Advogado confirma existência de esquema de fraude em licitações que beneficiavam famílias Gulin e Constantino, segundo MP

Em colaboração premiada, Sacha Reck diz que seu ex-sócio, Guilherme Gonçalves, criou um método para fraudar licitações em municípios do Paraná. Empresários negam

ADAMO BAZANI

Com informações RPC

O Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Paraná, realizou nesta terça-feira, 21 de fevereiro de 2017, a segunda fase da Operação Riquixá, que apura um suposto esquema de fraudes em licitações para beneficiar grupos empresariais do setor de transportes por ônibus. Foi o desdobramento da primeira da operação, realizada em junho do ano passado.

Os promotores, juntamente com a polícia, cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e 10 de condução coercitiva em Guarapuava, Campo Largo e Curitiba, onde teriam ocorrido as fraudes.

Os empresários de ônibus Donato Gulin e Dante Gulin estiveram entre os alvos da operação, além do advogado Guilherme Gonçalves que, junto com o também advogado Sacha Reck, tinha escritórios que prestavam serviços para empresas de ônibus.

Em colaboração premiada firmada no ano passado com o Ministério Público, o advogado Sacha Reck disse que o seu ex-sócio elaborava um método para fraudar licitações do transporte público. Era criada uma espécie de modelo padrão de edital, adaptado para cada cidade depois.

A existência deste esquema apontado por Sacha Reck, segundo o Ministério Público, beneficiaria grupos econômicos como das famílias Gulin e Constantin, que estão entre as maiores proprietários de ônibus do país.

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Entre as licitações investigadas está a que declarou vencedora em 2009 a Transportes Coletivas Pérola do Oeste, da família Gulin, em Guarapuava. Até mesmo dados falsos foram colocados em documentos para que a empresa vencesse, segundo os promotores.

Práticas semelhantes ocorriam em outras licitações, ainda segundo o MP-PR.

OUTROS LADOS:

A defesa de Donato Gulin disse que não iria comentar as acusações porque as denúncias foram baseadas em delação de um ex advogado, o que quebraria o sigilo profissional.

A defesa de Dante Guilin repudiou as acusações de ilegalidade nos procedimentos licitatórios.

O advogado Guilherme Gonçalves também repudiou as acusações e disse que a delação de Sacha é fruto de uma vingança pessoal do ex-sócio.

A empresa de ônibus Pérola do Oeste diz que presta todas as informações necessárias à investigação, quando há solicitação da Justiça.

Já o Grupo Comporte, de Constantino Oliveira, disse que não participou das licitações investigadas nesta segunda fase da Operação Riquixá.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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