismo. Neste ano, apenas no primeiro semestre, este número já chegou a 5.340 metros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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