BRT do Pará vai custar três BRTs de Las Vegas

BRTs de Las Vegas têm veículos modernos e venda automática de bilhetes nas paradas

Jornal paraense critica obra que se arrasta há anos e tem custos majorados e extensão reduzida

ALEXANDRE PELEGI

De acordo com anúncio do Governo do Estado do Pará a obra do BRT Metropolitano paraense terá custo superior a R$ 530 milhões (ou 177 milhões de dólares). Com uma extensão de 10,75 quilômetros o preço por quilômetro atingirá quase R$ 50 milhões.

Segundo reportagem do jornal Diário do Pará, “esse valor é muito mais do que os BRTs já concluídos, em construção ou em projeto para as cidades de Manaus (R$ 24 milhões por Km), Goiânia (R$ 16 milhões), Recife (R$ 6 milhões) e Brasília (R$ 21,7 milhões). É bem mais, também, do que custou o primeiro BRT do Brasil, o de Curitiba, inaugurado em 1972. Na capital paranaense, o Km custou, em média, R$ 10 milhões”.

Parte do programa “Ação Metrópole”, o BRT de Belém deveria ser executado quase na totalidade pelo Governo do Estado. O dinheiro seria financiado pela JICA, órgão do Governo Japonês responsável pela implementação da Assistência Oficial para o Desenvolvimento (ODA), que apoia o crescimento e a estabilidade socioeconômica dos países em desenvolvimento

Em abril de 2011 o coordenador geral do “Ação Metrópole”, César Meira, informou que o corredor de BRT estava orçado em R$ 480 milhões, com traçado previsto desde o centro de Belém numa extensão de 27 Km.

Em 2012 o então prefeito de Belém, Duciomar Costa, resolveu executar um BRT na Almirante Barroso. A obra acabou embargada várias vezes pela Justiça, porque não tinha projeto, nem financiamento. Mas, como havia sido gasto muito dinheiro público, decidiu-se terminar o que Duciomar começara. Assim, o BRT do Governo do Estado, previsto para 27 km, encolheu para os 10,75 km, que vão do Entroncamento a Marituba.

JICA

O último estudo da Jica sobre o programa “Ação Metrópole” foi feito em 2009, a pedido do Governo do Estado. O custo previsto para a construção de uma via de BRT era então estimado entre 4 a 5 milhões de dólares por quilômetro (cerca de R$ 15 milhões). O estudo projetava que todo o sistema de BRTs de Belém e Região Metropolitana alcançaria a cifra de US$ 223,2 milhões (R$ 513,4 milhões no câmbio da época, atualmente R$ 824 milhões em valores atualizados pelo IPCA-E de março).

O calculado pela agência japonesa JICA é muito inferior ao custo total estimado pelo Governo do Estado, comparação feita pelo jornal Diário do Pará: “enquanto a JICA estimou que cada km do BRT deveria custar cerca de R$ 15 milhões, a obra do Governo irá torrar – vale ressaltar novamente – R$ 50 milhões por km, ou seja, mais do que três vezes mais”.

Ainda fazendo comparações, o jornal paraense conclui: “o BRT de Belém ficará mais caro que os dois BRTs de Las Vegas, nos Estados Unidos: o MAX (Metropolitan Area Express) e o SX (Sahara Express). O primeiro tem 12 km de extensão e foi inaugurado em 2004. O segundo, com 36,5 km, foi inaugurado em 2012. Supermodernos, eles custaram, cada um, cerca de R$ 15 milhões por Km. Ou seja, pelo preço de um BRT do Pará, daria para construir três BRTs de Las Vegas, já incluindo toda a infraestrutura. E ainda sobraria R$ 5 milhões”.

Para justificar os R$ 530 milhões que o Governo do Estado do Pará calcula, o BRT Metropolitano foi acrescido de várias obras: um viaduto de quatro pétalas, no Km 6,5 da BR; um túnel de acesso ao terminal de Ananindeua; um Centro de Controle Operacional, 13 passarelas, para travessia de pedestres, e mais 18 estações, totalizando 26.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes