Marcopolo lança Torino S com ênfase na manutenção e operação

Lançamento ocorre mesmo em situação difícil no mercado de ônibus

ADAMO BAZANI – direto do complexo industrial da Marcopolo, em Xerém, Rio de Janeiro

Foi justamente o momento de dificuldade enfrentado pelo mercado de ônibus urbanos que motivou a Marcopolo a lançar uma nova versão do modelo Torino.

O Marcopolo Torino S (Soluzione) trata-se​ de um desenvolvimento do atual Torino, lançado em 2013/2014.

O principal objetivo foi criar soluções para deixar a manutenção e operação com menores custos, mas sem interferir no conforto.

Entre os diferenciais em relação ao modelo Torino lançado em 2013/2015, que continua em produção, se destacam:

– Faróis traseiros redondos que podem ser trocados separadamente (luz de direção, de ré e lanterna);

– Largura do posto de motorista ampliado em 60 mm;

– Acionamento de abertura de portas com válvula lateral;

– Maior largura externa, 2.550 mm;

– Maior largura interna, 2.480 mm;

– Vidros de todas as portas iguais, para facilitar troca e estoque;

– Saia (parte inferior) reta. Na atual geração ela é arredondada. Isso, segundo a Marcopolo, reduz custos com funilaria;

– Sinaleiras e faróis dianteiros redondos e intercambiáveis;

– Ar condicionado com dutos até o painel frontal;

– Para-choque traseiro dividido em três partes. A placa da traseira é afixada acima do para-choque;

– Possibilidade de entrega em 30 dias. Os modelos atuais variam entre 60 e 90 dias.

marcopolo_traseira_lateral

marcopolo_frente_sinaleira

marcopolo_traseira_sinaleira

De acordo com o diretor de operações comerciais da Marcopolo, Paulo Corso, o modelo em si não é mais barato que o Torino atual para aquisição, mas a estimativa é que ao longo da operação e vida útil, o custo de manutenção pode ficar entre 5% e 10% menor que o custo do modelo atual nas mesmas versões, dependendo das condições de operação.

O Torino S será encarroçado somente nos chassis MAN Volkswagen 15.190 OD e 17.230 OD e da Mercedes-Benz​ OF 1519, OF 1721 e OF 1721L.

Para estes modelos são dez configurações e os comprimentos variam entre 11,2 m e 13,2 m.

De acordo com Paulo Corso, hoje são várias as dificuldades no segmento urbano, como as indefinições em relação às tarifas (muitas cidades com novos prefeitos congelaram o valor das passagens), licitações travadas e a dificuldade de créditos para a compra de veículos novos.

O Refrota 17, programa de renovação de frota de ônibus urbanos com recursos do FGTS, anunciado oficialmente em dezembro do ano passado pelo Governo Federal, ainda não decolou.

Mas Paulo Corso se diz otimista.

“Havia entraves, burocracia e exigências não compatíveis com a realidade, como o pedido da Caixa Econômica Federal para que os ônibus tivessem seguro total. Isso deixaria a situação impraticável pelo custo. Fizemos umas 25 reuniões e a coisa agora deve andar nos próximos dias”.

100 MARCOPOLO TORINO PARA A CAPITAL PAULISTA

Paulo Corso também revelou que depois de vários anos sem ter presença na capital paulista, nos próximos meses a cidade de São Paulo terá Marcopolo Torino em operação.

São em torno de cem unidades do atual Torino em produção que devem circular em empresas do subsistema local (ex cooperativas).
A renovação ocorre prestes do lançamento do edital de licitação do sistema como um todo.

O mercado de cooperativas, de alimentadores e subsistemas locais, invisíveis para a indústria há cinco anos, agora desperta atenção da indústria.
Este segmento está no radar da Marcopolo também, inclusive para o Torino S.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

FotoTorino atual (esquerda) e Torino S (branco). Design parecido, mas com diferenças funcionais

MARCOPOLO_ANTIGO_NOVO