Consumo de álcool no Brasil aumenta 43% em dez anos

Dados revelados pela OMS apontam o estrago que o consumo excessivo e sem controle do álcool produz

ALEXANDRE PELEGI

O consumo de álcool per capita aumentou no Brasil 43,5% em dez anos. Isso significa que os brasileiros conseguiram o recorde negativo de superação da média internacional, que é de 6,4 litros por ano.

Se há dez anos (2006) cada brasileiro maior de 15 anos bebia em média 6,2 litros de álcool puro por ano, em 2016 este índice saltou para 8,9. O recorde às avessas levou o Brasil à incômoda 49ª posição do ranking entre os 193 países avaliados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados revelados pela OMS apontam o estrago que o consumo excessivo e sem controle do álcool produz. A organização estima que 3,3 milhões de pessoas morrem todos os anos pelas consequências da bebida, o que corresponde a quase 6% de todas as mortes no mundo. O álcool é mais letal entre a população jovem, na faixa etária compreendida entre 20 e 39 anos, onde 25% das mortes têm relação direta com a bebida.

Como se não bastasse, os malefícios produzidos pelo álcool impactam diretamente a saúde pública. Pelo levantamento da OMS, a bebida pode causar mais de 200 doenças, incluindo mentais.

NO BRASIL CASAMENTO ENTRE BEBER E DIRIGIR TEM EFEITOS LETAIS

Em abril deste ano uma pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde em capitais brasileiras apontava que 13% dos homens e 2,5% das mulheres admitiam dirigir após ingerir bebidas alcoólicas. Este mesmo número, um ano após a criação da Lei Seca, estava em queda no país: 9,4% para homens e 1,6% para mulheres. ´

É lícito supor que se o consumo de álcool aumentou no país, isso significa que aumentou também o número de pessoas que bebem e dirigem. A Lei Seca não impacta como antes, e a ausência de programas sérios e persistentes de prevenção não predominam

Os dados da OMS chamam atenção, principalmente, para a falta de ações efetivas no país no combate ao consumo de álcool. Especialistas advertem que o Brasil não adota as políticas eficazes que levaram outros países a conseguir sensível redução no consumo. Enquanto na maioria dos países é preciso uma licença específica para a venda de álcool, no Brasil isso inexiste. Bebidas alcoólicas podem ser compradas em padarias, postos de gasolina, sem qualquer controle.

Parafraseando Philip Kotler, pode-se dizer que muitos governantes prestam muita atenção ao custo de fazer alguma coisa, quando deviam preocupar-se mais com os custos de não fazer nada…

Alexandre Pelegi – jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Lyudmila Machado de Lima disse:

    Bem, o álcool é uma droga maldita que destrói famílias, trabalhos, vidas,dinheiro e a saúde mental e física. Agora do que tem de propagandas de bebidas alcóolicas nos outdoors nas principais vias urbanas e rodoviárias pelo Brasil e que de uma maneira mais sutil acaba incentivando os motoristas ao consumo do álcool e que deveria ter leis que proibissem esse absurdo. Muito Grato pela atenção de todos vocês e meus parabéns pelo site que está sensacional, um trabalho sério, profissional e muito útil para todos nós, cidadãos, que vive e depende do transporte público !

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