Sem integração, Linha 4 do metrô do Rio fica longe de demanda prevista

 

Estudos técnicos de demanda do governo estadual previam que a Linha 4 transportaria 300 mil usuários/dia; a realidade é bem outra: média diária mal chega a 140 mil usuários/dia

ALEXANDRE PELEGI

Andar de Metrô no Rio é como em qualquer outra cidade: mais rápido e mais confortável. Mas quando há outras opções de mobilidade mais baratas, o bolso fala mais alto. Esta é a situação de muitos cariocas, que estão preferindo despender mais tempo embarcando em diferentes linhas de ônibus para economizar um dinheiro que está cada vez mais escasso no bolso do brasileiro.

Este é o quadro atual da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, cuja construção consumiu mais de R$ 10 bilhões e foi projetada com seis estações. Atualmente cinco estão operando: Jardim Oceânico (Barra da Tijuca), São Conrado, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz (Ipanema). Falta a estação Gávea, cujo custo da obra é estimado em R$ 500 milhões, e até agora não saiu do papel.

O estudo de viabilidade da Linha 4 realizado em 2011 pelo Governo do Estado do Rio usava um cenário que previa integração tarifária entre modais, e não apenas com o BRT. Ou seja: esperava-se que 65% dos usuários alcançassem o metrô por meio de outros tipos de transporte. Além de hoje a integração não existir, o que o plano também não previu foi que as obras da prefeitura no Elevado do Joá, que aumentou a capacidade da via em mais de 40 mil carros, diminuiu bastante um dos principais gargalos da ligação da Barra-Zona Sul. Se dá pra ir de carro, por que então usar o Metrô?

No modelo atual, com metrô, mas sem integração, a ineficiência impera no sistema de transporte público da Barra. Restou então, pelo menos por ora e enquanto outras medidas não são tomadas, tentar atrair o passageiro de outras maneiras. Desde a semana passada a Linha 4 resolveu oferecer viagens grátis para quem embarcasse no trecho que liga Ipanema à Barra. A chance de viajar de graça termina neste domingo.

Os estudos técnicos de demanda do governo estadual previam que a Linha 4 transportaria perto de 300 mil usuários/dia no primeiro ano de operação. O que se vê é bem diferente: antes da promoção de viagens gratuitas, a média diária atingia 140 mil usuários/dia, menos da metade do esperado.

Em entrevista ao jornal Extra, do Rio de Janeiro, o engenheiro de transportes e professor da PUC, José Eugênio Leal, põe o dedo na ferida: “O cenário mostra que faltou planejamento integrado entre os projetos de mobilidade da prefeitura e do governo do estado. O desafio, agora, é estimular a integração entre os modais. É preciso evitar medidas que estimulem ainda mais o uso de automóveis. No entanto, a prefeitura já anunciou o interesse de fazer parcerias público-privadas para construir grandes garagens subterrâneas”, ele observa.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Sem integração, Linha 4 do metrô do Rio fica longe de demanda prevista

  1. Enquanto isso o BRT Transcarioca e Transoeste superlotados, 250.000 e 300.000 passageiros respectivamente.

    https://m.youtube.com/watch?v=ShAXgdZA45s

    • Daniel Duarte, boa noite.

      Muito legal o video, obrigado por compartilhar.

      Mas o importante e que o “cabritinho” ultrapassa o BRT pela direita em em mais de uma vez.

      Obras faraonicas, foi por causa delas que o RJ faliu ????

      Mas afinal estas obras e o BRT sao so beleza arquitetonica ou sao uteis hoje ???

      Abcs,

      Paulo Gil

  2. Amigos, boa noite.

    O adesivo do trem foi impresso erroneamente.

    O correto e:

    “BEN VINDOS AO PAIZ DO FAZ DE CONTA$$$$$.

    Falta de planejamento nada, o caixa 2 foi precisamente calculado para ser lucrativo.

    O Codigo Penal, explica, basta acessa-lo pela Internet.

    Mas…

    Att,

    Paulo Gil

  3. Paulo Gil, boa tarde.
    Sobre o metrô ao custo faraônico de 10 bilhões de reais, para essa merreca de passageiros, achei que foi obra para inglês ver, pois sem integração não há demanda é claro, sem falar que esse metrô foi feito em área nobre, ricos não andam de transporte coletivo, enquanto onde realmente teria demanda, na avenida Brasil, estão construindo outro BRT, para ainda mais superlotação.
    Esse planejamento sei lá quem fazem.

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