OPINIÃO: Samu triplica atendimentos nas marginais: aumentaram os acidentes ou o socorro aos acidentes é que melhorou?

Números mostram que entre 25 de janeiro e 10 de março foram realizados 186 atendimentos nas duas marginais. No mesmo período do ano passado foram 65 casos, aumento de 186,2% (ou 2,9 vezes)

ALEXANDRE PELEGI

O jornal Agora SP, do grupo Folha, obteve dados do SAMU (graças à Lei de Acesso à Informação) que apontam um aumento significativo no número de atendimentos a vítimas de acidentes nas marginais Tietê e Pinheiros. Segundo os dados obtidos pela reportagem, assinada pelo jornalista William Cardoso, o atendimento triplicou após o aumento das velocidades implantado pela atual gestão no dia 25 de janeiro.

Os números mostram que entre 25 de janeiro e 10 de março foram realizados 186 atendimentos nas duas marginais. No mesmo período do ano passado foram 65 casos, o que representa aumento de 186,2% (ou 2,9 vezes). Detalhe: o ano passado (bissexto) teve um dia a mais no período.

O interessante é que o SAMU não é o único organismo público que realiza tal tipo de atendimento, ação que também é efetuada pelo Corpo de Bombeiros.

Pelos dados a marginal Tietê teve maior crescimento no número de atendimentos do Samu, um salto de 23 para 87 (3,8 vezes mais em relação ao mesmo período em 2016). Detalhe importante: a ação do SAMU quase quadruplicou entre 10h e 17h, justamente quando se pode desenvolver uma velocidade maior nas marginais (fora do horário de pico). Em 2016 foram 17 chamados, e neste ano, 62.

O repórter William Cardoso ouviu os socorristas que trabalham no Samu na região das marginais, e ouviu deles que o volume de atendimentos voltou ao que era no período anterior à redução dos limites de velocidade. Segundo alguns socorristas ouvidos pelo jornal há equipes que atuam com apenas um condutor e um auxiliar de enfermagem, insuficiente para atender os acidentes, que, para piorar, se ressentem de um plano com rotas claras para se chegar rapidamente aos acidentados.

ABRAMET

Para Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), o aumento nos atendimentos a vítimas nas marginais já era esperado. Conforme conta a matéria do Agora SP, a prefeitura optou por atender os pedidos de parte da população sem usar o que diz a ciência. “Qualquer aumento de velocidade gera aumento de óbitos, feridos e custos. É uma coisa a preocupar muito. Estamos lutando para preservar vidas”, afirma.

CET

Já a CET-SP (Companhia de Engenharia de Tráfego) continua batendo na mesma tecla, dizendo que o Programa Marginal Segura vai “além da readequação da velocidade”. A CET garante que houve aumento de 45 para 75 marronzinhos por turno e, por isso, mais ocorrências passaram a ser atendidas.

O que leva a um questionamento que remanesce sem resposta: os acidentes aumentaram nas marginais, ou o que aumentou foi o atendimento aos acidentes, que continuam na mesma quantidade de antes?

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes