Deputados estaduais lançam Frente para defender Gás Natural no Estado de São Paulo

Ônibus a gás natural da Scania circula em testes por diversas cidades

De acordo com parlamentares, é necessário incentivar o uso do combustível, principalmente para a frota de ônibus

ADAMO BAZANI

Deputados estaduais da Assembleia Legislativa de São Paulo lançaram a Frente Parlamentar de Apoio ao Desenvolvimento do Gás Natural no Estado de São Paulo (FGAN).

O objetivo, de acordo com os parlamentares, é encontrar alternativas para estimular o uso do gás natural, combustível relativamente limpo e abundante, em diversas aplicações, como industriais, para residências e também na frota do transporte público.

Além disso, os deputados querem atualizar a legislação de 1960 sobre o gás natural e aperfeiçoar a questão tributária, considerada hoje sem vantagens para o Estado.

“São Paulo não pode mais perder os mais de R$ 3, 8 bilhões, em decorrência do não recebimento dos tributos, pois todo o gás proveniente da Bolívia entra por Mato Grosso e o ICMS fica todo lá. Queremos que São Paulo colha os benefícios do gás natural”, disse, em nota da Assembleia, o deputado João Caramez (PSDB), coordenador da Frente.

Especialistas que estiveram no evento de lançamento da Frente, no último dia 25, defenderam o gás natural no transporte coletivo por ônibus e incentivos tributários para as viações que utilizarem esse tipo de combustível nos veículos.

Utilizado em maior escala entre os anos de 1980 e 1990 nas frotas de ônibus da capital paulista, com destaque para CMTC -Companhia Municipal de Transportes Coletivos, depois CCTC – Cooperativa Comunitária de Transportes Coletivos, e empresas como Gatusa, o gás natural acabou caindo em descrédito no sistema por causa de problemas técnicos que influenciavam no tempo de abastecimento e no desempenho dos veículos.

Hoje, entretanto, a indústria diz que esses problemas foram resolvidos por causa da nova forma de injeção do combustível nos tanques e motores, que é eletrônica e com sensores que conseguem dosar a necessidade da pressão ideal para combustão em cada momento da operação, como nos arranques ou nas subidas.

A Scania tem apostado no gás natural e, posteriormente no biometano – gás obtido por meio da decomposição de resíduos, e apresenta um modelo que funciona com os dois combustíveis.

O veículo que já circulou pela capital paulista por iniciativa da gestora SPTrans, deve retornar à cidade a pedido de uma empresa de ônibus.

Na reunião de criação da frente parlamentar, os deputados também traçaram um perfil das distribuidoras de gás natural no Estado:

“Atualmente, o Estado tem três Concessionárias que distribuem gás canalizado; a Comgás, a Gás Brasiliano e a Gás Natural Fenosa, que atenderam, no ano passado, a 1.770 milhões de domicílios, o equivalente a 5 milhões de beneficiados. No total foram distribuídos cerca de 14 milhões de m³ para indústria, comércio, residências, através de 18 mil km de redes em 120 municípios. Indústrias, como as dos setores automotivo e cerâmica consomem 80% do volume de distribuição.”  – diz nota da Assembleia.

O representante da Comgas – Companhia de Gás de São Paulo, Antonio Henrique Costa Gross, anunciou uma parceria com a Eletropaulo para aumentar a eficiência energética no Hospital das Clínicas de São Paulo.

“A parceria está quase fechada. Serão eliminados todos os aparelhos de ar condicionado e será feita uma climatização centralizada. Na hora de pico, onde a energia elétrica é mais cara, será usado o resfriamento a gás … Até pizzarias e padarias estão fazendo a conversão do forno a lenha para o forno a gás o que, segundo Gross, não vai estragar o pãozinho de cada dia dos paulistas, pois continuará crocante.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes