Reajuste de salários de motoristas e cobradores em Curitiba ainda é impasse

Categoria rejeitou proposta de 3,81% de aumento por parte das empresas. Companhias se queixam que sistema é o segundo salário mais alto do país entre as capitais

ADAMO BAZANI

Como ocorre em todo mês de fevereiro no sistema de Curitiba e região metropolitana, mais uma vez há impasse entre empresas de ônibus, representadas pelo Setransp, e o Sindimoc, sindicato dos motoristas e cobradores, quanto ao reajuste salarial da categoria.

As empresas ofereceram aumento de 3,81%, o que corresponde a 70% apenas da inflação acumulada nos últimos doze meses. Ou seja, a proposta nem reporia os índices inflacionários.

Já categoria pede mais que o dobro da inflação (6,29%) –  reajuste de 15%.

Não houve acordo e uma nova reunião deve ocorrer na próxima quarta-feira, dia 22.

O sindicato das empresas, em nota, diz que Curitiba é o segundo salário de motoristas e cobradores mais alto entre as capitais e que no acumulado desde 2009, houve aumento acima da inflação.

O valor da hora trabalhada dos motoristas do transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana, de R$ 12,23, é o segundo mais alto entre as capitais brasileiras, atrás somente de Brasília (R$ 12,96). Na capital paranaense, 54% da tarifa se refere apenas ao pagamento de pessoal, que abrange 15 mil colaboradores.

O salário de motoristas e cobradores de ônibus em Curitiba e Região Metropolitana vem registrando altas bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). De fevereiro de 2009 a janeiro de 2017, o INPC acumulou alta de 65,71%, enquanto o salário cresceu 86%. No mesmo período, a tarifa técnica apresentou alta de 66,6%.

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Já o Sindimoc disse que a categoria está em defasagem salarial. O presidente da entidade, Anderson Teixeira, acredita que seria justo, as empresas repassarem o aumento da tarifa, de R$ 3,70 para R$ 4,25 (15%) para os salários.

“Entre 2000 e 2010, chegamos a ter até mesmo deflação. Então é uma recomposição salarial. Pedimos aquilo que não ganhamos no passado … Se é R$ 4,25 pela passagem, nada mais lógico do que levar esses 15% para os trabalhadores. Se realmente subiu isso, justifica a nossa demanda”,

Vale destacar, entretanto, que a remuneração das empresas não aumentou ainda, apesar de o passageiro pagar mais. A tarifa técnica continua em R$ 3,66.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.