ABNT recomenda vãos de dez centímetros. CPTM diz que distância é por causa de trens de carga e borrachões podem ser alternativas até Ferroanel
ADAMO BAZANI
Um levantamento da Agência Mural, realizado por meio da Lei de Acesso à Informação, revela que 989 pessoas se machucaram em 2016 no embarque e desembarque dos trens da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
O número é 13,5% maior que as ocorrências do mesmo tipo registradas em 2015.
A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas recomenda vãos de dez centímetros, mas a média das estações da CPTM é de 18 centímetros. Na estação Aracaré , da linha 12 (Brás – Calmon Vianna), a distância entre trens e plataformas é de 46 centímetros, a maior da rede.
A CPTM diz que a distância maior se dá por causa do tráfego de trens de cargas, o que será resolvido apenas após a conclusão do Rodoanel.
Como medida paliativa, em 30 dias, a companhia promete concluir a instalação de borrachões nas áreas das plataformas correspondentes às portas para diminuir o espaço e evitar acidentes.
Ainda de acordo com a empresa, quase metade dos casos ocorreu na estação da Luz
A Agência Mural publicou as distâncias entre os trens e plataformas em cada estação e o Diário do Transporte reproduz
Linha 7 — rubi: Com plataformas em curva, a linha rubi apresenta uma curiosa característica: o vão é o que tem maior variação. Em Francisco Morato, na Grande São Paulo, por exemplo, a distância vai de 15 cm a 30 cm num mesmo espaço. Foram medidas as distâncias nos carros centrais dos trens, o que levou a estação de Perus, na capital, a ter 7 cm em um trecho, mas com espaços maiores para quem pegasse o trem em outro ponto.
Distância do vão entre o trem e as plataformas nos sentidos em centímetros:
Linha 8 — diamante: A linha que liga o centro de São Paulo a cidade de Itapevi tem dois trechos em que o vão se torna mais delicado. Um deles está na estação de Osasco, uma das mais movimentadas da CPTM. O recorde da diamante, porém, está em Barueri, na estação Antônio João, que dá acesso a um shopping center e a unidades de ensino.
Linha 9– esmeralda: Responsável por ligar o Grajaú, na zona sul da capital, a zona oeste, a linha esmeralda apresenta a segunda menor média na distância do vão entre o trem e a plataforma, com 16,7 cm, levando em conta os dois sentidos. Os trechos maiores estão nas estações Presidente Altino e Osasco, na Grande São Paulo.
Linha 10 — turquesa: Única linha que chega ao ABC paulista, a turquesa tem seu pior vão na última estação, em Rio Grande da Serra, onde os usuários superam 34 cm para chegar ao trem. Em Santo André, a estação Prefeito Saladino, chega a 28 cm.
Linha 11- coral: Trecho mais movimentado da CPTM e que liga a capital à região de Mogi das Cruzes, a linha coral é a que tem a menor média de distância entre os vãos (são 15 cm). O problema, porém, está no fato de que várias estações possuem desnível entre o trem e a plataforma. Ela é a recordista em quedas com 530 apenas no ano passado. A distância mais delicada fica por conta do terminal Estudantes, com 28 cm.
Linha 12 – safira: Recordista em média com a maior distância entre o trem e a plataforma, a linha safira faz o trajeto pela zona leste da cidade e liga municípios da Grande São Paulo como Poá e Itaquaquecetuba. A região registrou o maior vão entre as 91 estações verificadas em Aracaré, com 46 cm.
O levantamento foi feito pelos jornalistas Paulo Talarico, Jéssica Moreira, Karina Oliveira, Lucas Landin, Lucas Veloso, Priscila Pacheco e Tamiris Gomes.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
