Invasão de pista exclusiva para ônibus já é 3ª maior infração de trânsito em BH

Ônibus articulado do sistema de Belo Horizonte. Quando o transporte individual ocupa o espaço que é destinado ao transporte público, a maioria das pessoas é prejudicada

No total foram 28.657 multas de janeiro a março de 2017, número 12% maior do que os 25.579 penalizados no mesmo período em 2016. Os dados são do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG)

ALEXANDRE PELEGI

Com o advento das faixas exclusivas para ônibus, uma nova modalidade de infração passou a frequentar a lista de multas de trânsito: a invasão por automóveis particulares.

É o que se vê em Belo Horizonte, onde apenas no primeiro trimestre deste ano pelo menos 13 veículos foram punidos a cada hora. No total foram 28.657 multas de janeiro a março de 2017, número 12% maior do que os 25.579 penalizados no mesmo período em 2016. Os dados são do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG).

Em matéria publicada pelo Diário do Transporte em 8 de abril deste ano, já apontávamos que a infração por desrespeito a faixas de ônibus na capital mineira crescera 17,5% nos dois primeiros meses de 2017, quando comparado ao mesmo período de 2016. (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/08/infracao-por-desrespeito-a-faixas-de-onibus-em-bh-cresce-175/)

Esse tipo de situação continuou, a ponto da invasão de faixa se tornar hoje a terceira infração mais cometida no trânsito da capital mineira, perdendo apenas para excesso de velocidade e avanço de sinal.

A pressa em chegar tem custado caro ao bolso dos motoristas mineiros. Mas além de terem da pagar a multa, e de receberem a punição de pontos na CNH, estes motoristas têm preocupado as autoridades de trânsito por conta do risco de acidentes. A infração de trânsito, considerada gravíssima pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro), penaliza o motorista infrator com multa de R$ 293,47, além de sete pontos na carteira de habilitação.

Em Belo Horizonte há 57 equipamentos de fiscalização eletrônica em funcionamento nas faixas exclusivas de coletivos. Os principais corredores exclusivos em BH são Antônio Carlos, Cristiano Machado e na área central, entre as avenidas Paraná e Santos Dumont. Em todo o ano de 2016 estes equipamentos captaram 104.881 autuações de invasões de faixas, o que equivale a uma impressionante média de 287 infrações a cada dia.

A invasão de pistas delimitadas para o BRT MOVE é recente. E por ser um corredor segregado a invasão se torna perigosa para os que se arriscam a ganhar algum tempo a mais no trânsito. A imprudência, afinal, é uma das grandes responsáveis por acidentes graves.

O motivo da prioridade ao transporte coletivo, que tanto irrita alguns motoristas que se utilizam do automóvel como meio de locomoção preferencial, é possibilitar um aumento da velocidade operacional dos ônibus, o que faz com que mais pessoas sejam beneficiadas. O BRT, modelo do MOVE implantado em Belo Horizonte, promove ainda não só a redução dos conflitos com outros veículos na via, como melhora sensivelmente o embarque e desembarque dos passageiros.

TAXISTAS ESTÃO LIBERADOS PARA TRAFEGAR EM DOIS CORREDORES DO MOVE:

Durante três meses a BHTRANS, empresa responsável pelo gerenciamento e fiscalização do sistema de transportes e do trânsito de Belo Horizonte, liberou o corredor exclusivo do MOVE nas avenidas Antônio Carlos e Pedro I para a circulação de táxis. A análise do impacto foi positiva, e não apresentou interferências no tempo de viagem e velocidade do MOVE. Pesquisa feita pela BHTRANS entre os usuários dos táxis apontou que para 90% dos passageiros houve sensível melhora do tráfego na pista exclusiva, com correspondente redução no tempo de viagem.

Agora a BHTRANS quer fazer o mesmo teste com táxis na pista do MOVE da avenida Cristiano Machado, a partir do dia 3 de julho. Se as avaliações também forem positivas, assim como ocorreu nas avenidas Antônio Carlos e Pedro I, a via ficará liberada definitivamente para a circulação.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte