Projeto quer punir passageiro que entrar em veículo conduzido por motorista alcoolizado

Para autor do PL apresentado no Senado passageiro tem consciência de seu ato, e pode impedir o motorista que bebeu ou ingeriu drogas de assumir o volante

ALEXANDRE PELEGI

O Projeto de Lei 221/2017, apresentado pelo senador Cidinho Santos (PR-MT), prevê uma alteração inusitada no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O PL quer transformar os passageiros em fiscais de veículos conduzidos por motoristas embriagados. O jeito de fazer isso, no entanto, vai seguramente gerar polêmica: aqueles passageiros que, de forma consciente, entrarem em um carro dirigido por uma pessoa que tenha ingerido álcool ou drogas será corresponsável.

O senador mato-grossense alega que o objetivo de seu projeto é fazer com que os passageiros se tornem fiscais e corresponsáveis pelo motorista. O que ele não explica é quais serão os critérios para que isso aconteça, nem que tipo de punição o carona receberá. Antes de entrar em um carro na condição de passageiro, como o carona poderá avaliar o estado de embriaguez do motorista? Caso o veículo seja parado por uma autoridade policial, qual a punição que caberá ao carona?

O senador Cidinho afirma que o texto de seu projeto é apenas um norte para a discussão, e que detalhes como esse deverão ser debatidos pela sociedade e pelo legislativo.

Protocolado no Senado em 11 de julho, o PL já foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e aguarda agora a designação de relator.

Em entrevista para o jornal O Tempo (MG), o senador alega que seu projeto tem potencial de gerar efeitos práticos positivos. Por ter consciência dos riscos ao entrar no carro de um motorista embriagado, o passageiro tem consciência de seu ato, e pode impedir o motorista de assumir o volante.

“O objetivo do projeto é que os passageiros também sejam fiscais responsáveis por aquele motorista, que, estando alcoolizado ou drogado, usa seu veículo para atropelar, matar, cometer crimes”, disse o senador Cidinho.

Um projeto com a mesma inspiração já foi rejeitado pela Câmara Federal no ano passado. Mas aí, ao contrário do carona ser o fiscal do motorista, a relação seria inversa: o motorista não poderia conduzir em seu carro pessoas  alcoolizadas. Apresentado pelo deputado federal Flávio Augusto da Silva (PSB-SP), o projeto visava impedir que a condução do veículo ficasse comprometida pelo passageiro alcoolizado. Mas a proposta foi arquivada após ser rejeitada nas comissões da Câmara.

O QUE PROPÕE O PL 221/2017:

= altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503, de 23 setembro de 1997). passa a prever a responsabilização do passageiro pelo crime de condução de veículo automotor com capacidade psicomotora alterada, quando concorre para o fato e conhece a condição do condutor;

= passageiro maior de 18 anos passaria a ser punido com as mesmas penas previstas para o condutor, e seria responsabilizado mesmo não estando ao volante, e mesmo sóbrio.

= pena para quem dirige sob o efeito de álcool ou drogas é de seis meses a três anos de prisão, multa de R$ 2.934,70 e suspensão da carteira por um ano. O PL 221 não define a pena do passageiro, nem os critérios de avaliação do estado de embriaguez do condutor.

Alexandre Pelegi, Jornalista especializado em transporte

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Comentários

Comentários

  1. O.Juliano disse:

    Que ridículo! Transformar o passageiro em “fiscal” nada mais é que repassar a responsabilidade do governo ao cidadão para se isentar de culpa no processo.

    Se quiser um “fiscal” externo, que obrigue as fabricantes de carro a instalar, sem custo, alguma espécie de bafômetro fixo em cada carro que só ligará se o motorista estiver nos níveis da lei. Mas aí não né!? Porque aí é mexer com peixe grande.

    Duvido muito que isso vá pra frente, mas só o tempo gasto com uma asneira dessa demonstra para onde vai nosso dinheiro público nas câmaras da vida.

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Tem de proibir é a apresentação deste tipo de Projeto de Lei e desempossar esse senador.

    Melhor voltar a DITADURA, tá muita palhaçada.

    MUDA BARSIL!

    Att,

    Paulo Gil

  3. vagligeirinho disse:

    O melhor fiscal é o próprio cidadão, e de fato, há muita gente que tolera outras pessoas conduzindo automóveis embriagados ou sob efeito de álcool e entorpecentes.

    No entanto, há um dilema como dito no texto: como responsabilizar o passageiro, sendo que muitas vezes o próprio também poderá estar embriagado, ou ter sido forçado a acompanhar? Existe também o princípio moral – há pessoas que se recusam a inteferir na decisão do outro, e vão mesmo consciente que o outro poderá fazer besteira, mas se isenta pois “o carro não é dele”. Há o fator também que muitos passageiros nem habilitação tem., ou seja, as situações aqui seriam ou a pessoa conduziria sem habilitação ou outra pessoa conduziria embriagada.

    Existem diversas vertentes, e de fato, ao menos é uma legislação que começa a ideia de “fiscalização pela população”, o que acho legal.

    Pelo menos apontar os dedos a população e falar que ela é cumplice ajuda ao menos a faze-la entender que cidadania é também não se omitir ao alheio.

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