Curiosidade: Os corredores de ônibus na passarela do Samba

Nenê de Vila Matilde homenageia Curitiba e faz referência a sistema de transporte que é modelo em todo mundo

ADAMO BAZANI

Samba, carnaval e corredores de ônibus. Isso mesmo. O transporte acabou sendo assunto no Carnaval 2017.

Isso porque a escola de samba do grupo especial de São Paulo, Nenê de Vila Matilde, fez uma homenagem especial a capital paranaense, Curitiba, no enredo deste carnaval.

Foram destacadas as principais características da cidade, sua história, seus marcos paisagísticos, como o Jardim Botânico e Teatro de Arame, e não poderia faltar uma referência aos corredores de ônibus BRT – Bus Rapid Transit.

Uma ala inteira da escola foi dedicada aos corredores de ônibus.

Uma das alegorias era justamente a imitação de uma estação-tubo, criação dos anos de 1990, que incorporou mais uma característica para o BRT, o pré-embarque, pagamento antecipado da tarifa antes mesmo da chegada do ônibus, o que garante agilidade ao embarque no veículo.

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Estação-tubo foi considerada na época de seu lançamento uma qualificação importante dos sistemas por ônibus . Acima, a homenagem. Em seguida, um das estações no centro da cidade.

O BRT foi criado em 1974, na gestão do prefeito Jaime Lerner, à frente executivo da capital paranaense.

Muito mais que criar vias exclusivas para ônibus, ao priorizar o transporte coletivo no espaço urbano, a iniciativa permitiu com que houvesse um crescimento mais organizado e uma melhor circulação de pessoas pela cidade.

O BRT não é para ônibus, mas essencialmente para pessoas.

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Diversos modelos de ônibus marcaram os transportes em Curitiba

A ideia deu tão certo que diversos países em todo mundo adotaram o sistema de corredores de ônibus. De acordo com o Global BRT Data, organização internacional que acompanha mobilidade urbana em diversos países, hoje existem 206 cidades com BRTs que transportam 34,6 milhões pessoas por dia.

O modelo de Curitiba e região metropolitana ainda continua sendo destaque de qualidade e eficiência. No entanto, por questões muito mais políticas do que técnicas, com desencontros entre gestões e problemas de remuneração às empresas de ônibus e trabalhadores do setor, o sistema precisa ser renovado.

Recentemente um projeto que foi escolhido em processo de PMI – Proposição de Manifestação de Interesse da iniciativa privada pela prefeitura de Curitiba pode ser um dos caminhos para esta renovação necessária nos transportes da capital e região metropolitana.

Denominado de CIVI – City Vehicle Interconnect, o projeto deve contar com ônibus híbridos e, posteriormente, elétricos puros, e é de iniciativa de um consórcio formado pela Associação Metrocard, que reúne as empresas de ônibus da região metropolitana de Curitiba, da Nórdica, representante da montadora Volvo, e da construtora Cesbe S.A. – Engenharia e Empreendimentos.

As estações-tubo, as mesmas homenageadas pela “Nenê de Vila Matilde”, seriam requalificadas. A rede contaria com 300 estações de embarque e desembarque, todas conectadas por cabos de fibra ótica. Cada uma delas teria o wi-fi, painéis com informações sobre horários e as linhas dos ônibus, além de ar condicionado. Aplicativos de celulares específicos também informariam em tempo real o horário previsto para o ônibus passar em cada uma das estações.

Especialistas apontam para necessidade de um sistema de metrô pesado subterrâneo para a capital paranaense, mas pelo que antecipou o atual prefeito Rafael Greca, o projeto não deve sair tão cedo do papel.

Por isso a requalificação dos corredores de ônibus é considerada essencial para que nos próximos anos o sistema de Curitiba e região metropolitana continue ainda sendo motivo de muitas homenagens.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes