HISTÓRIA: Aniversário de São Paulo – os ônibus e suas cores
Publicado em: 25 de janeiro de 2017
Morador da cidade lembra como eram coloridos e marcantes os coletivos da capital
Os ônibus estão presentes na paisagem urbana e no dia a dia de todos os cidadãos, inclusive daqueles que não fazem uso do transporte coletivo, mas veem os veículos circulando para toda a parte.
São Paulo tem hoje a maior frota de ônibus da América Latina com quase 15 mil coletivos municipais, isso sem levar em conta os ônibus da EMTU, que vêm de outras cidades da Grande São Paulo, os rodoviários e os de fretamento.
Décadas passadas, obviamente que esse número não era tão grande, mas a frota de ônibus já era considerável para atender a demanda de uma cidade que crescia no ritmo bem característico de uma metrópole.
Uma das características desta frota até pelo menos 1991, quando começou haver a padronização das pinturas com a “municipalização” dos serviços pela prefeita Luíza Erundina, era que os ônibus tinham cores variadas que indicavam a identidade das empresas e as regiões atendidas. Em 1978, com Olavo Setúbal a frente da prefeitura, foi criada uma reorganização dos transportes. Iniciava assim a era do “saia e blusa”: a saia, parte inferior da lataria, indicava a região atendida e a blusa, acima da altura das rodas, tinha pintura opcional da empresa.
As cores dos ônibus estão presentes na memória de muitos moradores da cidade, como de Sérgio Slak, que participou do “Conte Sua História de São Paulo”, do jornalista Milton Jung.
Neste aniversário de 463 anos da cidade, o texto relembra ônibus de algumas empresas e linhas da cidade.
Milton Jung, um apaixonado pela história da cidade e, com isso, grande incentivador da memória dos transportes, compartilhou este texto conosco, além do áudio com sua narração dos relatos de Sérgio.
Confira, esta viagem vale a pena:
https://soundcloud.com/miltonjung/conte-sua-historia-de-sao-paulo-de-sergio-slak-por-milton-jung
Nasci na Vila Prudente, há 59 anos, e morei até os sete anos na Vila Ema, tudo na zona Leste. Com o falecimento do meu pai mudamos para a casa dos meus avós em Moema, na zona Oeste. Em frente de casa, tinha o ponto inicial da linha 670 – Moema – Praça da República, da Viação Moema. Eram ônibus nas cores vermelha, verde e branca. Lá perto tinha, também, o ponto inicial da linha 77 Vila Uberabinha-Rodoviária, da Viação Caribe. Eram amarelo, vermelho e branco.

Desenho relembra cores da Viação Caribe

Viação Moema já foi história em outra reportagem no Diário do Transporte: https://diariodotransporte.com.br/2012/01/25/aniversario-de-sao-paulo-historia-de-um-povo-de-garra-pelos-transportes/
Comecei ali meu fascínio pelos ônibus. E o que me encantava é que havia muitas empresas e cada uma com suas cores. Algumas com apenas uma linha. Por exemplo, achava maravilhosos os ônibus da Viação Útil, que faziam a linha Barra Funda – Bosque da Saúde, nas cores azul e cinza. Tinha a imagem de um cachorro atravessando o numero 969.
É claro que existiam as empresas com mais linhas de ônibus, como a Bola Branca que tinha as cores branco e vermelho. Não podemos nos esquecer do azul e bege da CMTC. Lá na gestão do prefeito Jânio Quadros, havia os Vermelinhos e os Fofões de dois andares.
Adorava olhar aqueles ônibus circulando, numa festa de cores e estilos de pintura.
O cenário passou a mudar no fim da década de 1970 quando criaram os consórcios de empresas de ônibus, as menores foram compradas. Na gestão da prefeita Luisa Erundina ocorreu a municipalização e todos os ônibus passaram a ter as cores branca e vermelha. Na de Marta, criaram-se oito consórcios e aí ficaram apenas oito cores em toda a cidade.

Trólebus com as cores azul e bege da CMTC

“Fofão” da CMTC. Os ônibus de dois andares da era Jânio Quadros
O transporte público evolui muito. Temos bilhete único, corredores, terminais, veículos articulados, biarticulados, com ar-condicionado e até wi-fi. Mas sinto uma saudade danada daquelas cores rodando por São Paulo.
Quando estou em um ponto, fecho os olhos e imagino que o ônibus que está chegando traz a marca da CMTC ou o colorido de algumas das velhas empresas.
Sergio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio.



Amigos, bom dia.
Nao podemos deixar de relembras dos asseados, e lindos buzoes da Viacao Gato Preto , a legitima do Sr. LUIZ GATTI, cada carro com jm none, e o logotipo interno do gato pretp 3 a letra inugualavel com o enderelo da ga4age.
Vale lembrar tambrm, da Transcolapa, EAO Anasatacio, EAO Hamburgueza, Gatti Turismo, Viacao Leste Oeste, viacao Urbana Penha, EAO Alto da Mooca, EAO Alto do Pari, Viacao ABC, Viacao Santa Cecilia, Viacao Vila Ema,, Viacao Santa Madalena, Viacao Santa Brigida, Viacao Campo Belo, Empesa Viacao Sao Luiz, Auto Viacao Jurema e Viacao Ipojuca
E outras que nao utilizei tanto ou nao lembro.
“TEMPO BOM NAO VOLTA MAIS”
Parabens Sampa.
Att,
Paulo Gil
Paulo, quando moleque, eu andava bastante com os onibus Gato Preto, Hamburguesa, e Anastacio (Lapa / Pq Sao Domingos / Centro). Lembro-me que eu ficava reparando as letras no exterior do Onibus (“Viacao Gato Preto,” “EAO Hamburgueza,” ou “Vila Anastacio”) e tambem no interior (aquelas letras de forma na tampa onde o motorista abria pra mudar o destino do onibus). Sempre curti as letras, justamente com os onibus sempre limpos. Hoje sinto uma nostalgia danada. Voce tem mais algum detalhe sobre aquelas letras nos onbus das empresas do Sr. Luiz Gatti? Voce sabe se ha algum site na Internet onde eu posso achar fotos daqueles onibus maravilhos (ate 1978, antes de terem destruido aquela arte com o padrao “Saia e Blusa”)? Grato, Eduardo
A cidadw esta cada vez mais cinza…pois oa carros particulares ou sao preto, Branco ou prata em sua maioria e agora os onibus sem cor….como se a pintura dos onibus influênciasse a qualidade que pra mim nao merecesse nem uma nota zero…
Esses novos ônibus na cor cinza são, na minha opinião, um erro enorme por vários motivos:
1) como vemos aqui, cor é legal;
2) as cores identificam muito as regiões ou, no mínimo, dá caraterística à uma linha (fica fácil esperar um onibus que sabemos que é da cor vermelha ou verde, dentro de tantos que passam no ponto);
3) a cidade fica sem padrão. Já não bastasse mudar a cor primária do branco para o prata, agora ainda terá como cor secundária chumbo, sem personalidade nenhuma;
4) não há um plano (ou pelo menos eu nunca vi) para uma nova padronização dos ônibus para esta nova cor. Apenas vi que esses ônibus de cor prata e chumbo são como “novos metrôs” porém outros ônibus da mesma linha ainda possuem cores, então fica incoerente;
5) SE houvesse esse plano, gastaria dinheiro desnecessário alterando algo que estava bom.
realmente o colorido da cidade no final dos 50 e depois 60/70 era de fazer criança sonhar (como eu o fazia)
Também a diversidade de carroçarias e chassis, junto com os importados GM motor trazeiro, Aclo (dianteiro) com cambio de acionamento diferenciado, Twim Coach, Leiland e Bussing de motor central, Volvo (Dianteiro e central) Mack, Alpha Romeo entre outros de menor quantidade, além dos trolebus, ACF Bril, Uerding, Ge, Pulman.
No meio dos anos 50 tivemos o inicio da industria nacional e isso fazia das ruas um festival de variedades.
Hoje temos a padronização, que é extremamente útil para o custo e facilidade de manutençao entre outros, mas perdeu-se o festival de modelos e cores.
Saudades
Cresci em SP nos anos 80 e 90 e tenho muitas recordações, principalmente dos tempos da municipalização. Nesta época a pintura era padronizada porém tinham as cores que identificavam em que região atuava a empresa.
Andei muito nos ônibus da Vila Ema, Paulista, Transleste, VCT, CMTC, Transkuba, Cruz da Colina, Taboão, Bristol, Santa Cecília e Eletrobus.