ENTREVISTA: MAN aposta em crescimento de até 20% no segmento de ônibus e está de olho na licitação dos transportes em São Paulo

Ônibus 18.280 OT é um dos principais produtos da MAN para a Capital e Grande São Paulo.

O gerente executivo de Vendas de Ônibus da MAN Latin America, Jorge Carrer, disse ao Diário do Transporte que em médio prazo, marca deve ser mais presente no segmento de rodoviários

ADAMO BAZANI

No início do ano, os produtores, revendedores e operadores de ônibus em todo país demonstravam um otimismo realista. Os investidores apostavam em crescimento, sem muitos sustos, porém, não o suficiente para chegar aos níveis anteriores de 2013, ano em que começou a se intensificar a crise econômica brasileira, que afetou praticamente todos os mercados e setores.

Passados cinco meses completos, houve sustos. Na economia, os sinais positivos como redução dos juros e o indicativo de recuperação de parte do nível de emprego foram encobertos pela mais recente crise política, envolvendo o presidente Michel Temer e as gravações do empresário Joesley Batista, do grupo J&F, dos setores de proteína animal e higiene e beleza. E como economia e política andam de mãos dadas, o sinal voltou a ficar amarelo.

Entretanto, apesar de tudo, o mercado ainda aposta em crescimento que não pode ser considerado ainda uma recuperação plena, mas uma reação diante dos números negativos acumulados que ultrapassam 70% de perdas desde 2013.

Em entrevista ao Diário do Transporte, nesta quarta-feira, 31 de maio de 2017, o gerente executivo de Vendas de Ônibus da MAN Latin America, Jorge Carrer, afirmou que a empresa trabalha ainda com a perspectiva de crescimento entre 10% e 20% em relação ao desempenho do ano passado.

“Entre 10 e 20% são percentuais consideráveis, porém é um número sobre o que foi registrado no ano passado, que registou uma queda acentuada. Estamos atentos a todas as tendências de mercado e também da economia como um todo” – disse.

Jorge Carrer afirmou também os três primeiros meses já mostravam “uma certa reação do mercado de ônibus” e que a empresa realizou vendas importantes, mas o executivo ressaltou que são casos pontuais.

Entre as vendas de destaque estão a comercialização de 45 veículos modelo Volksbus 17.230 ODS para a ETT – Empresa de Transportes e Turismo Carapicuíba e 20 unidades para a Transunião, operadora com atuação na zona Leste da capital paulista, sendo 17 Volksbus 17.260 OD e três 15.190 OD (micrão).

Jorge Carrer acredita em retomada gradual e espera resultados do Refrota

O gerente executivo de Vendas de Ônibus da MAN Latin America diz que para recuperar mercado e também alcançar crescimento de participação, a empresa tem atuado principalmente em duas frentes: novos produtos e serviços e também em financiamento.

“Hoje um dos problemas do segmento é conseguir crédito e uma de nossas ações é em relação a produtos financeiros com Banco Volkswagen para dar melhores condições para a compra de veículos novos” disse Carrer.

Já sobre os produtos, o executivo destaca a suspensão pneumática para ônibus urbanos de motor dianteiro que, segundo Carrer, apresenta uma boa relação custo-benefício, além de aumentar o conforto para motoristas e passageiros, o que cada vez mais tem sido uma exigência nas cidades brasileiras.

A transmissão automatizada é também apontada pelo executivo como uma das soluções que tem cada vez mais despertado atenção do mercado de ônibus urbanos. Além de reduzir custos operacionais, o sistema, segundo Carrer, permite também uma melhor condição de trabalho ao motorista, aumentando assim sua produtividade e bem estar.

O viário urbano em praticamente todo país não apresenta condições plenas para operação de ônibus de piso baixo e motor traseiro. São ruas e avenidas esburacadas, valetas, lombadas aclives e declives muito acentuados e, muitas vezes, o motor dianteiro acaba sendo a principal alternativa. Entretanto, é possível aumentar o conforto neste tipo de configuração de ônibus, com soluções como a suspensão pneumática.

Ainda sobre o crédito para compra de ônibus novos, Jorge Carrer afirmou que ainda espera frutos concretos do Reforta 17, que é um financiamento por meio da Caixa Econômica Federal com usos de recursos do FGTS, anunciado oficialmente pelo Governo Federal em dezembro do ano passado, para a troca de dez mil ônibus urbanos em todo país. Entretanto, até agora, passados seis meses, quase nada foi concretizado pelo Refrota.

“Até agora, eu não vi nenhuma negociação indo até o fim com o Refrota, mas estamos na expectativa. É um programa interessante, com condições de juros melhores, porém, perto do Finame. O problema é que há algumas amarras. O Refrota consiste em utilizar os recursos do FGTS, as regras são gerais da Caixa. A gente vê que a Caixa está empenhada em destravar o Refrota e tirar algumas amarras, como a exigência do seguro do bem. Hoje é impossível pensar em seguro para ônibus” – disse o gerente que ainda acrescentou que o Banco Volkswagen está em processo para se tornar operador do Refrota e que a vantagem é que a instituição já possui o conhecimento do mercado de ônibus.

LICITAÇÃO DE SÃO PAULO:

Como praticamente todo o mercado de ônibus brasileiro, a MAN está de olho na licitação dos transportes da cidade de São Paulo, cuja audiência pública para apresentação do conteúdo básico que deve constar no edital, vai ser realizada nesta quinta-feira, 1º de junho de 2017.

“Estamos acompanhando muito atentamente a licitação dos transportes de São Paulo. Primeiro para ver se dessa vez realmente ela vai até o final. Outro ponto que nos chama a atenção é a mudança de tecnologia e de combustíveis mais limpos. Provavelmente a prefeitura deve exigir o cumprimento de metas de reduções de emissões, mas a tecnologia será escolhida pelo operador” afirmou Carrer, que disse que neste momento a MAN no Brasil não fabrica em larga escala nenhum ônibus com tecnologia alternativa ao diesel pela falta de demanda, mas que já possui experiência em veículos híbridos, a diesel de cana e também no fornecimento de chassis para trólebus, como os usados no sistema da capital paulista, que receberam equipamentos da Eletra e carroceria da Caio.

Ainda sobre a licitação o executivo percebeu a mudança de estrutura empresarial, com as cooperativas se tornando empresas de fato e adquirindo ônibus de maior porte, como midis e convencionais, no lugar dos micros, como era antigamente.

Isso dá uma nova dinâmica no mercado, segundo Carrer.

“As cooperativas foram bem inteligentes, se organizaram, se tornaram empresas e hoje algumas possuem frotas maiores que de empresas mais antigas. É um mercado bem forte”

O forte da Volkswagen ônibus e caminhões, entretanto, para licitação é o modelo Volksbus 18- 280 OT, que foi lançado há dois anos já pensando inclusive no mercado paulistano. O veículo é de motor traseiro e já foi testado por empresas como Santa Brígida e Gato Preto e, agora, encontra-se na Metra, operadora do Corredor ABD, que não faz parte do sistema da capital paulista, mas que também atende à parte da cidade de São Paulo até a região do ABC. Outra unidade circulou pela Ambiental, empresa municipal de São Paulo.

“Como a licitação atrasou, tivemos muito tempo de testar e desenvolver esse produto. Vale lembrar que é o primeiro projeto de ônibus no Brasil desenvolvido em conjunto com a MAN da Alemanha, com várias inovações. Todos os testes até agora têm sido muito satisfatórios, com diversas vantagens em relação à concorrência”

FRETAMENTO E RODOVIÁRIOS:

Os ônibus da MAN têm bastante penetração no segmento de fretamento que tem renovado a frota gradativamente, apesar da crise.  Por causa do desemprego, a demanda das transportadoras que prestam serviços para fábricas e empresas caiu significativamente, o que impediu compras em maior grau de ônibus novos.

“Muitas vezes a renovação ocorre porque é necessário mesmo. O veículo atinge uma certa idade e por causa da legislação deve ser trocado,  mas o mercado está longe de ser considerado aquecido”

Sobre os rodoviários, a Volkswagen Caminhões & Ônibus possui o modelo de entrada 18.330, usado em pequenas e médias distâncias.

A participação da empresa no segmento ainda não é muito alta, o que segundo executivo deve mudar em médio prazo, quando a marca deve estar mais presente, inclusive com modelos de maior porte que ainda serão lançados.

O executivo disse que agora a estabilidade causada após o fim do impasse sobre a concessão das linhas interestaduais e internacionais gerenciadas pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, cria um clima mais favorável.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em ENTREVISTA: MAN aposta em crescimento de até 20% no segmento de ônibus e está de olho na licitação dos transportes em São Paulo

  1. THE BEST HURACAN STEROIDS DOUBLE DECKER SUPER ARTICULATED BUSS | | | | | |

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  2. Amigos, boa noite.

    No Barsil, alem de faltar tudo, o tempo passa e por isso ha necessidade de renovacao da frota por inercia.

    O Refrota e mais uma afronra ao trabalgado que tem o seu FGTS mal remunerado e ainda por cima vai ajudar tubarao a ficar mais gordo.

    Agora, com relacao a licitacao de Sampa, e melhor nao animar nao, pois isso ai ainda vai dar muiiiiiiiiiiiiito trabalo, o que falar e muiiiiiiita agua debaixo da ponte ainda vai rolar.

    A area 5 do ABC, esta entao esta em coma, lembrando que a de Sampa esta em coma induzido em estado gravissimo na UTI.

    Agora que tem poucos, micros, eu perginto.

    Como vai fazer um alimentador rapido?

    Nesse pique, nada de alimentador e voltara muito em breve no emergencial pizzoico a famosa Penha Lapa 21/21 e o carro bota firme e forte.

    Alias que o carro bota esta cade vez mais egiciente outro dia tinha um 8019 a apenas um buzao nirmal do 8705.

    Kkkkkkkkkkkkkkkk, cade a JESTAO ?????

    Man nao se iluda, essa canoa e furada.

    Att,

    Paulo Gil

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