Metrô do Chile prestes a se tornar um dos primeiros a circular com 60% de energia renovável

Em 2018 o sistema de metrô de Santiago, capital do país, um dos maiores da América Latina, comprará 60% de sua energia produzida por usinas solares e eólicas

ALEXANDRE PELEGI

Os carros do metrô de Santiago do Chile são de fabricação europeia, montados em pneus de borracha que mal fazem ruído em contato com os trilhos de aço. O sistema metroviário da capital chilena transporta 2,4 milhões de passageiros por dia durante a semana, um sistema de transportes que é considerado o mais moderno da América do Sul.

Santiago está prestes a alcançar outra distinção: se tornar um dos primeiros metrôs do mundo a circular com a maior parte da energia com base solar e eólica, parte de uma veloz expansão de energias renováveis que tomou conta do país, fazendo a cidade emergir como a líder em energia verde da América do Sul.

No ano que vem, o sistema de metrô de Santiago, um dos maiores da América Latina, comprará 60% de sua energia de projetos solares e eólicos. No deserto do Atacama, no norte do Chile, um dos melhores ambientes do mundo para a geração solar, a SunPower Corp., com base na Califórnia, produzirá 42% da energia do sistema de metrô a partir de uma usina solar de 100 megawatt, usando 254.000 painéis que cobrem uma área correspondente a 370 campos de futebol. Um parque eólico recentemente construído, ao norte do projeto solar, fornecerá 18% da eletricidade do sistema.

O movimento do metrô em direção à energia verde surge à medida que mais prestadores de transporte ao redor do mundo buscam fontes renováveis de energia. Na Austrália, a cidade de Adelaide usa ônibus que circulam já à base de energia solar. Na Bélgica, 16 mil painéis solares foram instalados sobre uma ferrovia coberta entre Antuérpia e Amsterdã, numa extensão de duas milhas, fornecendo energia para trens de passageiros e para uma estação. No Canadá, o VLT de Calgary (Light Rail Transit System) é alimentado quase que por energia eólica. A energia solar também deverá ser usada em breve para a rede de bonde de Melbourne, na Austrália e no metrô de Delhi, na Índia.

À medida que o custo das energias renováveis diminui, acreditam os especialistas, mais sistemas de transporte caminharão na direção de uma energia mais limpa.

“Os Metrôs estão buscando métodos mais compatíveis com o meio ambiente para suprir a energia que utilizam”, diz Alexander Barron, que dirige a “Community of Metros”, uma associação internacional que reúne os maiores metrôs do mundo. E Santiago do Chile estaria na vanguarda desse processo, segundo ele.

O Chile voltou os olhos para as energias renováveis por um motivo: elas já são muitas vezes mais baratas do que as energias alternativas que o país poderia utilizar, além de proporcionar uma certa independência energética para o país.

As energias solar e eólica são vistas como alternativas à importação de gás e petróleo, energias fósseis que o país não possui. Até 2050, espera-se que as energias renováveis forneçam 70% da eletricidade do país, ante 15% a partir de março.

SAIBA MAIS:

O metrô de Santiago (Chile) foi inaugurado em 1975. Tem atualmente seis linhas (1, 2, 4, 4A, 5 e 6), com obras de expansão das Linhas 2 e 6, além da construção da Linha 3. A previsão é que tudo esteja concluído até 2020. Transporta diariamente 2,4 milhões de pessoas, com 108 estações e 103 quilômetros de trilhos em operação. É o segundo maior sistema da América Latina (atrás apenas do da Cidade do México), mas considerado o melhor do continente latino-americano.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

(Com informações de matéria publicada no The Wall Street Journal)

 

4 comentários em Metrô do Chile prestes a se tornar um dos primeiros a circular com 60% de energia renovável

  1. Se inicie correr de puertas

  2. Amigos, bom dia.

    Será que um dia teremos orgulho do Barsil, como os Chilenos têm do Chile.

    Esse metro é muito legal mesmo.

    VIVA EL CHILE!

    Um brinde com pisco sawer.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Concordo que Santiago tenha um metrô mais extenso, mas discordo que seja “considerado o melhor do continente latino-americano”. O metrô de SP, embora menor em extensão, transporta 4,6 milhões de passageiros por dia e é mais moderno (vide exemplo da linha 4 sem condutor e estações com acesso da plataforma protegido e alinhado com as portas do trem). As estações de SP têm acesso externo por escadas rolantes. O metrô de Santiago está agora realizando obras instalando elevadores para melhorar a acessibilidade.

    Maria Savoia

  4. Do Chile é melhor que o de SP. Conheço os dois. Perdemos.

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