PM divulga aumento de 56% em acidentes nas marginais e Prefeitura amplia restrição a motociclistas. Atropelamentos explodem no resto da capital

 

Cobertor curto: concentração de fiscalização nas marginais não reduz acidentes, e retira fiscais das ruas e bairros aumentando atropelamentos letais

ALEXANDRE PELEGI

A Polícia Militar divulgou oficialmente na tarde desta quinta-feira (27) que o total de acidentes com vítimas (mortas ou feridos) subiu de 234 casos entre janeiro e março de 2016 para 367 no primeiro trimestre deste ano, aumento de 56%. Pelos dados da PM, pouco mais da metade foi registrada na Marginal do Pinheiros, sendo que 4 de cada 10 acidentes aconteceram pela manhã, entre 6 e 12 horas.

A Prefeitura reagiu e decidiu ampliar a restrição a motociclistas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros a partir de maio. Proibidas de circular nas pistas expressas, agora elas também não poderão circular nas pistas centrais, mas somente no período noturno (das 22 às 5 horas).

O número mais expressivo, que ocasionou o anúncio da prefeitura, foi o dado que atesta que 78% do total dos atendimentos realizados pela PM tinham o envolvimento de motocicletas.

Apenas os acidentes com motos tiveram crescimento de 67% no primeiro trimestre, na comparação com os primeiros três meses do ano passado – saltando de 172 para 288 casos. No caso dos atropelamentos, o número de ocorrências dobrou, passando de 5 para 10.

A PM divulgou as estatísticas ao mesmo tempo em que informou a realização de uma série de blitze nas pistas das duas Marginais. As ações teriam início no fim da noite desta quinta e seriam realizadas em 11 pontos das Marginais, ampliando a fiscalização da Lei Seca.

Motos

A restrição às motos começa em maio, mas ainda sem data definida. A prefeitura alega que as duas pistas terão de passar ainda por mudanças de sinalização.

Por meio de nota a CET informou que “a medida visa a reduzir acidentes e garantir a segurança dos motociclistas, que estão presentes em 80% dos acidentes com vítimas”. E para preservar a promessa eleitoral de Doria, a CET informa repetidamente que “desde a implantação do programa Marginal Segura, a (Secretaria Municipal de Transportes) tem focado em ações de segurança, sinalização e educação de trânsito. Com a nova determinação, as motos passam a ser obrigadas a circular apenas pela pista local no horário estabelecido.”

Mas os especialistas continuam contestando o aumento da velocidade nas vias das marginais Pinheiros e Tietê. O engenheiro de trânsito Horácio Augusto Figueira explica que um carro a 60 km/h é capaz de gerar acidente com força 44% maior do que a de um carro a 50 km/h – considerando os limites atual e antigo nas pistas locais das Marginais.

Atropelamentos: especialistas ligam aumento de velocidade nas marginais ao aumento da violência do trânsito no resto da capital

Mais um dado anunciado ontem veio colocar em xeque a política de segurança viária na capital. Desta vez a fonte é o Infosiga, banco de dados do Governo do Estado de SP, que informou que o número de pedestres mortos por atropelamentos na capital aumentou 30% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2016. Os dados podem ser uma demonstração de que o cobertor do modelo de segurança viária de Doria está curto: no esforço concentrado de cobrir as marginais acaba reduzindo a fiscalização nas ruas e bairros do restante da capital.

Considerando apenas fevereiro e março, o porcentual de aumento dos atropelamentos é maior, 48%, com os atropelamentos saltando de 54 para 80. Em janeiro o total de ocorrências havia caído de 26 no ano passado para 24 neste ano (lembrando que até o dia 25 de janeiro os limites de velocidade nas marginais ainda não haviam sido aumentados).

Os dados do Infosiga mostram que nenhum atropelamento fatal aconteceu nas Marginais. Apesar disso, estudiosos ligados à área de transporte afirmam que as mudanças técnicas têm sim relação com o aumento das mortes, mesmo sem o registro de casos diretos, o que obviamente a Prefeitura nega.

Segundo os estudiosos, o cobertor é curto. O engenheiro Horacio Figueira afirmou ao jornal O Estado de SP que “houve um aumento da presença de agentes nas Marginais e uma redução de fiscalização fora dela”. Horácio presta consultoria para o Infosiga.

“Você vê menos agentes de trânsito nos bairros, especialmente fiscalizando a atitude dos motociclistas e infrações como mudanças de faixa e falar ao celular enquanto dirige”, disse o consultor.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes