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Doria quer cobrar tarifa de ônibus mais cara para quem paga em dinheiro

fim cobrador

Ônibus em São Paulo. Viações dizem que cobradores hoje dão "prejuízo". Sindicato diz que não vai permitir fim da função e que profissional ajuda motorista

Medida seria uma forma de acelerar fim dos cobradores

ADAMO BAZANI

Com informações Folha de São Paulo

A equipe do prefeito João Doria estuda diferenciar o valor da tarifa de ônibus municipal em São Paulo para quem paga em dinheiro e para quem paga por meio do Bilhete Único.

De acordo com a proposta, o valor em dinheiro seria mais alto.

Com a medida seria acelerado o processo de extinção dos cobradores do sistema público de São Paulo.

Segundo a SPTrans, hoje em torno de 6 % dos passageiros ainda pagam em dinheiro dentro dos ônibus. A proposta é que percentual chegue a próximo de zero.

Decisões na justiça impedem até o momento a extinção dos cobradores, mas com a bilhetagem eletrônica total, haverá o argumento de que a função não seria mais útil dentro do sistema.

No ano passado, o presidente do SPUrbanuss, Francisco Christovam disse ao Diário do Transporte que o custo anual com salário de cobradores é de entorno de R$ 1 bilhão. Já segundo dados da SPTrans, os pagamentos em dinheiro representam arrecadação anual de R$ 300 milhões com os cobradores, mas os profissionais custam em torno de R$ 900 milhões, portanto, dariam “prejuízo” ao sistema.

Desde o final de 2015, o total de cobradores em São Paulo foi reduzido, principalmente nas empresas do subsistema local, criadas a partir das antigas cooperativas de lotações.

As empresas de ônibus negam que a substituição criaria uma demissão em massa e dizem que os profissionais poderão ser aproveitados em outros cargos, como motoristas, na administração, borracharia, funilaria e fiscalização.

De acordo com as empresas, a rotatividade do setor é de cerca de 4% ao mês, portanto, segundo as companhias, haveria vagas.

As empresas também não descartam a criação de programa de demissão voluntária e de planos de carreiras.

O sindicato dos motoristas e cobradores é contra as demissões e diz que o cobrador não serve apenas para receber passagens e sim para auxiliar o motorista e informar passageiros.

Atualmente, de acordo com dados da SPTrans e SPUrbanuss, a maior parte das viagens é feita pela integração com sistema de trilhos (Metrô e CPTM), que é bilhetagem eletrônica. O dinheiro representa apenas 6% do total pago. Confira:

– Integração com os trilhos: 37%

– Bilhete Único comum unitário: 14%

– Idosos e deficientes (gratuito): 13%

– Vale-Transporte do trabalhador: 12%

– Passe Livre estudantil (gratuito): 12%

– Bilhetes únicos temporais: 6,9%

– Pagamento em dinheiro: 6%

– Escolar (meia tarifa): 1,3%.

Ainda de acordo com o SPUrbanuss e a SPTrans, os cobradores representam 10% dos custos do sistema, sendo que:

– Motoristas: 33%

– Manutenção e combustível: 29%

– Tributos e encargos: 15%

– Cobradores: 10%

– Infraestrutura: 9%

– Lucro das empresas: 5%

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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