Morre Paulo Bellini presidente da Marcopolo

Executivo foi um dos principais nomes da história da indústria de ônibus

Executivo que um dos pioneiros da empresa e esteve à frente do processo de mudança de nome da companhia que antes se chamava Nicola. Ele estava internado no hospital Unimed e tinha 90 anos

ADAMO BAZANI

Morreu na manhã desta quinta-feira, 15 de junho de 2017, aos 90 anos, o executivo Paulo Bellini um dos pioneiros da fabricante de ônibus, Marcopolo.

Paulo Bellini ocupava o cargo de presidente emérito da empresa. Ele estava internado desde a semana passada no hospital Unimed por uma infecção.

O velório  começa a partir das 15h no Memorial São José, localizado à Rua Vinte de Setembro, 3.167, São Pelegrino, em Caxias do Sul.  A cremação será amanhã, dia 16 de junho, às 15h, no Memorial Crematório São José, Rua São Virgílio, Caxias do Sul.

Considerado homem de visão nos negócios e bom parceiro no trabalho, é atribuído a Paulo Bellini o sucesso da Marcopolo, que hoje é multinacional brasileira com atuação direta em 11 países e que possui capital aberto, com ações em Bolsa de Bolsa de Valores de São Paulo.

Paulo Bellini também é um dos responsáveis pela marca Marcopolo. Quando foi fundada em 6 de agosto de 1949, na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, a empresa se chamava Nicola, em referência aos irmãos fundadores Dorval, Doracy e Nelson Nicola.

Os Nicola tinham fundado a Marcopolo com outros oito sócios, a maioria de família alemã. Menos de dois anos depois da fundação, os sócios saíram do negócio e voltaram para Novo Hamburgo, no Vale dos Sinos, em Rio Grande do Sul.

Paulo Pedro Bellini, um jovem com 22 anos, mas de muita visão, enxergou na encarroçadora uma oportunidade de crescimento. E a escolha foi acertada.

O jovem precisou da ajuda do pai, Alberto Bellini, para completar o dinheiro que precisava para comprar a parte que era dos alemães: 240 mil cruzeiros, em 1951, o que hoje corresponderia a cerca de R$ 180 mil (valor que nem dá hoje para comprar um micro-ônibus).

Foi um negócio que exigiu visão de futuro, pois apesar de já ter suas encomendas, a Nicola ainda estava muito longe de se tornar firme no mercado. Na época, havia uma série de oficinas que trabalhavam com madeira e construíam carrocerias de ônibus, ou melhor, jardineiras rústicas encarroçadas sobre chassis de caminhão.

Paulo Bellini em inauguração da planta de Ana Rech, em 1981, junto com autoridades da época

Não apenas em relação a fixação da Marca, mas o Marcopolo ajudou a divulgar a empresa e os outros produtos, inclusive urbanos.
Foi a partir daí que a encarroçadora engatou um forte ritmo de expansão.
Nos anos de 1970, havia adquirido marcas como a Nimbus/Furcare, que havia sido também fundada pelos Nicola, e a Carrocerias Eliziário, comprada pelos Nicola e depois adquirida pela Marcopolo.
A marca também possuía a Invel, de ônibus de pequeno porte e veículos especiais, como ambulâncias. Guardadas as devidas proporções, era como a Volare nos dias de hoje.

Marcopolo sendo embarcado na Venezuela nos anos de 1970.

Também nos anos de 1970 participa de um dos maiores acontecimentos do setor de transportes: a criação do BRT – Bus Rapid Transit, o sistema de corredores rápidos e modernos, desenvolvido pelo prefeito Jaime Lerner, de Curitiba, e implantado em sua gestão no ano de 1974.
O sistema compreende numa democratização do espaço público dando prioridade ao transporte coletivo que transporta muito mais pessoas em menor área se comparado com o transporte individual.
Além das canaletas (corredor segregado), novos pontos, informações aos passageiros, Jaime Lerner pensou em um veículo mais confortável, de maior capacidade, acessível e menos poluente, apesar de não serem ainda grandes os apelos pelo meio ambiente e pelo direito de ir e vir dos portadores de limitações físicas.
A Marcopolo desenvolveu o modelo Veneza Expresso, a partir do já consagrado Veneza, porém com várias modificações, como altura do piso em relação ao solo menor, maior aproveitamento do espaço interno com bancos laterais, mais área envidraçada e o motor Cummins oferecia mais potência e conseguia emitir menos poluentes.
As marcas Eliziário e Nimbus Furcare iam saindo do mercado com o passar do tempo.
Nos anos de 1980, a empresa decide inovar e criar Gerações de produtos.
Em 1983, surgia a Geração IV. Mas por que não geração I, se era a primeira nomenclatura de Geração?
Porque a Marcopolo contava a partir da série de seus “Marcopolos”, que eram I, II e III.
O modelo Marcopolo desapareceria para ficar só sendo marca, que já havia ganhado personalidade e surgiam modelos como Torino, no segmento de urbano, e Viaggio e Paradiso, no de Rodoviários. Nomes bem italianos a lá Paulo Bellini.
A Geração V foi lançada em 1992 e era marcada por uma nova estrutura de carrocerias, com perfis tubulares e não mais abertos em forma de “U” ou cartola. Esta estrutura se assemelhava ao modelo Europeu.
Em 2000 era lançada a Geração VI, com linhas mais arredondadas, e na estrutura aperfeiçoando os perfis tubulares e aplicando mais longarinas inteiriças e partes em aço galvanizado, um material leve, mas ao mesmo tempo resistente à corrosão.
Em junho de 2009, mantendo os mesmos nomes nos rodoviários, Viaggio para veículos mais simples e Paradiso para os mais aprimorados, foi colocada o mercado a Geração VII, num momento essencial da indústria.
As renovações previstas nas frotas, o aquecimento da escolhida, o preparativo das empresas para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 e para a licitação das linhas rodoviárias interestaduais e internacionais pela ANTT, além da crise da maior concorrente do segmento, a Busscar, que teve de interromper a produção por não suportar dívidas trabalhistas, fiscais e com fornecedores, a Geração Sete logo ganhou as principais cidades do País, com veículos em pequenas transportadoras ou gigantes do setor.
As histórias e os detalhes sobre a Marcopolo renderiam um livro. Mas a empresa é uma das nacionais que levam o nome do Brasil no exterior, desde as mais singelas compras até em ocasiões de destaque, como a Copa do Mundo da África do Sul.
A maior parte desta história se deu pela dedicação humana. Ela que deu margem aos aperfeiçoamentos tecnológicos, pois não adianta um monte de máquinas modernas, sem a sabedoria e por que não, o sentimento humano por trás delas.

UMA DAS MARCAS MAIS LEMBRADAS:

A Marcopolo, cujo nome se consolidou pelos esforços de Paulo Bellini e dos milhares de colaboradores ao longo da história, conquistou nesta semana o “Top 5” das marcas mais lembradas do Rio Grande do Sul, como explica nota da assessoria de imprensa da empresa:

A caxiense Marcopolo, um dos maiores fabricantes mundiais de ônibus, é uma das cinco marcas mais lembradas no Rio Grande do Sul. A empresa, exemplo de multinacional brasileira com operações em nove países (Argentina, Austrália, África do Sul, Brasil, China, Colômbia, Egito, Índia e México), volta a figurar entre as mais lembradas depois de cinco anos (a última vez foi em 2012).

O retorno da companhia ao “Top 5” do Rio Grande do Sul ocorre justamente na edição na qual a transformação e o reposicionamento de marca são os temas da campanha do prêmio. Para vencer os desafios e obstáculos dos últimos anos na economia brasileira, a Marcopolo precisou transformar sua maneira de atuação, focando na conquista de novos clientes e negócios no exterior, e implementar programas em suas operações voltados para a inovação, eficiência, produtividade e competitividade.

Este ano, a Marcopolo alcançou desempenho acima das perspectivas e fechou o primeiro trimestre com crescimento de 29,5% em sua receita líquida (R$ 554,6 milhões, contra R$ 428,3 milhões). O resultado reflete o forte trabalho que a empresa vem realizando, com a ampliação das exportações em 107,1% e das receitas de suas operações no exterior, em 46,3%.

No Brasil, o mercado de ônibus começa a apresentar sinais de recuperação. As perspectivas de demanda mostram retomada nas vendas, especialmente no segmento de rodoviários, o que pode resultar em um ano com desempenho melhor do que em 2016.

A empresa também adotou, desde o ano passado, uma série de ajustes para minimizar os efeitos de mais um ano de instabilidade econômica e política. Foram implementados projetos voltados à prospecção de oportunidades, com destaque para o Conquest, que teve como foco as exportações, por intermédio do fortalecimento da atuação nos tradicionais países da América Latina, da cobertura de novos mercados e da ampliação do portfólio de clientes no exterior. No ano, foram visitados mais de 65 nações, que resultaram no incremento de 54,6% no volume físico exportado (2.959 unidades contra 1.915, em 2015).

No mercado brasileiro, a Marcopolo lançou o programa Brasil Ponta a Ponta, que promoveu inúmeras visitas a clientes em todas as regiões do País, possibilitando o fortalecimento da marca e do relacionamento com os clientes, e o projeto Negócio a Negócio (Unidade de Negócio Volare), focado na redução de estoques.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

6 comentários em Morre Paulo Bellini presidente da Marcopolo

  1. Amigos, bom dia.

    Nada mais justo do que o G-8 passar a ser denominado G-PB.

    Ou pelo menos ser lançado uma série especial “PB” Paulo Bellini.

    Missão cumprida, nunca esqueceremos do senhor.

    Att,

    Paulo Gi

  2. Morreu um grande líder do nosso setor vamos sentir muito a tua falta PAULO BELINI descanse em paz

  3. Glaucio oliveira // 15 de junho de 2017 às 12:27 // Responder

    Uma grande perda e um enorme orgulho dos gaúchos e brasileiros que são apaixonados como eu pela marcopolo.. Desde 1970 quando tinha 7 anos que admirava os nicolas que todas empresas de minha região sudoeste da cidade de SP e taboao da serra que liga o início da br 116 ao sul do país e rota dos marcopolos 2 e 3 da penha e os novos que vinham para região sudeste. Depois os venezas 1 e 2 e até hoje minha querida região é privilegiada com meus lindos. SP quase não tem torino 07 mas a empresa da minha cidade tem 12 e a antiga cooperativa de sp é a única que tem eles a maioria estão bem próximos de mim. Grande viva a essa história linda

  4. Agradecemos por ter colaborado com essa grande empresa que é a Marcopolo, a melhor encarroçadora do país.

  5. Paulo Belini é mais uma estrela a ocupar seu lugar no loteamento do Céu destinado aos grandes nomes da história do ônibus no Brasil e América do Sul, foi se juntar ao Valter G Pinto, ao Harold Nielson, Fritz Waimann e outros. Que seu brilho ilumine os que aqui ficaram com a responsabilidade de continuar a empreitada.
    Saudade Prof.Paulo

  6. Os nossos sentimentos à família Belini, que Deus conforte os seus entes e parceiros deste grande homem chamado Paulo Belini, o qual tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente.

    Albenir Nogueira

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