Ex-ministros do Esporte vão depor na ação sobre VLT de Cuiabá

CPI da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que investigou irregularidades nas obras do VLT, aprovou o relatório final, apontando desvio de R$ 541 milhões

ALEXANDRE PELEGI

Os dois ex-ministros do Esporte do governo Dilma, Orlando Silva e Aldo Rebelo, serão ouvidos em ação do Ministério Público Federal (MPF/MT) que investiga irregularidades na escolha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) como o modal de transporte da Grande Cuiabá para a Copa de 2014.

Orlando e Aldo foram arrolados como testemunhas do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Os ministérios públicos Federal e do Estado (MPF e MPE) moveram ação de indenização por danos morais coletivos. No dia 26 de abril a CPI da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que investigou irregularidades nas obras do VLT, aprovou o relatório final, apontando desvio de R$ 541 milhões. Atualmente as obras estão paradas.

Ainda não há data para as oitivas dos ex-ministros. Eles poderão testemunhar pessoalmente ou por videoconferência.

CPI

A CPI das Obras da Copa do Mundo FIFA 2014, criada pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso, aprovou em sessão ordinária o relatório final, sem alterações, no último dia 26 de abri. Criada em 2015, a CPI durou quase dois anos, e nesse período investigou possíveis irregularidades nas obras do VLT que ligaria os municípios de Cuiabá e Várzea Grande.

O presidente da CPI das Obras, Oscar Bezerra (PSB), deixou claro que a comissão jamais foi contrária à conclusão do VLT. O relatório, ele alega, aponta o reinício imediato das obras. O motivo apontado pelo deputado é o valor já gasto pelo Estado no modal, que ultrapassa R$ 1 bilhão.

Para o secretário licenciado de Estado das Cidades (Secid), o deputado Wilson Santos (PSDB), a continuidade das obras com o atual consórcio do VLT sairá mais barato para os cofres públicos. Os valores finais estão estimados em R$ 922 milhões. Já para o deputado Oscar Bezerra contesta a continuidade das obras com o consórcio VLT, “pelos vícios que possui”, ele alega.

A posição da oposição, verbalizada pelo deputado Zeca Viana (PDT), é de que o levantamento feito pela CPI constatou que o consórcio do VLT tem que devolver dinheiro ao Estado (cerca de R$ 300 milhões), já que não concluiu as obras e está recebendo mais do que entregou até aqui.

Cadeia

O ex-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), está preso preventivamente desde setembro de 2015 no Centro de Custódia de Cuiabá. Ele é acusado de chefiar um esquema de desvio de dinheiro quando governava o estado. O caso, investigado pela Delegacia Fazendária, está no âmbito da operação Sodoma.

Também são réus o Consórcio VLT, responsável pela obra, o ex-secretário da Copa, Maurício Guimarães, e cinco construtoras.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes