Prefeitura de SP limita gastos com sistema de ônibus, enquanto Doria monta time de notáveis para acelerar nova licitação e reduzir gratuidades

Ônibus em faixa exclusiva em São Paulo. Capital ocupa apenas o 3º lugar no ranking de prioridade ao transporte coletivo sobre pneus, segundo pesquisa IDEC

SPTrans definiu limite de remuneração para as empresas até dezembro. Grupo montado por Doria quer vincular gratuidade à renda

ALEXANDRE PELEGI

A prefeitura de São Paulo quer equilibrar os gastos com o serviço de ônibus do transporte público da capital. Para isso decidiu criar um teto do que será pago às empresas em 2017. Como qualquer orçamento doméstico, o limite definirá o que pode ser gasto. O que ultrapassar sobrará para as empresas, que não poderão deixar de transportar passageiros.

Resultado: a prefeitura saberá desde já quanto gastará até o fim do ano com o transporte coletivo. Os empresários também sabem o quanto irão receber, mas não têm a menor ideia de quantos passageiros irão transportar no período. O que sabem é que terão de transportar a demanda que houver, por um valor já previamente definido.

O teto definido pela prefeitura para o gasto global com o transporte público será de R$ 7,7 bilhões até dezembro. Neste valor estão incluídos: os recursos para bancar os subsídios, estimados em R$ 3 bilhões (por conta do congelamento da tarifa em R$ 3,80); os créditos provenientes do bilhete único; e os pagamentos recebidos em dinheiro nas catracas.

O sinal amarelo surgiu após uma análise de como os recursos públicos foram gastos com o setor de transportes por ônibus no 1º semestre de 2017. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a prefeitura de SP viu os gastos drenados pelo setor aumentarem 25%, saltando de R$ 1,19 bilhão para R$ 1,49 bilhão. Em contrapartida o número de viagens nos ônibus municipais caiu 1%.

O esquema arquitetado pela prefeitura define um limite de remuneração para cada empresa de ônibus que roda na capital. Este limite baseia-se num número estimado de passageiros transportados. O teto é o limite: caso o número de viagens exceda o projetado, a conta ficará para a empresa de ônibus, que deverá realizar as viagens sem receber por isso.

A decisão foi tomada pela São Paulo Transporte – SPTrans, que administra o sistema de transporte público da capital. Ela já consta nos novos aditivos e contratos emergenciais que foram assinados. No caso do sistema estrutural, constituído pelos ônibus que circulam em corredores, esta determinação já foi publicada no Diário Oficial da Cidade. Restam apenas os contratos do sistema local.

DIVISÃO DO BOLO:

O teto de R$ 7,7 bilhões será repartido entre os sistemas estrutural e local.

As concessionárias terão disponíveis 67,5% do total, sendo que dentro dessa fatia cada empresa terá seu próprio teto. Os permissionários (antigos perueiros) ficarão com os restantes 32,5%, fatia que será repartida entre todos.

No caso do sistema local as empresas dividirão sua parte do bolo de forma igual. Detalhe: todas as empresas de ônibus terão de manter a quantidade de partidas e os itinerários das linhas determinados pela SPTrans.

Enquanto a nova licitação não chega, o poder público deve torcer para que a população não sinta mudanças na prestação do serviço. Para os empresários, o risco é de perda na qualidade do atendimento. Marcos Bicalho, diretor administrativo e institucional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), cita um ponto: o comprometimento no investimento na renovação da frota, para a compra de novos ônibus. Já apertados nos custos de operação pelo recente aumento do diesel, o setor teme que novas “surpresas” possam complicar ainda mais a operação das empresas de transporte coletivo.

O presidente da SPTrans, José Carlos Martinelli, nada vai mudar: o controle de gastos não afetará a vida dos passageiros, nem a qualidade dos serviços.

SUBSÍDIOS APERTAM AS CONTAS

Dentro do teto definido para o gasto em 2017, o valor previsto como limite para os subsídios será de R$ 2,9 bilhões, equivalente ao gasto em 2016. O valor reservado no orçamento para todo o ano era de R$ 1,8 bilhão, dinheiro que já foi todo consumido em julho.

A prefeitura vem fazendo malabarismos para equilibrar estas contas, retirando R$ 148 milhões previstos para obras de terminais e corredores de ônibus para acudir o sistema. Estima-se que mais R$ 1 bilhão deverá ser remanejado até dezembro, cobrindo um santo para desvestir outro: o dinheiro que vai para o transporte fará falta em obras de outras áreas da cidade, como drenagem urbana.

DORIA JUNTA TIME QUE BUSCA SAÍDA PARA BURACO NAS CONTAS:

A COLUNISTA Sonia Racy, do Estadão, conta que João Doria reuniu um time de notáveis para achar solução para o buraco das contas fiscais de São Paulo deste ano, estimado em R$ 7,5 bilhões. Fazem parte do grupo Murilo Portugal (Febraban), Renato Villela (ex-secretário da Fazenda de Alckmin), Ana Carla Abrão (ex-secretária da Fazenda de Goiás), Andrea Calabi (ex-ministro de FHC e ex-secretário de Alckmin), Roberto Giannetti (empresário e exportador), mais Teresa Ter-Minassian (ex-FMI). Esses especialistas compõem o conselho da Secretaria da Fazenda Municipal.

No foco do grupo, em nível máximo de urgência, está a nova licitação do transporte urbano. Só neste quesito o rombo chega a R$ 3,5 bilhões.

O foco do time de notáveis está nas gratuidades. Doria já mexeu no passe livre para estudantes. Agora a medida em estudo é limitar o uso do passe por um “filtro de renda”.

“30% do transporte de ônibus hoje em São Paulo é de graça – quando, no mundo todo, a média fica entre 10% e 15%”, explica Ana Carla Abrão.

A economista conta que o transporte coletivo movimenta 9 milhões de passageiros por dia por meio de contratos urbanos que custam aos cofres da prefeitura R$ 9 bilhões por ano. Ela defende a abertura da licitação dessa área, incluindo concorrentes estrangeiros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Celso Moreira disse:

    Acho importante verificar as regras do jogo que mantém o sistema, dando a qualquer licitação um “ar” de “cartas marcadas”. O MP deveria averiguar as “Ruas” de SP, para que as licitações sejam mais claras e competitivas, justificando o porque do famoso “mais do mesmo”. Um abraço.

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Nem precisa de time de notáveis, o Paulo Gil acabou de resolver o problema do buzão de Sampa.

    Leiam comigo, para entenderem o raciocínio lógico da solução.

    Conforme consta do post, acima:

    “A prefeitura de São Paulo quer equilibrar os gastos com o serviço de ônibus do transporte público da capital.”

    “Para isso decidiu criar um teto do que será pago às empresas em 2017. ”

    “O que ultrapassar sobrará para as empresas, que não poderão deixar de transportar passageiros.”

    “Os empresários também sabem o quanto irão receber, mas não têm a menor ideia de quantos passageiros irão transportar no período.

    “O que sabem é que terão de transportar a demanda que houver, por um valor já previamente definido.”

    É IMPOSSÍVEL ISTO DAR CERTO.

    Nem precisa fazer conta, pois esta conta nunca fechará.

    Nem se Einstein ressuscitasse ele conseguiria fazer esta conta fechar.

    Outra absurdo que é lógico.

    “O teto é o limite: caso o número de viagens exceda o projetado, a conta ficará para a empresa de ônibus, que deverá realizar as viagens sem receber por isso.”

    Qual empresário ou pessoa física irá trabalhar sem receber nada por isso ????

    KKKKKKKKKKKKKKKK

    Isto nem é lógica isto, não existe, afinal não é filantropia.

    Melhor criar então a VIAÇÂO SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE TRANPORTE DE SAMPA S/A.

    Pois nem com time de notáveis e nem com misericórdia isto será resolvido.

    Se há empresas privada operando o sistema de buzão de Sampa, POR QUE A PMSP tem gastos ??

    Esta aí a chave do problema.

    O buzão de Sampa é transgênero, não é público nem privado.

    A fica todo mundo FINGINDO.

    A PMSP finge que subsidia o buzão.

    E as empresas fingem que cumprem os contratos.

    Uma pequena amostra real.

    https://www.youtube.com/watch?v=tq-n_JBBJpI

    Portanto o buzão de Sampa é um fingimento, uma vez que matematicamente ele não se sustenta por nenhum dos lados.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL, nem precisa ser notável para sacar isso, afinal isto é lógica.

    A solução Paulo Gil.

    Façam o buzão dar lucro, só isso, o resto é balela.

    Não adianta ilusão, não a outra solução.

    E para o buzão dar lucro é só utilizar todas as sugestões que o Diário tem cadastradas de todos os leitores nesses 7 ou 8 anos.

    Lembrando de uma básica:

    “A MENOR DISTÂNCIA ENTRE DOIS PONTOS É UMA RETA”

    Senhor Prefeito, devolva os MEUS R$ 20,00 do meu BU que foi levado no assalto em 22.02.17, pois é muito feio o que a PMSP está fazendo comigo e com outras pessoas que
    passaram por situações semelhantes.

    Não queira equilibrar o orçamento do buzão de Sampa desta forma querendo cobrar R$ 26,60 de um contribuinte que TEM um saldo credor de R$ 20,00 no BU cujo titular sou eu mesmo.

    Sou neto de português, mas sei fazer conta e assiti as aulas de matemática basiquinha da Tia Cotinha viu.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Se não der lucro a nova licitação de SAMPA, JÁ É UMA NATIMORTA, sem contar que se não fizer a lição jurídica direitinho, vai tomar outro “pau” no TCM.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Anotem ai nas suas agendas, depois não digam que o Paulo Gil não avisou.

    SEM LUCROS NÃO HÁ MILAGRES.

    Podem correr a sacolinha.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  3. Paulo Gil disse:

    Complementando

    Faltou um tempero nesta questão.

    E a desapropriação das garagens ??

    Como ficou ??

    A PMSP já pagou as empresas ??

    Essa é outa bucha que ao que tudo indica esta debaixo do tapete.

    Será legal se o Diário pesquisar esta questão.

    Hoje, que é o verdadeiro proprietário das garagens ?

    E se for a PMSP, a desapropriação já foi paga ???

    Se não foi paga ainda e a desapropriação é fato concreto, quanto já estamos devendo de juros e correção monetária ??

    Esse calo vai doer muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito ainda em todos os sentido e bolsos.

    Mas é isso, se não da lucro no número de bonecos, dará na valorização imobiliária e nos juros e correções monetárias.

    Uma coisa é certa; TUBARÃO é bom de matemática, aliás sempre foi.

    Att,

    Paulo Gil

Deixe uma resposta para Paulo GilCancelar resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading