Estudo denuncia: concentrações de poluição do ar aceitas como seguras pela Cetesb estão acima do aceitável em outros países

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Relatório do Instituto Saúde e Sustentabilidade chama atenção para um assunto grave que não incomoda nossas autoridades.

ALEXANDRE PELEGI

A notícia é recorrente, e vem sendo anunciada com tons apocalípticos há alguns anos: “novo estudo revela que a poluição mata duas vezes mais que o trânsito em São Paulo”.

Apesar de o problema e a gravidade serem os mesmos desde o começo desta década, o tratamento dado pela imprensa é o de uma eterna novidade.

Em maio deste ano um relatório já informava que os índices de poluição em São Paulo eram duas vezes superiores ao teto estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (de qualidade do ar aceitável). O estudo havia sido feito pela própria OMS, e o brasileiro Carlos Dória, um dos responsáveis pelo trabalho, apontava que a capital não tinha conseguido melhorar sua situação em comparação aos dados do informe de… 2012!

Ou seja: há pelo menos cinco anos a má notícia da qualidade do ar vem frequentando as colunas de “sustentabilidade e meio ambiente” dos jornais.

Desta vez quem dá a manchete é o insuspeito Instituto Saúde e Sustentabilidade – ISS, que aproveitou a efeméride do Dia Mundial da Poluição (comemorado hoje, dia 14 de agosto) para mais uma vez jogar luzes sobre um problema que continua “invisível” para nossas autoridades públicas.

O título do release enviado às redações diz “Poluição mata duas vezes mais que o trânsito em São Paulo”, quando talvez fosse mais correto afirmar que a poluição provocada pelo trânsito de São Paulo mata duas vezes mais que os acidentes na capital…

Em maio de 2014, portanto há mais de 3 anos, quando o mesmo Instituto Saúde e Sustentabilidade soltou idêntica manchete, um integrante da organização ambiental afirmou: “Uma das principais causas da poluição está relacionada com a quantidade de veículos”. Logo, carros matam não apenas provocando acidentes, como matam também envenenando o ar. Sem contar os danosos efeitos que causam à economia, provocados pelos congestionamentos.

A novidade do estudo do ISS está em outro ponto que só vem agravar ainda mais o que já era muito grave: as concentrações de poluição do ar aceitas como seguras por nossas autoridades ambientais estão acima do aceitável em outros países, ou seja, são superiores aos níveis críticos de atenção e emergência determinados internacionalmente.

Logo, o que seria normal para um paulistano respirar, seria impensável para os narizes de pessoas residentes em outras cidades.

O estudo do ISS fez uma releitura do Relatório de Qualidade do Ar 2015 da CETESB, “Qualidade do Ar no Estado de São Paulo Sob a Visão da Saúde”. Foi uma análise inédita dos dados segundo os padrões de qualidade de ar recomendados pelo Air Quality Guidelines, da Organização Mundial da Saúde.

Resumo da ópera: somos levados a aceitar como normal o que em outras parte do mundo é um absurdo, tanto que requer medidas emergenciais (como proibir a circulação de carros, como Paris) para evitar danos à saúde.

O resultado da poluição na saúde pode ser verificado em doenças cardio e cerebrovasculares, tais como arritmia, infarto do coração e derrame cerebral, que representam 80% dos efeitos causados por ela.  Outra causa comprovada são os cânceres de pulmão (o mais letal dos tumores) e de bexiga, sem contar a metade dos casos de pneumonia em crianças.

Ao mesmo tempo em que somos um dois países que mais estuda o fenômeno da poluição do ar, somos também o país em que os políticos menos se importam com o assunto. Segundo a Dra. Evangelina Vormittag, autora do relatório, “o Brasil é um dos países que mais publica sobre o tema no mundo, entre os seis primeiros, entretanto, não conseguiu estabelecer políticas públicas suficientes, que venham controlar os malefícios ambientais para a saúde humana e a diminuição dos gastos públicos em saúde decorrentes”.

O Dr. Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Ensinos Avançados da USP, e um dos autores do estudo, alerta: “É inaceitável que um problema de saúde pública desta dimensão continue invisível”, diz.  “O Instituto Saúde e Sustentabilidade propõe a atualização dos padrões de qualidade do ar preconizados pela OMS dentro do menor prazo possível. Embora não altere a situação do ar, mudar o padrão permitirá entender a real situação para que possamos agir para sanar o problema – como agora, por exemplo, com a revisão dos padrões de qualidade do ar que acontece no CONAMA e com o edital do transporte público e projetos sobre combustíveis limpos para o transporte público de São Paulo, por exemplo.  Nessas horas, dados corretos podem fazer a diferença em prol de projetos de lei e políticas públicas eficientes”, completa.

Especialistas reagem afirmando que estão falseando a informação do risco à saúde pública com padrões oficiais de qualidade do ar totalmente descolados da ciência médica. O cúmulo, alegam, é que os órgãos estaduais e federais resistem a atualizar os padrões nacionais de qualidade do ar antes de 2030.

Até lá, se nada for feito, o trânsito continuará matando: seja através dos acidentes que provoca, seja silenciosamente pelos gases dos canos dos escapamentos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

2 comentários em Estudo denuncia: concentrações de poluição do ar aceitas como seguras pela Cetesb estão acima do aceitável em outros países

  1. Amigos, boa noite

    ACOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORDA SAMPA.

    ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

    Att,

    Paulo Gil

  2. Faltou dizer quais os limites.

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