Em BH, teste para carros circularem em faixa exclusiva de ônibus aos sábados e domingos traz confusão
Publicado em: 8 de agosto de 2017
Sinalização insuficiente e critérios diferentes: a permissão para que carros possam circular em pistas de ônibus nos fins de semana confunde motoristas
ALEXANDRE PELEGI
Há um mês a BHTrans resolveu testar o trânsito de automóveis na maioria das faixas exclusivas de ônibus em Belo Horizonte. Isso somente nos fins de semana, quando teoricamente há menos coletivos circulando.
Mas a se ver a reação dos pretensos beneficiados, a coisa não está funcionando bem.
Queixando-se de falta de clareza sobre quais são os locais onde é permitido entrar na área restrita ao ônibus, as reclamações não param, principalmente porque as multas estariam aumentando.
Motoristas que entenderam que a liberação é para toda a cidade estão recebendo multas em casa. E se assustam. Outros, por não saberem que há a possibilidade de trafegar nas faixas em alguns trechos, e por medo de serem multados, continuam sem entrar no espaço que, durante a semana, é de uso exclusivo dos coletivos.
As multas por invasão de faixa de ônibus, em todo o ano passado, atingiram mais de 105 mil motoristas, registradas pelos radares da capital mineira. A média é de uma multa a cada cinco minutos. Como noticiamos em junho deste ano, segundo dados do Detran-MG, a invasão de pista exclusiva para ônibus já é a 3ª maior infração de trânsito em BH. Relembre:
Desde 24 de junho a BHTrans decidiu testar esta mudança de permitir a circulação de veículos particulares em algumas faixas exclusivas de ônibus, e em várias regiões da cidade. Em fase de teste, trechos de algumas vias foram liberados para a entrada de veículos comuns aos sábados, a partir das 14h, e no domingo o dia todo, até as 23h59.
A confusão, segundo alegam motoristas, acontece porque a liberação não vale para todas as vias. Como o motorista não sabe em que trecho pode circular, e muitas vezes a que horas, a confusão tem provocado o aumento de multas. E reclama da falta de sinalização, cuja principal função é justamente esclarecer o que pode, quando pode, e o que não pode.
As únicas pistas onde o problema não ocorre são justamente aquelas onde o trânsito de automóveis é terminantemente proibido: a pistas exclusivas de concreto do BRT Move, que circula pelas avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro I, Santos Dumont e Paraná.
A prioridade ao transporte coletivo parece ainda não ser algo compreendido e aceito por muitos motoristas. O correto seria justamente expandir o sistema BRT, que possibilita de fato um aumento da velocidade operacional dos ônibus, o que faz com que mais pessoas sejam beneficiadas. Os ônibus circulam em vias segregadas, separados dos demais veículos.
O BRT, modelo do MOVE implantado em Belo Horizonte, promove não só a redução dos conflitos com outros veículos na via, como melhora sensivelmente o embarque e desembarque dos passageiros.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

