Ônibus com energia solar terá aplicativo que permite reserva de assentos

ônibus energia Slaar O laboratório Fotovoltaica UFSC gera eletricidade suficiente para todas as suas atividades, inclusive o abastecimento do ônibus elétrico. Um excedente ainda é cedido à rede pública para alimentar o campus universitário na Trindade. (Foto: Todd Southgate / Matéria: Adamo Bazani)

Com isso, conceito de deslocamento produtivo deve avançar mais uma etapa

ADAMO BAZANI

Imagine antes de pegar o ônibus para ir trabalhar, por meio de celular, você conseguir reservar o assento igual acontece com as viagens aéreas?  É justamente isso que quer testar a Universidade Federal de Santa Catarina, no conceito de deslocamento produtivo, durante os testes de um ônibus que funciona com energia elétrica gerada a partir de uma estação de energia solar.

O veículo foi desenvolvido em uma parceria entre a Eletra, de São Bernardo do Campo, responsável pelos equipamentos e integração da tração elétrica, Mercedes-Benz, que fez o chassi, Marcopolo, produtora da carroceria, WEG, que fez o motor elétrico e Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica UFSC).

O ônibus começou a fazer o trajeto entre o Campus principal da universidade e o Sapiens Parque em dezembro do ano passado. São cinco viagens por dia e até o momento já foram percorridos 10 mil quilômetros.

Na próxima semana, o ônibus deve passar por uma revisão geral, quando deve ser feita a primeira avaliação do desempenho e consumo do veículo.

A universidade possui um laboratório de energia solar onde há uma estação que transforma esta energia em eletricidade para recarga diária das baterias do ônibus, além de atender 80% do consumo dos prédios do Campus. Ainda há sobra de energia, que é cedida para a distribuidora do estado.

O veículo não faz parte apenas de um projeto ambiental, mas de novos conceitos de mobilidade urbana, segundo a Universidade. Entre estes conceitos, está o de deslocamento produtivo, que consiste em permitir que o passageiro já consiga iniciar parte do seu trabalho durante o trajeto. O ônibus possui wi-fi, mesinhas para notebook e tomadas para carregar as baterias de computadores portáteis e celulares.

O aplicativo é visto como mais um passo dentro desse conceito de deslocamento produtivo, que pode atrair uma demanda que hoje não utiliza habitualmente o transporte público.

Após o lançamento do aplicativo, o serviço de deslocamento será oferecido com horários regulares a todos os estudantes, docentes e técnicos-administrativos em Educação da Universidade.

Em nota, a Universidade explica como é a geração de energia do veículo:

Toda a eletricidade gerada no laboratório pelos sistemas fotovoltaicos instalados atende ao consumo dos prédios e às recargas do ônibus, com sobra, que é enviada por meio da rede elétrica das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) para ser consumida no campus central da UFSC. Nas simulações feitas pela Fotovoltaica, estima-se que a geração de eletricidade atenda a cerca de 80% do consumo das edificações e das recargas do e-Bus, na base anual, com 20% sendo mandado pela rede da Celesc para o campus da UFSC na Trindade.

O ônibus é parte de um projeto de deslocamento produtivo, com veículos elétricos alimentados por energia solar fotovoltaica – é um ambiente de trabalho, com poltronas confortáveis (somente transporta passageiros sentados), duas mesas de reunião, tomadas 220V e USB, ar-condicionado e rede wi-fi UFSC. Assim, durante o deslocamento entre o campus UFSC Trindade e o Sapiens Parque, realizado em cerca de 30 minutos, os usuários têm um ambiente de trabalho como se estivessem em uma sala da Universidade.

O projeto contou com financiamento de R$ 1 milhão pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e tem parcerias com as empresas WEG, Marcopolo, Mercedes Benz e Eletrabus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes