Sorocaba, como Campinas, sonha com VLT

VLT usaria parte da malha de cargas, hoje subaproveitada. Foto: João Rampin

VLT municipal vai compartilhar os trilhos do transporte de cargas, que circula na via férrea que já pertenceu à Estrada de Ferro Sorocabana e à Fepasa, e hoje é operado pela Rumo

ALEXANDRE PELEGI

Há poucos dias o prefeito de Campinas, Jonas Donizette, anunciou que a ligação entre o Centro da cidade e o Aeroporto Internacional de Viracopos será feita por ferrovia. Nos próximos dias, ele anunciou, será retomada a licitação, suspensa em 2015, para contratar o estudo que definirá qual o melhor meio de transporte para essa ligação: VLT ou monotrilho.

Agora é a vez de Sorocaba sonhar com um modal sobre trilhos. Promessa de campanha do então candidato José Crespo, uma reunião na prefeitura no final de março te a presença, além do próprio prefeito, do secretário de Planejamento e Projetos da prefeitura, Luiz Alberto Fioravante  e representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) e da empresa Rumo para apresentar a ideia básica para a implantação de um VLT na cidade.

 

Ao contrário de Campinas, que já tem os recursos para providenciar o estudo que definirá o modal na cidade, a proposta de Sorocaba ainda está no terreno verbal. Mas isso pode mudar, segundo espera o prefeito.

O secretário Fioravante confirmou que acompanhará o prefeito em visita ao Dnit em Brasília, para tratar da assinatura de um documento entre a prefeitura, o Dnit e a concessionária Rumo. Antes, porém, é preciso a aprovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a oficialização do acordo, o que dará o ponta pé inicial para a implantação e operação do VLT na cidade, que irá utilizar a malha ferroviária já existente na cidade, tradicional berço ferroviário.

Passo a passo

Após a assinatura entre as partes, caberá à prefeitura produzir um projeto de viabilidade econômica e o projeto técnico. A partir daí o projeto executivo será elaborado em conjunto com a Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade do município, a qual pertence a Urbes – Trânsito e Transportes, que será a gestora do VLT. O modal, caso seja implantado, será uma opção a mais de transporte coletivo para o percurso Leste-Oeste da cidade. Para a outra transversal a prefeitura trabalha com a implantação do BRT, que ligará as regiões Norte-Sul.

O VLT municipal vai compartilhar os trilhos do transporte de cargas, que circula na via férrea que já pertenceu à Estrada de Ferro Sorocabana e posteriormente à Fepasa, e hoje apresenta baixo fluxo de circulação.

Memória

A Companhia Estrada de Ferro Sorocabana foi criada em 1870 por empresários sorocabanos, liderados pelo comerciante de algodão Luís Mateus Maylasky, cidadão austro-húngaro. A Estrada de Ferro Sorocabana serviu a inúmeras cidades do oeste paulista, e sua linha tronco expandiu-se e chegou a Presidente Prudente em 1919 e a Presidente Epitácio, às margens do rio Paraná (ponto final) em 1922. Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco (Santos – Juquiá) até o início de 1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa.

VLT

A concessionária Rumo, que administra a ferrovia que passa por Sorocaba, é composta de 4 concessões ferroviárias no Brasil, totalizando 12 mil km de ferrovias, cerca de 1 mil locomotivas e 27 mil vagões, e transporta commodities agrícolas e produtos industriais.

Nas antigas Oficinas da Sorocabana o projeto acalentado pela prefeitura prevê a implantação de um centro cultural. Com o compartilhamento da ferrovia não haverá necessidade de desapropriação. O VLT vai rodar numa via segregada, podendo chegar a uma velocidade de até 70 km/h.

O modelo VLT escolhido é parecido com o da cidade de Santos, com capacidade de transportar de 250 a 350 passageiros. Movido a energia elétrica ele não vai gerar poluição ambiental nem sonora, e terá até sete vagões interligados, equipados com ar condicionado, sinal de internet sem fio e sistema de segurança com vigilância interna por câmera de vídeo e comunicação completa com as estações e centros de controles. As plataformas de embarque ou desembarque terão 45 metros ou 35 metros.

O custo para implantar e gerenciar o VLT contará com 100% de recursos da iniciativa privada, garante o secretário Fioravante.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

5 comentários em Sorocaba, como Campinas, sonha com VLT

  1. Quem ta sonhando com isso é o prefeito dessas cidades, para poderem sobrefaturar os preços….a população está mais preocupada com segurança e saúde……e sonha com a casa própria…..só se for retardado pra sonhar com VlT

  2. Amigos, boa noite

    “Luís Mateus Maylasky, cidadão austro-húngaro” o nome fala por si só, não ha o que explicar.

    Me desculpem os especialistas, mas a Estrada de Ferro Sorocabana foi criada em 1870 e pelo crescimento de Sorocaba e região, é só recolocar o trem ou metro de superfície.

    VLT é um meio que roda a 25 / 30 Km por hora, não é para uma região como a da Sorocabana.

    É bom lembrar que já podemos considerar que num raio de 150 Km contados do marco zero de Sampa a Praça da Sé; já podemos considerar tudo como grande São Paulo.

    Ou alguém acha que é exagero meu ??

    Gentem; VLT, Aerotrem, Aeromóvel e outro nomes modernos são só para fazer a teia da rede de tranportes.

    É de conexão em rede que precisa ser feito na Grande São Paulo de hoje, raio de 150 Km da Praça da Sé.

    Quem pensa diferente, está com visão anterior a 1870.

    MUDA BRASIL, ACORDA SAMPA .

    • Complementando:

      Corta o coração ver a foto com essas locomotivas da Fepasa abandonadas.

      Nem pro ferro velho há competência para mandar é lamentável.

      E tem mais, devido a inércia geral da burrocracia Brasil, a Fepasa tem um patrimônio incalculável tanto cultural, histórico, sentimental e patrimonial de coisas intactas há mais de meio século.

      Uma vez estive na Estação de Tambaú e estava tudo parado no tempo, inclusive já fui num leilão da Sorocabana na Estação Júlio Prestes no qual foram leiloadas peças maravilhosas e translumbrantes.

      Pena que quando meu avô faleceu o quepe dele azul marinho com o símbolo dourado da Sorocabana EFS, não foi dado a mim e nem sei onde foi parar.

      Trabalhar na Sorocabana era orgulho do meu avô e do meu tio, foi uma pena eu não ter seguido os trilhos, mas a vida é cheia de curvas as quais não temos controle.

      MUDA BRASIL ACORDA SAMPA.

      Att,

      Paulo Gil

  3. Uma curiosidade: o secretário Luiz Alberto Fioravante, um dos idealizadores do projeto do VLT, já foi concessionário de linhas de ônibus em Sorocaba. Entre 1989 e 1992, a sua empresa (a Fioravante) operou linhas urbanas de ônibus na cidade (na época em que o secretário de Transportes da cidade era o atual prefeito, o Crespo), coincidentemente as linhas que serão afetadas pelo VLT. Ele vendeu a empresa (o braço urbano) em 1992 para os Constantinos.

    Já o prefeito da cidade, José Crespo, foi engenheiro da Fepasa antes de entrar na política, em 1989.

    Moro em Sorocaba e posso dizer que é um projeto sério e com demanda suficiente, já que o VLT vai atender aos principais pólos de atração de viagem. A cidade não tem sistema viário para BRT (exceto na Zona Norte) devido à largura muito estreita das avenidas locais.

  4. LUIZ CARLOS DIRENZI // 14 de Abril de 2017 às 15:31 // Responder

    A noticia é ótima. Mas tem que ser o trem de superfície iguais o da CPTM. O problema e que fazem muitos estudos e o serviço propriamente nunca é implantado. (no caso ai o trem de passageiros). O leito ferroviário ainda existe então façam as devidas melhorias e coloquem os trens para trafegar e pronto.
    Certamente primeiro vão dizer o serviço não será viável ou então que terá que ser feito um novo trajeto (leito) e se de fato isso ocorrer primeiro contrataram uma empresa para executar o serviço certamente superfaturado e com as obras ha longo prazo, que depois enfrentara ações na justiça que ira embargar a obra e o trem propriamente nunca percorrera o trecho, e ainda compraram as composições que ficaram encostadas como já ocorre com outras ferrovias. Vamos aguardar.

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