Rodovia eletrificada e ônibus com recarga rápida indicam futuro da mobilidade
Publicado em: 21 de agosto de 2017
Alemanha já tem sua eHighway, onde caminhões híbridos podem trafegar com economia e baixa emissão
ALEXANDRE PELEGI
A Alemanha já tem sua eHighway, um trecho de rodovia eletrificada que vem sendo desenvolvido pela Siemens já há quase dez anos.
São apenas dez quilômetros, na passagem pelo Estado de Hesse, região central do país. Nesse pedaço de rodovia foi instalado um sistema de catenárias, por onde caminhões híbridos podem carregar energia elétrica.
O sistema híbrido trabalha com dois meios de propulsão, combinando o motor a diesel convencional a um motor elétrico. E pela eHighway podem trafegar os caminhões híbridos desenvolvidos pela Scania, que contam com pantógrafos instalados no teto, à semelhança dos trólebus, que se elevam até a catenária para capturar a eletricidade. No contato há uma troca de energia: o caminhão, através do pantógrafo, devolve à rede elétrica o excesso de eletricidade produzida, quando freia ou reduz a marcha, por exemplo.
O motor do caminhão funciona alternando entre o diesel e o elétrico de forma automática, sem interferência do motorista: o pantógrafo se ativa automaticamente ao trafegar no trecho eletrificado da estrada, desde que o veículo circule com velocidade máxima de 90 km/h. Ao deixar a área eletrificada o motor a diesel começa a funcionar, após se desconectar.
O sistema é semelhante ao utilizado pelos trólebus, com uma diferença já conhecida nos ônibus híbridos: os caminhões híbridos podem circular fora das linhas elétricas de forma convencional, utilizando o motor a diesel.
A Siemens destaca uma das vantagens do sistema eHighway: ele pode ser instalado em estradas convencionais, sem se tornar um obstáculo para os demais veículos, que podem continuar rodando por todas as faixas normalmente.
O custo, estimado em torno de 2 milhões de euros (7,4 milhões de reais) por quilômetro, é uma limitação quanto a quais trechos têm condições de ser eletrificados. Na Alemanha a escolha dos trechos candidatos à eletrificação recai sobre aqueles com intenso movimento de caminhões de mercadorias, onde não existe a opção de se realizar o transporte por trilhos.
A Siemens informa que a potência elétrica fornecida é capaz de mover caminhões de 40 e de 60 toneladas, com o dobro de eficiência em relação aos caminhões convencionais – relação entre a energia consumida e a energia realmente aproveitada. O resultado é traduzido não só na redução no consumo de combustível, como nas emissões locais de dióxido de carbono. O cálculo de melhoria ambiental, no caso de 30% dos caminhões de mercadorias se tornarem eletrificados na Alemanha, é de até 6 milhões de toneladas de CO2 a menos por ano.
A novidade também já pode ser vista em trechos urbanos. Hamburgo (Alemanha) e St. Moritz (Suíça) dispõem de um sistema parecido, adaptado ao transporte urbano de pessoas. O sistema também foi desenvolvido pela Siemens, e fornece eletricidade aos ônibus de linha durante as paradas.
No caso das cidades o pantógrafo não fica no ônibus elétrico, mas no ponto de embarque/desembarque. Enquanto os passageiros sobem e descem, o pantógrafo se abaixa e fornece a eletricidade, armazenada nas baterias do veículo.
Com uma recarga rápida, de poucos minutos, tem-se uma eletricidade fornecida a uma potência de 450 kW, suficiente para que o ônibus elétrico chegue até a próxima parada, e recarregue novamente. Atualmente a linha 109 de Hamburgo, utilizando-se deste sistema, percorre sete quilômetros apenas energia elétrica, sem emissões de partículas, nem de gases poluentes, e sem ruído.
O sistema de veículos híbridos-elétricos do tipo Plug-in (conectáveis à rede para recarga) já está em teste em Luxemburgo, na Europa Ocidental, desde o início deste ano. Os ônibus são fabricados pela Volvo Group, e podem ser carregados entre três e seis minutos. Detalhe: o sistema é universal e com protocolo aberto de automação (Opp-Charge), e assim consegue atender diferentes fabricantes. A potência de recarga é de 150 kW, podendo ser ajustada com novos módulos para atender baterias maiores, alcançando 450kW.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte


Amigos, boa noite.
Belo trabalho.
Vendo esta imagem, e salvo engano meu, o caminhão da foto, me parece que tem pantógrafo igual aos utilizados em trem.
Por que o trólebus não utiliza esse sistema ??
Com a palavra os especialistas.
Att,
Paulo Gil
Paulo Gil bom dia
Os veículos com pneus não fazem o aterramento, daí necessitarem de 2 cabos, sendo 1 de energia e o outro de aterramento chamado também terra.
No caso do caminhão ele usa 2 pantografos nesse teste ao invés de carretilhas como as do troleibus, porém, corre o risco de se esbarrarem e causar curto circuito
Os trens fazem o terra nos trilhos.
abraços
Os pantografos tem hastes fixas enquanto as hastes com carretilhas são moveis facilitando curvas mais fechadas
Jair, boa noite.
Muito obrigado pela explicação.
Aprendi mais uma.
Abçs,
Paulo Gil