Comec diz que frota mínima de 50% está sendo cumprida na região metropolitana de Curitiba

 

Greve é por tempo indeterminado

ADAMO BAZANI

A Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, que gerencia dos ônibus das cidades ao em torno da capital paranaense, informou por volta das 12h desta quinta-feira, 16 de março de 2017, que a frota mínima de 50% determinada pela TRT – Tribunal Regional do Trabalho, foi cumprida no horário de pico da manhã. A Justiça ainda determinou 40% no entrepico.

Já nos municípios mais distantes, como Agudos do Sul, Balsa Nova, Mandirituba e Quitandinha o serviço está operando com 100% da frota, ainda de acordo com a gerenciadora.

Motoristas e cobradores de ônibus estão em greve.

Nesta quarta-feira, 15 de março de 2017, a categoria aderiu ao dia nacional de manifestações contra as reformas da Previdência.

Já nesta quinta-feira, dia 16, a categoria permanece em greve por questões salariais.

Os trabalhadores e empresas ainda não chegaram a um acordo sobre os reajustes.

O Sindimoc, sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus, pede reajuste de 15% nos salários e no valor dos benefícios, mas as empresas de ônibus ofereceram até o momento 5,43%,  percentual correspondente ao acumulado do INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do período desde o último aumento, no início de 2016.

As empresas de ônibus alegam situação financeira difícil. A tarifa técnica continua em R$ 3,66, no caso dos ônibus municipais de Curitiba, enquanto a tarifa paga pelo passageiro é de R$ 4,25.

A Urbs – Urbanização de Curitiba S.A. afirma que só vai definir o valor da tarifa técnica após ter a confirmação de quanto será o reajuste para os trabalhadores. As empresas de ônibus da capital dizem que têm sofrido prejuízos pelo que consideram erros de projeção de demanda por parte da Urbs, gerenciadora.

A projeção, segundo as empresas, tinha número de passageiros maior do que o que foi apurado de fato nas catracas.

Já as empresas metropolitanas possuem tarifas diferentes, de acordo com os trajetos realizados. Há complementações para as integrações com sistema municipal.

Tanto empresas municipais e metropolitanas são filiadas ao mesmo sindicato patronal, Setransp.

Apesar de serem sistemas diferentes, que devem ser reintegrados até julho, conforme promessa do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e do governador do Paraná, os salários dos funcionários são os mesmos.

Também existem grupos empresarias que operam linhas municipais de Curitiba e metropolitanas ao mesmo tempo.

O Sindimoc afirmou que a greve é por tempo indeterminado.

Na Capital, segundo a Urbs, nesta quarta-feira não houve cumprimento da frota mínima em nenhuma parte do dia. A multa estipulada pelo TRT ao Sindimoc em caso de descumprimento é de R$ 100 mil por hora no sistema da capital e R$ 50 mil no da região metropolitana.

O sistema metropolitano opera em 19 cidades e atende por dia em torno de 250 mil pessoas.

SINDIMOC E ESCALAS:

O Sindicato de Motoristas de Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana – Sindimoc acusou algumas empresas de ônibus de não fornecer as escalas à entidade sindical, o que, segundo os diretores, dificulta  o acompanhamento pelo sindicato dos porcentuais de veículos que saem às ruas, para que possa ser cumprida a frota mínima.

O Sindimoc diz ainda que ingressou no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR) com um Mandado de Segurança, solicitando às empresas que forneçam as escalas de trabalho dos ônibus.

Ainda na nota o sindicato informou que considera abusiva a multa estipulada pelo TRT em caso de descumprimento da frota mínima.
“O valor de R$ 100 mil por hora é totalmente incompatível com a capacidade de pagamento da entidade e fere o direito da razoabilidade. Por isso, na noite de quarta-feira (15), o Sindimoc pediu a redução do valor da multa imposta aos trabalhadores e questionando os percentuais estabelecidos de frota mínima.” – informa a nota.

FERE A LEI:

Já o Setransp, que reúne as empresas de ônibus, classificou a paralisação desta quarta de ilegal.

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) condena, nos mais duros termos, a atitude abusiva do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) de parar 100% do sistema de transporte, em flagrante descumprimento de ordem judicial que determina frota mínima de 50% nos horários de pico e de 40% nos demais horários.

O Sindimoc viola a Lei de Greve, causando dano à propriedade, ao furar os pneus dos veículos para impedir a saída da frota. Pior, o abuso do Sindimoc vai afetar sobremaneira o comércio da cidade, já em dificuldades pelo momento econômico vivido pelo país, e, mais grave, prejudicar o dia a dia de milhares de pessoas.

LEI Nº 7.783, DE 28 DE JUNHO DE 1989 (Lei de Greve)

Art. 6º – …

  • 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes