Itaipu binacional inaugura primeira fábrica de biometano do Brasil com aproveitamento de esgoto

Ônibus GNV/biometano importado da Scania, quando foi testado em Itaipiu

Combustível será utilizado para abastecimento de veículos inicialmente para a frota da usina. Scania apresentou um modelo de ônibus que funciona tanto com biometano como o gás natural

ADAMO BAZANI

A Itaipu binacional inaugurou nesta sexta-feira, 2 de junho de 2017, a primeira fábrica do Brasil que produz biometano obtido pela purificação do biogás da mistura de esgoto, restos orgânicos e poda de grama.

Até então, a forma mais convencional para a produção do combustível era por meio do tratamento dos gases gerados pela decomposição dos dejetos de animais. O biometano é considerado um gás menos poluente e que tem características de queima em motores semelhantes às do gás natural.

A fábrica recebeu um investimento de R$ 2,16 milhões e vai produzir inicialmente por mês 4 mil metros cúbicos de biometano,  esta produção será destinada abastecimento de veículos e pode atender entre 80 e 100 automóveis, de acordo com porte, que rodam em média 800 km mensais. Inicialmente, será atendida a frota de Itaipu, que é de cerca de 70 veículos.

Para a produção do biometano nesta fábrica, por mês serão utilizadas 10 toneladas de restos de alimentos e resíduos orgânicos, além de 30 toneladas de podas de grama.

A unidade fabril foi construída entre 2015 e 2016, funciona desde março deste ano de forma experimental, sendo inaugurada oficialmente nesta sexta-feira.

O projeto para a fábrica foi desenvolvido em parceria pela Itaipu Binacional, pelo Parque Tecnológico de Itaipu e pela Eletrobras.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a unidade pode fabricar biometano e biofertilizante com menos impactos ambientais. O gasto por quilômetro rodado de combustível biometano é de R$ 0,26 enquanto que do etanol é de R$ 0,36, dizem os pesquisadores.

De acordo com estudos da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, do Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem potencial para produzir em torno de 100 milhões de metros cúbicos por dia de biometano.

À Agência Brasil, o pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Luciano Basto, disse que essa é a quantidade equivalente do que o Brasil importa de combustíveis fósseis e afirma que havendo fábricas em quantidade suficiente de biometano, diversos tipos de veículos já poderiam contar com este combustível menos poluente na frota das principais cidades.

“Existe biomassa residual suficiente na agricultura, na pecuária confinada, na agroindústria e nos resíduos urbanos líquidos e sólidos para abastecer toda a demanda hoje atendida por importação. Diversos tipos de veículos, como ônibus, caminhões e veículos leves poderiam utilizar o combustível.”

A montadora de ônibus e caminhões Scania aposta no gás natural e, posteriormente no biometano, como solução com menores impactos ambientais para o transporte público brasileiro.

Desde 2014, a empresa vem apresentando ônibus com esse tipo de combustível.

Inicialmente foi um veículo importado e agora circula em algumas cidades com uma unidade já de carroceria nacional.

O Diário do Transporte acompanhou no início de 2015 os resultados de um teste realizado no Rio Grande do Sul, na unidade da Braskem, em Triunfo.

Na época, o professor coordenador dos trabalhos acadêmicos nos testes, Odorico Konrad, comentou que o ônibus teve bons resultados quanto à rentabilidade, nível de ruído e emissão de poluentes.
“Dentro do parque da Brasken, levando funcionários, a média de consumo foi de 2,13 km/nm3. É um ótimo rendimento comparado com o diesel, levando em conta que o preço do gás é menor que o do combustível fóssil. Os níveis de poluição ficaram bem abaixo do determinado pelo Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente e as emissões de ruído também foram abaixo dos padrões determinados pelas autoridades. Em marcha-lenta, com motor a 610 rpm (rotações por minuto) o ruído foi de 77,53 decibéis, em média. A 2500 rpm, a média do ônibus foi de 95,67 decibéis, sendo que o limite é de 98 db”

O veículo também foi testado no Parque Tecnológico da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2015/01/30/biometano-onius-scania-historia/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

5 comentários em Itaipu binacional inaugura primeira fábrica de biometano do Brasil com aproveitamento de esgoto

  1. Amigos, bom dia.

    Parabéns, isto é um trabalho legal e um dinheiro bem aplicadao.

    Sai a Petrobrás entra a BOSTOBRÁS.

    Rumo ao futuro verde e resíduos é o que não falta no Barsil.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Importante matéria sobre pesquisa e aplicação que pode levar ao desenvolvimento sustentável de combustíveis com grau mínimo de poluição e aumento de empregos no País.
    Já tivemos esse estudo desenvolvido nos anos 80 pelo ITA de São José dos Campos em parceria com a prefeitura de São Paulo e CMTC, com uso de gás metano de lixo e usando um veículo monobloco 0-321 com motor Dodge adaptado. O resultado foi aprovado, porém, sua aplicação não foi continuada.
    Tivemos na região do Butantã um lixão aproveitado para fornecer gás as residências de seu entorno que operou por mais de 10 anos.
    Falta continuidade de nossos governos nos desenvolvimentos ocorridos.
    Espero que a atual proposta seja levada a diante.

    • Jair, boa noite.

      Muito bem lembrado e colocado.

      Já vimos esse filme antes.

      Mas no Barsil, não há seriedade, há muito impulso, igual rojão.

      Sobe rápido, mas desce mais rápido ainda.

      O problema é que só continuou o ruim da CMTC, se tivesse continuado a parte boa em Sampa já teríamos buzão a jato.

      Quando fiz meu curso técnico tive um professor que trabalhava num dos laboratórios da CMTC.

      Mas com diz o parachoque do caminhão:

      “Relembrar o passado é sofrer duas vezes”

      Abçs,

      Paulo Gil

  3. Quanto ao nivel de ruido do motor, diminui, pois, o cliclo Diesel explode por compressão dos cilindros fazendo barulho e trepidação enquanto o motor usado pelo gás trabalha no ciclo Otto usando a faisca das velas (como no motor a gasolina)

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