Corredor Transolímpica sofre com atraso de obras e concorrência de clandestinos
Publicado em: 7 de maio de 2017
Após oito meses do início de operação, o BRT Transolímpica, projetado para transportar 70 mil passageiros/dia segundo sados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), hoje transporta cerca de 29 mil passageiros/dia
ALEXANDRE PELEGI
Passados os dois megaeventos da Copa e Olimpíadas, que prometiam mudar a cara do Rio de Janeiro, uma dura realidade, aliada à crise em que o estado mergulhou, vem à tona.
O setor de transportes urbanos atravessa uma de suas piores fases na história, com empresas fechando e a disputa judicial em torno da tarifa, congelada desde janeiro de 2015, prometendo piorar ainda mais o cenário.
Outro dado dessa trágica história está no sistema BRT. O BRT Transolímpica, que liga a Vila Militar à Barra da Tijuca, teve um custo de R$ 2,2 bilhões, e foi entregue em julho de 2016 para operar já a partir da Olimpíada. Após oito meses do início de operação, o BRT Transolímpica, projetado para transportar 70 mil passageiros/dia segundo sados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), hoje transporta cerca de 29 mil passageiros/dia.
Em outubro do ano passado o então secretário de Transportes, Alexandre Sansão, prometia que até dezembro daquele ano o BRT alcançaria 50 mil passageiros dia. Apesar do otimismo do então secretário, ele transporta hoje menos da metade dos passageiros, muito menos ainda se tomarmos por base a projeção inicial para o sistema em plena operação.
Sofrendo com a crise em que mergulhou o Estado do Rio de Janeiro, o BRT sofre com obras atrasadas, que poderiam despejar passageiros no corredor. Com 26 km de extensão ele deveria seguir até Deodoro. Mas o atraso de duas obras importantes – do BRT Transbrasil e do terminal em Deodoro, que ligaria os dois corredores à estação de trem da SuperVia, os ônibus do Transolímpica chegam apenas até a Vila Militar.
O terminal em Deodoro, com custo estimado em R$ 115 mil, não chegou sequer a ser licitado. Mais um obstáculo para levar passageiros ao corredor Transolímpica.
Consórcio culpa também a concorrência dos clandestinos
Para explicar parte da falta de passageiros no setor, além dos atrasos nas obras do sistema todo, o Consórcio BRT tem outra explicação. Juntou-se á crise econômica a concorrência provocada pelas vans irregulares na Zona Oeste, o que provocou queda no movimento em todos os três corredores BRT existentes na cidade.
No caso do Corredor Transolímpica, o Consórcio acredita que o atraso nas obras do Transbrasil e do Terminal de Deodoro realmente é um fator determinante, além da crise e da concorrência desleal do transporte clandestino.
Sem conexão, o corredor Transolímpica sofre muito, pois só recebe alimentação de ônibus vindos dos bairros ao longo da Avenida Brasil, no sentido Zona Oeste-Centro. “A ligação inversa não existe”, aponta Suzy Ballousier, diretora de Relações Institucionais do consórcio BRT.
Prefeitura: a culpa é do consórcio
Para a Prefeitura do Rio a culpa está na tarifa alta dos ônibus articulados, somada à gestão do próprio consórcio operador do sistema.
Em nota a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) afirma que “o custo de operação do BRT foi reduzido em 31% no Rio de Janeiro, assim como ocorreu em Bogotá, na Colômbia. A diferença é que lá esta redução foi repassada para a tarifa, e a demanda aumentou. A passagem chegou a ficar mais barata do que os ônibus convencionais que faziam o mesmo percurso. Aqui isso não aconteceu”.
Na briga entre prefeitura e Consórcio, hoje na Justiça, o Consórcio BRT cobra os cálculos comprovando a suposta redução de 31% no custo da operação no sistema BRT na cidade.
Comparação
Apenas para efeito de comparação entre Corredores BRT no Rio de Janeiro:
Transolímpica = transporta 28.936 passageiros/dia
Transoeste Jardim Oceânico = transporta 58.465 passageiros/dia
Transoeste Alvorada – Santa Cruz = transporta 131.504 passageiros/dia
Transcarioca = transporta 150.296 passageiros/dia
O Consórcio BRT, responsável pelas operações dos corredores de ônibus no Rio de Janeiro, contestou a afirmação do secretário municipal de transportes, Fernando Mac Dowell que ligou a queda no número de passageiros ao valor da tarifa.
A afirmação foi à imprensa do Estado, quando o secretário comentou os dados sobre a demanda do BRT Transolímpica, que hoje é menor do que o projetado quando o sistema foi inaugurado.
O BRT Transolímpica, que liga a Vila Militar à Barra da Tijuca, teve um custo de R$ 2,2 bilhões, e foi entregue em julho de 2016 para operar já a partir das Olimpíadas. Após oito meses do início de operação, o corredor, projetado para transportar 70 mil passageiros/dia, segundo sados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), hoje atende a cerca de 29 mil passageiros/dia.
Em nota, o consórcio afirmou que Mac Dowell “mostra mais uma vez que desconhece o sistema de corredores exclusivos de ônibus do Rio de Janeiro”. As empresas também querem que a prefeitura comprove a alegação de que os corredores de ônibus trouxeram 31% de redução de custos do sistema. As viações também criticam a comparação com o sistema de Bogotá, onde, segundo elas, há punições mais severas para atos de vandalismo e policiamento mais intenso para proteger passageiros, motoristas e patrimônio. Confira:
O secretário municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, ao fazer a afirmação acima, mostra mais uma vez que desconhece o sistema de corredores exclusivos de ônibus do Rio de Janeiro, cidade onde ele é gestor público da área de mobilidade. Desde a implantação do Transolímpica, não houve alteração do valor da tarifa e tampouco se chegou perto do número de passageiros projetados e divulgados pela gestão anterior, que era de 70 mil/dia. Logo, creditar a queda de passageiros ao preço da passagem é subestimar a capacidade da população de entender sobre a realidade dos fatos.
O BRT Rio espera que o secretário venha a público apresentar os cálculos que comprovem que houve redução de 31% do custo da operação no sistema BRT, até para que tal afirmação não se configure como uma tentativa de induzir a população a acreditar em informações inverídicas. Já foi apresentado ao senhor Mac Dowell, em reuniões e também em recente audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, documentos que comprovam que ainda não é possível sequer pagar os investimentos feitos pelas empresas do Consórcio para colocar os articulados em circulação. O secretário sabe que os custos com vandalismo e calote nas estações e terminais, por exemplo, custam ao BRT Rio mais de R$ 3 milhões por ano. É de conhecimento dele também que o setor o opera com suas contas no vermelho, abaixo da sua capacidade financeira, e com déficit mensal de cerca de R$ 5 milhões.
Sobre Bogotá, importante lembrar ao secretário que lá, de acordo com o novo Código de Polícia, que entrou em vigor no fim de janeiro, há multas para ações de vandalismo e calote, entre outras situações, praticadas nas estações e articulados do Transmilênio. Também há nessa via expressa uma polícia que atua exclusivamente ao longo do corredor e, no caso da tarifa, houve reajuste este ano e os valores são diferenciados, sem gratuidade (a exceção é para crianças de até 3 anos). Portanto, já que o secretário citou o transporte de alta capacidade colombiano, o Consórcio aguarda iniciativas parecidas para sistema do Rio, entre elas o reajuste da passagem de ônibus, como determina o contrato, e o uso da Guarda Municipal para ajudar na segurança dos passageiros.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Na página do BRT Rio, muitos passageiros reclamam de atrasos, altos intervalos em algumas linhas, ar condicionados que não da vazão e a grande quantidade de caloteiros.