Governador do Mato Grosso critica antecessor por escolha de VLT. “Queríamos o BRT”, diz Pedro Taques

Apesar do discurso contrário ao VLT, governador vem empenhando esforços para retomar as obras do modal, que deveria ter sido inaugurado há três anos

ALEXANDRE PELEGI

A escolha do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) como modal de transporte público em Cuiabá e Várzea Grande, incluída como uma das obras de mobilidade para a Copa do Mundo, em 2014, continua movendo a polêmica no estado do Mato Grosso. O governador Pedro Taques não esconde sua contrariedade quanto à escolha que, segundo ele, quebrou o estado, além de quebrar a cara de seus opositores.

Durante evento de inauguração de obras em Várzea Grande ontem (11), o governador do MT disse que lutou contra o VLT na época. “Queríamos o BRT, pois ficaria em R$ 500 milhões e o VLT R$ 1,423 bilhão. É muito dinheiro”, afirmou.

Em 2011 seu antecessor, o então governador Silval Barbosa (PMDB), levou uma comitiva para Portugal para conhecer o projeto. “Já gastaram R$ 1,66 bilhão”, disse Pedro Taques.

RETOMANDO O VLT

Apesar do discurso contrário ao VLT, o governador vem empenhando esforços para retomar as obars do modal, que deveria ter sido inaugurado há três anos. À época a solução do BRT estava orçada em R$ 423 milhões, enquanto o VLT partia de um valor inicial de R$ 1,2 bilhão, além de adicionais R$ 700 milhões do projeto inicial.

Pedro Taques explicou sua posição: “Nós vamos terminar o VLT, pois não podemos deixar R$ 1 bilhão jogados no lixo. Várzea Grande e Cuiabá merecem o VLT. Agora, vamos terminar com responsabilidade, sem jogar o lixo pra baixo do trilho, sem roubar dinheiro do cidadão”, garantiu.

Atualmente, graças ao acordo firmado entre o Governo do Estado e o Consórcio VLT, o sistema custará aos cofres públicos perto de R$ 2 bilhões; deste valor o Estado já pagou R$ 1 bilhão.

Para retomar as obras, paralisadas em 2015, o Governo do MT aguarda a análise dos Ministérios Públicos Federal e Estadual quanto ao acordo firmado entre com o Consórcio VLT, responsável pela obra. O acordo foi fechado em março, e prevê que o Estado se comprometerá a pagar R$ 922 milhões a mais em troca da implantação do VLT em 24 meses.

Conforme divulgamos ontem (11), o Secretário de Estado de Cidades, Wilson Santos, anunciou como sua principal missão retomar as obras do VLT de Cuiabá. Wilson garante que o governo já tem verba de R$ 193,4 milhões para começar as obras, tão logo o governo seja autorizado.

ETAPAS

A primeira etapa das obras do VLT deverá seja entregue em março de 2018, e se refere ao trecho que liga o aeroporto de Várzea Grande à estação do Porto, em Cuiabá. O funcionamento da linha 1, com 15 km, deverá estar pronto até dezembro de 2018.

A linha 2, que liga o trecho de 7,2 km entre a avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha) e o Parque Ohara, no Coxipó, tem previsão de entrega até maio de 2019.

A Justiça Federal estipulou prazo de 25 dias (decisão tomada no dia 5 abril) para que o Ministério Público Federal (MPF) emitisse um parecer sobre o acordo firmado entre o Governo do MT e o Consórcio VLT. Após o parecer positivo do MPF e a autorização da Justiça Federal, aí sim o acordo poderá ser cumprido, e as obras poderão ser retomadas.

Alexandre Pelegi – jornalista especializado em transportes