Prefeitura promete aumentar tempo semafórico para travessia

Administração está na campanha de segurança no trânsito “Maio Amarelo”. Morte de pedestres cresceu na cidade

ALEXANDRE PELEGI

O mês de março trouxe notícias ruins para os pedestres da capital.

No mês, os atropelamentos fatais na cidade subiram 50%, dados do Infosiga, banco de dados do governo Alckmin. Enquanto em 2016 morriam 28 pedestres,  este número saltou para 42 no mesmo período deste ano.

Aproveitando o “Maio Amarelo”, a sede da Secretaria de Transportes “vestiu-se” com um enorme laço de fita, símbolo do movimento. E como medida de impacto, o secretário Sergio Avelleda anunciou que pretende aumentar em 20% o tempo de travessia para pedestres programados nos semáforos da cidade.

Após anunciar a intenção, a administração municipal afirmou que o aumento médio no tempo semafórico para pedestres acontecerá nos “principais cruzamentos da cidade”, mas não informou quantos semáforos, bem como qual o prazo para o anúncio tornar-se prática. Mirando na insatisfação de movimentos sociais e cidadãos, a prefeitura tenta atender a uma das maiores reclamações: o tempo curto para atravessar a rua, uma das inúmeras reclamações de quem anda a pé pela capital.

O Arquiteto Jan Gehl, ao ver recentemente um semáforo na Faria Lima piscando a luz verde, apelidou o aparelho de “corra, mamãe”, numa alusão à pressa imposta aos pedestres para que desocupem rapidamente as ruas para os carros…

Como todo programa precisa de um nome e um slogan, tradição nas administrações brasileiras, o programa anunciado ontem leva a alcunha de “Pedestre Seguro”. Resta saber se ele será uma repetição de medidas exercitadas em seguidas administrações, todas parecidas, ao mesmo tempo que interrompidas na troca de gestões. Quem não se lembra do Programa de Proteção ao Pedestre, que teve bons resultados na gestão Kassab, interrompido na gestão Haddad?

O secretário municipal de Transportes, Sérgio Avelleda, promete realizar uma auditoria para encontrar pontos perigosos para pedestres nos corredores de ônibus. Interessante notar que as administrações anteriores já realizaram auditorias semelhantes, com detecção de pontos graves nos corredores. Os motoristas de ônibus passaram inclusive por cursos com especialistas para lidar não só com pedestres, mas com ciclistas.

Mas a questão do aumento das velocidades nas marginais continua um tabu. O secretário Avelleda, quando questionado sobre os aumentos de acidentes nas marginais, respondeu afirmando que não haver nenhuma evidência de que o aumento da velocidade seja a causa dos acidentes.

 

A prefeitura já encontrou um culpado pelo aumento da acidentalidade nas marginais: os motociclistas – sete morreram neste ano apenas nas marginais. A solução: a partir de 13 maio eles serão proibidos de circular  na faixa central da marginal Tietê, entre 22h e 5h.

Além do movimento Maio Amarelo, especialistas apontam a importância de manter os compromissos assumidos com a Década de Ação pela Segurança do Transito da ONU, lançada em maio de 2011. Um balanço realista dos avanços e retrocessos na segurança do trânsito em São Paulo também é tido como fundamental
Alexandre Pelegi