Depois de condenado a 16 anos, Constantino ainda será julgado por outro crime

Além de condenados por matar Márcio Leonardo de Sousa Brito, Constantino também é acusado de executar Tarciso Gomes Ferreira. Os dois crimes aconteceram em 2001

ALEXANDRE PELEGI

Depois de ser condenado nesta quinta-feira, 11 de maio de 2017, a 16 anos e seis meses de prisão, pela morte do líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, em 2001, o empresário de ônibus e fundador da Gol Linhas Aéreas, Constantino de Oliveira, vai enfrentar novo julgamento.

Além de condenados por matar Márcio Leonardo de Sousa Brito, Constatino e mais três homens são também acusados de executar Tarciso Gomes Ferreira. Os dois crimes, que aconteceram em 2001, têm relação com a disputa de um terreno, segundo o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do Distrito Federal.

Nenê Constantino, Vanderlei Batista (o ex-vereador de Amaralina, em Goiás) e João Alcides Miranda, ex-funcionário do empresário, foram considerados culpados pela morte de Márcio Leonardo. Victor Foresti, genro do fundador da Gol, acabou absolvido por este crime, mas agora responde com os outros pela morte de Tarciso Gomes Ferreira.

As execuções de Tarciso (fevereiro de 2001), e de seu amigo e líder da comunidade, Márcio Leonardo, oito meses depois, teriam acontecido para forçar os moradores que invadiam um terreno a abandonarem a área, segundo denúncias do MPDFT.

O terreno fica na QI 25 de Taguatinga, e nele havia funcionado uma garagem de uma das empresas de ônibus da família Constantino. O terreno estava vazio há anos, e acabou invadido por um grupo de sem-teto, liderado por Márcio Leonardo. Nesse tempo, o terreno acabou vendido por Constantino a uma construtora. Forçar os moradores a abandonarem o terreno já negociado teria sido a grande motivação dos dois assassinatos, segundo o Ministério Público.

No caso da morte de Márcio Leonardo, Constantino foi considerado culpado por homicídio qualificado, por motivo torpe e crime cometido mediante dissimulação, além de ter corrompido duas testemunhas. A pena é de 16 anos e seis meses de reclusão em regime fechado, além de multa de R$ 84 mil. O promotor Bernardo de Urbano vai pedir à Justiça para que a pena seja convertida para cumprimento em regime domiciliar, em função da idade do empresário: 86 anos. Constantino pode recorrer em liberdade.

Alexandre Pelegi – jornalista especializado em transportes

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