Grupo coreano se interessa por projeto de trem de passageiros entre Brasília e Goiânia

Grupo A’REX manifestou formalmente interesse no projeto do trem de média velocidade entre Brasília e Goiânia, apenas para transporte de passageiros. Mas pede adaptações na modelagem do empreendimento

ALEXANDRE PELEGI

É um sonho antigo: uma nova ferrovia, chamada de “Transpequi” (ou Expresso Pequi), que ligaria Brasília e Goiânia. No dia 2 de junho de 2016 a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres divulgou os estudos de viabilidade do projeto. O documento previa mais de 40 milhões de passageiros transportados no primeiro ano de operação, hipótese considerada otimista. O custo total do projeto, segundo os estudos, deveria atingir R$ 7 bilhões.

Pois agora o sonho pode se tornar realidade, caso se concretize o interesse do grupo coreano A’REX, braço operador de um consórcio de empresas coreanas que exploram uma linha de média velocidade entre Seul e os aeroportos internacionais.

Pelo estudo original da ANTT, o trem teria um percurso de 207 quilômetros, e rodaria a uma velocidade média de 160 km/h, com a passagem estimada em R$ 60, preço similar à viagem de ônibus expresso. Detalhe: a viagem seria feita em 95 minutos. A mesma viagem, hoje, leva de 45 minutos (em voo direto, descontado o tempo no aeroporto) a 4 horas (de ônibus, com paradas, sem trânsito).

Pelo estudo da ANTT (que custou R$ 5,5 milhões, parcialmente custeados por um contrato com o Banco Mundial), os R$ 7 bilhões seriam repartidos entre os governos federal, do Distrito Federal, de Goiás e parceiros privados.

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Mapa divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para projeto de ferrovia Brasília-Anápolis-Goiânia, em junho/2016; círculos vermelhos marcam estações planejadas (Foto: ANTT/Reprodução)

COREANOS DEMONSTRAM INTERESSE ATRAVÉS DE PPP E PEDEM MUDANÇAS NA MODELAGEM DO EMPREENDIMENTO

O interesse do grupo coreano A’REX foi feito formalmente ao governo brasileiro. Mas para levar a conversa adiante, o grupo pede adaptações na modelagem do empreendimento.

A mais significativa refere-se a um aporte total de cerca de R$ 3 bilhões do setor público. Este valor seria dividido ao longo dos 30 anos de concessão, para garantir a viabilidade econômica à ligação ferroviária para o transporte de passageiros. O investimento total no trem, o que inclui obras civis, material rodante e sistemas de comunicação, estaria pela casa dos R$ 8 bilhões, segundo os coreanos.

Os coreanos apostam na parceria público-privada (PPP), única maneira do projeto se efetivar. O diagnóstico foi apresentado à ANTT, que após ter feito os estudos básicos, abriu agora tomada de subsídios para receber contribuições.

O economista Bernardo Figueiredo, que presidiu a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), atua como consultor dos coreanos no projeto do Transpequi.

TREM TRANSPORTARIA APENAS PASSAGEIROS

Bernardo Figueiredo esteve com o secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos, para falar sobre as sugestões de alterações no projeto.

A primeira delas: o projeto proposto pelo grupo coreano descarta o transporte de cargas. Além disso, prevê duas paradas intermediárias: Anápolis (GO) e Samambaia (DF).

O valor final do bilhete, antes estimado em R$ 60 pela ANTT, na previsão do grupo A’REX gira em torno de R$ 100, na viagem expressa de ponta a ponta.

O trem teria velocidade de 250 km/h (ao invés de 160 km/h). E os coreanos ainda miram em receitas adicionais, como explorar as áreas das estações com atividades comerciais e imobiliárias, de acordo com o que a legislação já permite.

Importante frisar que o governo fracassou em todas as tentativas anteriores de leiloar ferrovias, quando sofreu severas críticas do mercado, o que justificou a falta de interessados nos projetos lançados. Vários modelos foram testados desde o governo Lula, passando por Dilma e agora chegando a Temer, mas nenhum avançou. A malha brasileira continua estagnada em pouco menos de 28 mil quilômetros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. LUIZ CARLOS DIRENZI disse:

    Como já disse a noticia é ótima. O problema e que fazem muitos estudos e o serviço propriamente nunca é implantado. (no caso ai o trem de passageiros). O leito ferroviário ainda existe então façam as devidas melhorias e coloquem os trens para trafegar e pronto.
    Certamente primeiro vão dizer o serviço não será viável ou então que terá que ser feito um novo trajeto (leito) e se de fato isso ocorrer primeiro contrataram uma empresa para executar o serviço certamente superfaturado e com as obras ha longo prazo, que depois enfrentara ações na justiça que ira embargar a obra e o trem propriamente nunca percorrera o trecho, e ainda compraram as composições que ficaram encostadas como já ocorre com outras ferrovias. Vamos aguardar.

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