Corredor Transolímpica sofre com atraso de obras e concorrência de clandestinos

Após oito meses do início de operação, o BRT Transolímpica, projetado para transportar 70 mil passageiros/dia segundo sados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), hoje transporta cerca de 29 mil passageiros/dia

ALEXANDRE PELEGI

Passados os dois megaeventos da Copa e Olimpíadas, que prometiam mudar a cara do Rio de Janeiro, uma dura realidade, aliada à crise em que o estado mergulhou, vem à tona.

O setor de transportes urbanos atravessa uma de suas piores fases na história, com empresas fechando e a disputa judicial em torno da tarifa, congelada desde janeiro de 2015, prometendo piorar ainda mais o cenário.

Outro dado dessa trágica história está no sistema BRT. O BRT Transolímpica, que liga a Vila Militar à Barra da Tijuca, teve um custo de R$ 2,2 bilhões, e foi entregue em julho de 2016 para operar já a partir da Olimpíada. Após oito meses do início de operação, o BRT Transolímpica, projetado para transportar 70 mil passageiros/dia segundo sados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), hoje transporta cerca de 29 mil passageiros/dia.

Em outubro do ano passado o então secretário de Transportes, Alexandre Sansão, prometia que até dezembro daquele ano o BRT alcançaria 50 mil passageiros dia. Apesar do otimismo do então secretário, ele transporta hoje menos da metade dos passageiros, muito menos ainda se tomarmos por base a projeção inicial para o sistema em plena operação.

Sofrendo com a crise em que mergulhou o Estado do Rio de Janeiro, o BRT sofre com obras atrasadas, que poderiam despejar passageiros no corredor. Com 26 km de extensão ele deveria seguir até Deodoro. Mas o atraso de duas obras importantes – do BRT Transbrasil e do terminal em Deodoro, que ligaria os dois corredores à estação de trem da SuperVia, os ônibus do Transolímpica chegam apenas até a Vila Militar.

O terminal em Deodoro, com custo estimado em R$ 115 mil, não chegou sequer a ser licitado. Mais um obstáculo para levar passageiros ao corredor Transolímpica.

Consórcio culpa também a concorrência dos clandestinos

Para explicar parte da falta de passageiros no setor, além dos atrasos nas obras do sistema todo, o Consórcio BRT tem outra explicação. Juntou-se á crise econômica a concorrência provocada pelas vans irregulares na Zona Oeste, o que provocou queda no movimento em todos os três corredores BRT existentes na cidade.

No caso do Corredor Transolímpica, o Consórcio acredita que o atraso nas obras do Transbrasil e do Terminal de Deodoro realmente é um fator determinante, além da crise e da concorrência desleal do transporte clandestino.

Sem conexão, o corredor Transolímpica sofre muito, pois só recebe alimentação de ônibus vindos dos bairros ao longo da Avenida Brasil, no sentido Zona Oeste-Centro. “A ligação inversa não existe”, aponta Suzy Ballousier, diretora de Relações Institucionais do consórcio BRT.

Prefeitura: a culpa é do consórcio

Para a Prefeitura do Rio a culpa está na tarifa alta dos ônibus articulados, somada à gestão do próprio consórcio operador do sistema.

Em nota a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) afirma que “o custo de operação do BRT foi reduzido em 31% no Rio de Janeiro, assim como ocorreu em Bogotá, na Colômbia. A diferença é que lá esta redução foi repassada para a tarifa, e a demanda aumentou. A passagem chegou a ficar mais barata do que os ônibus convencionais que faziam o mesmo percurso. Aqui isso não aconteceu”.

Na briga entre prefeitura e Consórcio, hoje na Justiça, o Consórcio BRT cobra os cálculos comprovando a suposta redução de 31% no custo da operação no sistema BRT na cidade.

Comparação

Apenas para efeito de comparação entre Corredores BRT no Rio de Janeiro:

Transolímpica = transporta 28.936 passageiros/dia

Transoeste Jardim Oceânico = transporta 58.465 passageiros/dia

Transoeste Alvorada – Santa Cruz = transporta 131.504 passageiros/dia

Transcarioca = transporta 150.296 passageiros/dia

O Consórcio BRT, responsável pelas operações dos corredores de ônibus no Rio de Janeiro, contestou a afirmação do secretário municipal de transportes, Fernando Mac Dowell que ligou a queda no número de passageiros ao valor da tarifa.

A afirmação foi à imprensa do Estado, quando o secretário comentou os dados sobre a  demanda do BRT Transolímpica, que hoje é menor do que o projetado quando o sistema foi inaugurado.

O BRT Transolímpica, que liga a Vila Militar à Barra da Tijuca, teve um custo de R$ 2,2 bilhões, e foi entregue em julho de 2016 para operar já a partir das Olimpíadas. Após oito meses do início de operação, o corredor, projetado para transportar 70 mil passageiros/dia, segundo sados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), hoje atende a cerca de 29 mil passageiros/dia.

Em nota, o consórcio afirmou que Mac Dowell “mostra mais uma vez que desconhece o sistema de corredores exclusivos de ônibus do Rio de Janeiro”. As empresas também querem que a prefeitura comprove a alegação de que os corredores de ônibus trouxeram 31% de redução de custos do sistema. As viações também criticam a comparação com o sistema de Bogotá, onde, segundo elas, há punições mais severas para atos de vandalismo e policiamento mais intenso para proteger passageiros, motoristas e patrimônio. Confira:

O secretário municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, ao fazer a afirmação acima, mostra mais uma vez que desconhece o sistema de corredores exclusivos de ônibus do Rio de Janeiro, cidade onde ele é gestor público da área de mobilidade. Desde a implantação do Transolímpica, não houve alteração do valor da tarifa e tampouco se chegou perto do número de passageiros projetados e divulgados pela gestão anterior, que era de 70 mil/dia. Logo, creditar a queda de passageiros ao preço da passagem é subestimar a capacidade da população de entender sobre a realidade dos fatos.

O BRT Rio espera que o secretário venha a público apresentar os cálculos que comprovem que houve redução de 31% do custo da operação no sistema BRT, até para que tal afirmação não se configure como uma tentativa de induzir a população a acreditar em informações inverídicas. Já foi apresentado ao senhor Mac Dowell, em reuniões e também em recente audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, documentos que comprovam que ainda não é possível sequer pagar os investimentos feitos pelas empresas do Consórcio para colocar os articulados em circulação. O secretário sabe que os custos com vandalismo e calote nas estações e terminais, por exemplo, custam ao BRT Rio mais de R$ 3 milhões por ano. É de conhecimento dele também que o setor o opera com suas contas no vermelho, abaixo da sua capacidade financeira, e com déficit mensal de cerca de R$ 5 milhões.

Sobre Bogotá, importante lembrar ao secretário que lá, de acordo com o novo Código de Polícia, que entrou em vigor no fim de janeiro, há multas para ações de vandalismo e calote, entre outras situações, praticadas nas estações e articulados do Transmilênio. Também há nessa via expressa uma polícia que atua exclusivamente ao longo do corredor e, no caso da tarifa, houve reajuste este ano e os valores são diferenciados, sem gratuidade (a exceção é para crianças de até 3 anos). Portanto, já que o secretário citou o transporte de alta capacidade colombiano, o Consórcio aguarda iniciativas parecidas para sistema do Rio, entre elas o reajuste da passagem de ônibus, como determina o contrato, e o uso da Guarda Municipal para ajudar na segurança dos passageiros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Corredor Transolímpica sofre com atraso de obras e concorrência de clandestinos

  1. Na página do BRT Rio, muitos passageiros reclamam de atrasos, altos intervalos em algumas linhas, ar condicionados que não da vazão e a grande quantidade de caloteiros.

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  1. Empresa responsável pelo transporte em Suzano sofre com clandestinos – Diário do Transporte

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