HISTÓRIA: Acessibilidade antes da lei

Ao longo da história empresas de fretamento já pensavam nas pessoas com mobilidade reduzida

ADAMO BAZANI

Em julho deste ano, os ônibus rodoviários que saem de fábrica devem adotar por lei plataformas elevatórias para cadeira de rodas.

Atualmente, desde 2008, é utilizada a desconfortável cadeira de transbordo pela qual o deficiente é retirado de sua cadeira de rodas, colocado nesse equipamento e levado praticamente no colo pelo motorista e outros funcionários.

Além de ser dificultoso para o trabalhador de transporte, o arcaico sistema também impede a autonomia plena do portador de necessidade especial.

A data da substituição da cadeira de transbordo pelas plataformas elevatórias deveria ser em 2015, mas houve reclamações de fabricantes e, principalmente, de frotistas de ônibus.

Até hoje empresas de ônibus, em especial de fretamento, reclamam da obrigatoriedade de 100% da frota acessível, dizendo que o número de pessoas que utilizam o ônibus e que portam alguma limitação é pequeno e que, no caso de fretamento, seria possível saber de antemão qual é a demanda e, assim destinar, veículos adaptados ou não.

Enquanto algumas reclamam hoje, outras faziam, independentemente da lei obrigar.

O pesquisador em transportes David Vieira resgatou uma matéria da antiga revista Revistur, da associação que reúne as empresas de fretamento, e mostra uma matéria de dezembro de 1988.

A pedido da Auto Latina, quer tinha um funcionário em cadeira de rodas, a Kuba Tur, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, teve em sua frota um monobloco Mercedes-Benz com uma plataforma para cadeira de rodas. A companhia de ônibus prestava serviços para a Auto-Latina.

O pesquisador diz que a iniciativa foi em caráter experimental.

Garagem da Kuba Tur em São Bernardo do Campo. Foto digitalizada da Revistur, edição n° 64, Dezembro de 1988. Destaque para o O-364 adaptado para cadeirante. Embora foi uma adaptação em caráter especial descrita no texto, mostra que tal tecnologia já existia.

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Mas se em 1988 já havia testes, pode haver vários pretextos para os ônibus não terem esta solução que oferece mais dignidade … falta de tecnologia certamente não pode ser uma destas desculpas.

Se houvesse interesse mesmo em investir no portador de deficiência, com a continuação de será que a indústria hoje não teria elevadores bons e mais baratos para ônibus rodoviários?

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes