Se toda a produção da indústria automotiva fosse de veículos elétricos, impacto sobre consumo de energia seria de apenas 3,3%
Publicado em: 12 de maio de 2017
É o que defende Marcio Massakiti Kubo, coordenador de P&D da Itaipu Binacional, em evento da Associação de Engenharia Automotiva
ADAMO BAZANI
Atualmente, uma das dúvidas em relação à implantação de frotas elétricas no Brasil é se haveria energia suficiente para um volume significativo de carros, ônibus e caminhões com esse tipo de propulsão.
Qual impacto na geração e no fornecimento de energia elétrica se, por exemplo, hoje os 14.700 ônibus municipais da cidade de São Paulo fossem elétricos, seja por bateria ou em rede aérea?
Segundo o engenheiro e coordenador de P&D da Itaipu Binacional, Marcio Massakiti Kubo, o aumento de consumo seria muito pequeno.
“ Nossos estudos indicam que se transformássemos toda a produção de autoveículos – 3,4 milhões de unidades, números de 2011 – em elétricos, o impacto seria um adicional de apenas 3,3% na demanda por energia elétrica do País” – disse na 3ª edição do Seminário de Propulsões Alternativas, promovido pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, realizada no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, que trouxe o tema “Aplicações atuais e futuras das novas propulsões”
De acordo com engenheiro, esse baixo consumo a mais tem como principal explicação a eficiência energética dos atuais modelos de caminhões, carros e ônibus elétricos no Brasil e no mundo. Relativamente esses veículos, na visão do profissional, consomem pouco e a têm aproveitamento energético de ponta a ponta, desde a captação da matéria prima até a tração do veículo, bem melhor do que dos combustíveis fósseis.
“Os motores a combustão, por meio de combustível fóssil, apresentam eficiência energética de apenas 15%, se considerada “do poço à roda”, enquanto os veículos elétricos 40%.”
Na nota a AEA, o engenheiro ainda disse que economicamente, o veículo elétrico no Brasil pode ser mais vantajoso que os de combustível fóssil.
“Se considerarmos ainda que usuário comum de automóvel percorre apenas 54 km/dia, 80% dos veículos podem ser recarregados em casa e que o custo da energia elétrica é de US$ 4 para cada 100 km rodados, o carro elétrico é mais que viável”.
No seminário, que contou com a presença de cerca de 140 profissionais, também foram apresentadas vantagens de outros tipos de tração, como a célula de combustível alimentadas 100% etanol, chamada “E-Bio Fuel Cell System”, o hidrogênio obtido a partir do gás natural ou etanol e o biometano, combustível obtido na composição do lixo.
O subsecretário de Energias Renováveis do Governo do Estado de São Paulo, Antonio Celso de Abreu, disse que Programa Paulista de Biogás (uso veicular) já prevê o uso maior do biometano.
“O Plano Paulista de Energia estabelece políticas públicas capazes de estimular o crescimento econômico com um uso menos intensivo de energia, por meio da eficiência energética, da ampliação do uso de energia renováveis. Dentro deste contexto, o ‘Programa Paulista de Biogás’, por exemplo, determina a adição de um percentual mínimo de biometano ao gás canalizado comercializado no Estado de São Paulo”, disse o subsecretário.
Na visão dos profissionais que participaram, segundo ainda a nota da AEA, “com o fim do Inovar-Auto este ano e a formalização do programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística, a nova política industrial a partir de 2018, as propulsões alternativas tendem a ganhar papel preponderante no setor automotivo brasileiro, assim como já é uma realidade, ainda que em proporções restritas, em mercados mais evoluídos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Da para acreditar? O Brasil nunca foi, não é e não será um pais sério. Já tivemos varias politicas de matrizes e energetísticas para o sistema automobilístico e todos enganaram o consumidor, pois este acreditou no governo e depois teve que arcar com o auto custo, impostos, e falência do sistema .
Muito bom, bem-vindos os veículos elétricos limpos e silenciosos. Entretanto, dizer que 3% (ao ano, bem entendido), quer dizer que no segundo ano, teremos 6% e no terceiro 9% de consumo de energia elétrica pela frota elétrica, e isso é suicidio. Não dá para brincar com esses conceitos. A geração hidrelétrica está saturada, qualquer acréscimo de consumo implica mais uso de gás natural fóssil nas térmicas.
Olimpio Alvares, boa tarde.
De pleno acordo.
“A geração hidrelétrica está saturada.”
Mas isso ninguém que colocar na mesa.
A bússola Brasil não tem ponteiro e o Brasil NÃO TEM Rota, nem pra 2099.
Enquanto isso nem filtro particulados pa JURÁSSICOS querem adotar.
O BRASIL NÃO TEM SOLUÇÃO.
É essa aberração desde 1500.
Abçs,
Paulo Gil
A discussão do Rota 2030, que definirá o Regime Automotivo para os próximos 13 anos, está sendo definida em comissões do MDIC e há a preocupante informação, de que a industria dos veículos elétricos está sendo barrada para participar dessas reuniões, enquanto a Anfavea, que defenderá certamente os motores a combustão e o business as usual, domina as comissões. Não há também qualquer sinal de que o Rota 2030 estabelecerá metas comparáveis com os países desenvolvidos para a redução do CO2 dos veículos leves – e dos pesados, como já ocorre lá fora, só se observa choradeira por parte da indústria que quer que tudo fique como está. Se o Brasil, não entrar nesse processo, ficaremos isolados das tendencias de sustentabilidade na área dos transportes. A discussão do Transporte Público eficiente e otimizado, nem passa perto dessas comissões – por enquanto. Há que haver uma reorientação lá em Brasilia, ou fracassaremos em nossas NDCs (Nationally Determined Contribution), já aprovadas pelo Presidente.
Muito bom, bem-vindos os veículos elétricos limpos e silenciosos. Entretanto, dizer que 3% (ao ano, bem entendido), quer dizer que no segundo ano, teremos 6% e no terceiro 9% de consumo de energia elétrica pela frota elétrica, e isso é suicidio. Não dá para brincar com esses conceitos. A geração hidrelétrica está saturada, qualquer acréscimo de consumo implica mais uso de gás natural fóssil nas térmicas.