Hoje é o dia em que estouramos a conta anual do Planeta Terra

O Overshoot Day (em português algo como Dia da Sobrecarga) é a data em que a demanda anual da humanidade por recursos ultrapassa o que a Terra é capaz de regenerar ao longo do ano

ALEXANDRE PELEGI

Hoje é o Overshoot Day (Dia da Sobrecarga), data em que a demanda anual da humanidade por recursos ultrapassa o que a Terra é capaz de regenerar ao longo do ano. Um dia que marca que o que estamos consumindo do planeta estoura em muito o que a Terra é capaz de absorver.

Este dia é calculado todo ano por uma organização não ambiental, e divulgado através do site http://www.overshootday.org.

A Rede Global da Pegada Ecológica (Global Footprint Network) é a organização encarregada de realizar este cálculo, que começou lá atrás nos anos 70.

Em 1971, o dia em que a humanidade esgotou os recursos do planeta caiu num 24 de dezembro; em 1981, num 13 de novembro; vinte anos à frente, em 1991, o dia da sobrecarga caiu num 12 de outubro. Em 2001, recuamos mais ainda, para 26 de setembro.

Para ficar fácil o entendimento do significado deste cálculo, compara-se a Terra e seus recursos naturais a uma conta bancária, em que nós, os humanos, sacamos a descoberto 70% do saldo a cada ano. A partir de hoje, no ano de 2017, já estamos sacando no vermelho…

Resumo da ópera: a humanidade está usando os recursos naturais numa velocidade crescente e, portanto, mais rápido do que eles conseguem ser repostos.

Se esta situação persistir, o ambiente natural do qual dependemos para sobreviver entrará em colapso nos próximos anos.

Mas o que o Diário do Transporte tem a ver com isso? Muito, pois nosso foco é o setor de transportes, elemento fundamental para o equilíbrio ecológico do planeta. O planejamento de nossas cidades pode desempenhar um papel importante na redução da dependência humana ao uso de automóveis, investindo em formas de energia limpa e em transporte coletivo massivo, de qualidade e ambientalmente correto. Para se ter uma ideia de nossa responsabilidade, convém informar que o transporte individual representa 14% da pegada de carbono da humanidade. É muito, não é mesmo?

Apesar de o Brasil ser signatário do Acordo de Paris, assumindo a responsabilidade de investir em formas de transporte mais limpo, reduzindo o uso do carro e investindo em transporte público de qualidade, pouco ou nada temos feito nessa direção. Basta ver a recente decisão do presidente Michel Temer, que em busca de equilíbrio fiscal produziu um aumento dos tributos sobre combustíveis que, ao invés de garantir recursos para um transporte coletivo equilibrado a uma tarifa justa, optou por tapar um rombo financeiro.

Um estudo do IEMA – Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), recentemente lançado sob o título “Inventário de emissões atmosféricas do transporte rodoviário de passageiros no município de São Paulo”, indica que os automóveis são responsáveis por 72,6% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), e respondem por 88% dos quilômetros rodados por todos os veículos. O estudo conta ainda que aproximadamente 30% das pessoas se deslocam de carro e moto, 30% a pé e 40% de transporte público (ônibus, metrô e trem), reportando a dados da pesquisa Origem e Destino 2012.

A conclusão é única: o combate à poluição atmosférica e a redução de emissões de GEE passam por investir pesado em transporte público, desestimulando o uso do transporte individual motorizado como já fazem grandes metrópoles do planeta.

A má notícia do Overshhot Day deste ano é que entramos no vermelho um dia antes do que em 2017. Ou seja, no começo do oitavo mês do ano já consumimos tudo o que a Terra consegue regenerar em 12 meses.

Dá para brecar essa tendência?

A organização que realiza os cálculos do Overshoot Day nos informa que mesmo que conseguíssemos reverter essa tendência, e atrasássemos este momento em quatro dias e meio todo ano, só em 2050 conseguiríamos chegar a um equilíbrio energético, consumindo somente aquilo que a Terra consegue suportar.

Pensar em transporte coletivo e em energia limpa é uma maneira inteligente e necessária de cuidar do planeta.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

Fontes:

http://www.overshootday.org

http://wwf.panda.org/es/?307710/Desde-hoy-viviremos-a-crdito-con-el-planeta

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Curar o planeta é fácil.

    O problema é que o homem é incurável.

    É bom mesmo que cheguemos ao fim, só assim renasceremos das cinzas, quem sabe com menos JURÁ$$ICO$ no Puder.

    Att,

    Paulo Gil

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