HISTÓRIA: De São Bernardo a Santo Amaro pelas Balsas

Balsa João Basso, provavelmente no fim dos anos de 1970 ou inicio de 1980, com ônibus urbano de empresa não identificada na imagem. Não há registros fotográficos da Viação Taquacetuba Ltda

 

Viação Taquacetuba fazia linha extensa que ligava o ABC à Capital passando por balsas

ADAMO BAZANI

Uma viagem em meio à natureza, utilizando balsas e num ritmo bem tranquilo.

O que hoje ode parecer turismo foi uma das principais ligações mistas por rios, represas e estradas entre o ABC e a zona sul da capital paulista até os anos de 1960.

É o que recorda o historiador e pesquisador da área de transportes, Mário dos Santos Custódio, que conversou com o Diário do Transporte.

Mário Custódio diz que uma longa ligação por ônibus era feita entre os anos de 1950 e 1960, pela Viação Taquacetuba Ltda.

“A cor da Taquacetuba era muito parecida com de outra empresa de ônibus, Expresso São Bernardo, depois a pintura ficou semelhante a da Viação Riacho Grande, quando tinha predominância do creme na pintura” – relembra.

A ligação por balsa entre o ABC e a Capital Paulista é antiga e remota à criação da Represa Billings.

“A represa Billings foi criada para gerar energia elétrica para a cidade de São Paulo, por meio da usina Henry Borden, localizada em Cubatão. O projeto da represa é de autoria do engenheiro estadunidense Asa White Kenney Billings (daí o seu nome), funcionário da empresa Light (The São Paulo Tramway, Light and Power Company, Limited). A construção da represa teve início em 1925 e término em 1927, quando se iniciou o enchimento do reservatório”. – diz o acervo de memória da prefeitura de Santo André

Operado pela EMAE – Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A., o trajeto é feito por balsas em três pontos de travessia do Reservatório Billings:

Caminho por balsas entre ABC e zona Sul

Caminho por balsas entre ABC e zona Sul

– Balsa João Basso, entre o Riacho Grande e o bairro Tatetos, ainda em São Bernardo. Neste bairro já houve uma vila de pescadores e há a região das terras das reservas indígenas do Curucutu e Morro da Saudade, que foram demarcadas pela Funai – Fundação Nacional do Índio.

– Seguindo por terra, chega-se ao bairro Taquacetuba, ainda em São Bernardo, onde é possível pegar a Balsa Taquacetuba.

– A Balsa Taquacetuba vai até a Ilha do Bororé, já na zona Sul da Capital Paulista. Para seguir à região do Grajaú, é necessário ir com outra balsa: a Balsa Bororé.

Esta verdadeira aventura era trajeto de trabalho diário de muitas pessoas até os anos de 1960/, como relembra o historiador.

Mário Custódio diz que os ônibus da Viação Taquacetuba saíam da Praça da Matriz, em São Bernardo do Campo, iam pela Rua Marechal Deodoro até Ferrazópolis, de onde acessavam a via Anchieta, Estrada do Rio Acima, bairro Riacho Grande até a primeira balsa depois seguindo pela estrada Taquacetuba, o nome da empresa .

Sempre mudando de balsas, com o avançar da viagem, por terra o caminho compreendia a Estrada do Bororé, Estrada de Parelheiros (atual Avenida Sadamu Inoue), Estrada do Rio Bonito (como era chamada a ligação na época) seguindo pelas vias locais à região de Santo Amaro.

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Hoje linhas municipais de São Bernardo do Campo e de São Paulo percorrem o extenso itinerário que era da Viação Taquacetuba

Hoje linhas municipais de São Bernardo do Campo e de São Paulo percorrem o extenso itinerário que era da Viação Taquacetuba

Com a pavimentação de vias no ABC Paulista e na Zona Sul de São Paulo, a ligação por balsas deixou de ser eficiente neste trajeto e Viação Taquacetuba já no início dos anos de 1970 não mais prestava serviços entre São Bernardo do Campo e a região de Santo Amaro, mas Mário Custódio lembra que várias linhas de ônibus atuais percorrem trechos da antiga empresa.

No itinerário estão linhas municipais de São Bernardo do Campo, da  SBCTrans, e da Transwollf, do serviço municipal de São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

13 comentários em HISTÓRIA: De São Bernardo a Santo Amaro pelas Balsas

  1. Já fiz esta rota de moto uma vez – detalhe: de noite. O caminho é bonito e é notório a predominância de sítios e área verde – no que espero que continue preservado.

    Adamo, faltou falar como fazer esta rota hoje. Se me permite, aí vai:

    À quem está em São Paulo, pegue o ônibus Terminal Grajaú Ilha do Bororé. (6L11-10)

    À quem está em São Bernado, são as linhas 29 e 30

    Pelo que notei, entre duas balsas não me parece haver ônibus (o trecho da Estrada de Taquacetuba).

    • Para fazer a rota SBC – Sao Paulo:
      Pegar as linhas municipais de SBC – 6, 29,30 (Itinerário: Balsa), descer na balsa Joao Basso e atravessar a represa.
      Do outro lado, utilizar a linha 34 – Santa Cruz (do lado pós-balsa não é necessário pagar passagem) e no final da linha utilizar o 41 – Taquacetuba. atravessar com a balsa de taquacetuba (ai sai de sbc e entra em sp) e utilizar a linha 6L11 – Terminal Grajaú, partidas a cada 30 minutos.
      Dá umas 3 horas de viagem mais ou menos, mas vale a pena

    • tem sim, apelidados de poerinha, fazem o trajeto entre as balsas e é de graça…

  2. esse trajeto até hoje é muito 10, balsas, represas, vegetação…. gosto muito de andar por essa região… grande potencial de ecoturismo…

  3. Amigos, bom dia.

    Adamo, parabens, mais uma sensacional matera aula, mas esta, do buzao, da balsa e da nautureza.

    E muito legal saber que Sampa em pleno 2017 tem uns “cantinhos” preservados.

    E muito mais legal ainda e ver o buzao presente, mesmo numa travessia de balsa.

    Que esta natureza seja PRESERVADA em detrimento do progresso e a favor da NATUREZA.

    Att,

    Paulo Gil

  4. Carlos Eduardo Gomes da Rocha // 13 de fevereiro de 2017 às 08:36 // Responder

    Parabéns pela reportagem. Esse caminho é possível de ser feito ainda hoje e com o mesmo sentimento de que nem parece acontecer na maior região metropolitana do país.

  5. Sérgio Santo André // 13 de fevereiro de 2017 às 12:16 // Responder

    Fiz esse trajeto uma vez de carro entre São Bernardo e o bairo do Grajaú. Sensacional pelas paisagens, pelas balsas, mas vc tem que ter paciência pois o tempo de espera das balsas é fenomenal !!!

  6. Parabens Adamo
    Eu sou apaixonado pelos modais de transportes e não entendo como até hoje não temos transporte hidrico aproveitando represas e rios da grande S.Paulo.
    Quanto a essa balsas, tem o inconveniente de serem guiadas por cabos que impediriam a navegação de outras embarcações de porte grande cruzando seu itinerário. A não ser que possam ser suspensos após travessia.
    Mas, é importante sua existência, operando a 90 anos da mesma maneira
    servindo a população.

  7. Fiz esse trajeto recentemente em um dia ensolarado quando acaba o asfalta começa o martírio poeira de mais no caminho da balsa taquacetuba até a travessia onde ficam os carros da transwolff a espera dos passageiros que seguem ruamo ao terminal grajaú

  8. Muito legal saber disso! Moro próximo à represa Billings e nem imaginava que já existiu essa linha!

    Posso estar errado, mas creio que a antiga Estrada do Bororé seja a atual Av. Belmira Marin, e a antiga Estrada de Parelheiros, no trecho em questão seja a atual Av. Teotônio Vilela!

  9. gabriel lauriano de paula // 17 de junho de 2017 às 15:09 // Responder

    Na década de 60 tinha uma jardineira denominada por Perua do Israel,que partia do Largo 13 de maio em Santo Amaro,com destino á segunda balsa,ou seja,a balsa de Taquacetuba,cujo motorista era o Sr Israel e o cobrador tinha o apelido de Periquito.Em 1963 meus pais moravam no bairro Shangri-lá,próximo á balsa do Bororé

  10. A tawuacetuba foi uma empresa fundada pelo Walter Job de Oliveira

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