Segundo prefeitura, edital realizado pela gestão anterior apresentava falhas
ADAMO BAZANI
Com informações de Marcos Escrivani – São Carlos Agora
A empresa de ônibus Suzantur, de Mauá, que começou a operar de forma emergencial em São Carlos no dia 6 de agosto do ano passado vai ficar por até 180 dias a mais prestando serviços na cidade do interior paulista.
A informação foi confirmada na tarde desta quinta-feira, 19 de janeiro de 2017, pelo chefe de Gabinete da Procuradoria Jurídica da Prefeitura Municipal, Ademir Souza e Silva.
A medida ocorreu porque pela segunda vez a licitação dos serviços de transportes da cidade foi suspensa.
Desta vez, de acordo com o representante do poder público, a decisão ocorreu porque o edital elaborado pela gestão do prefeito anterior apresentava diversas falhas. Ademir Souza e Silva disse também que a elaboração de um novo edital será trabalhosa e deve demorar em torno de quatro meses.
“Optamos pela impugnação, foi este edital feito pela administração anterior havia falhas. Para evitar problemas futuros, tomamos esta atitude … Isso não quer dizer que esta empresa tem prioridade. Sabemos que ela não atende todos os requisitos necessários, mas é a única no momento que pode atender a população. Mas se porventura aparecer outra empresa em melhores condições, nada impede que ela possa assumir o transporte público em São Carlos … Nossa preocupação é não deixar a deriva a população. Hoje somente a Suzantur tem condições de prestar tais serviços. Mas estamos providenciando um novo edital e vamos abrir licitação para que empresas do ramo que estejam interessadas em assumir o transporte coletivo em São Carlos possam participar de tal processo” – disse o chefe de Gabinete.
A primeira licitação deveria definir uma nova empresa no dia 23 de dezembro de 2016, mas foi impugnada pelo Ministério Público. Posteriormente foi feito o novo edital, que foi cancelado nesta quinta-feira.
A Suzantur assumiu serviços de transportes em 06 de abril do ano passado após descredenciamento da empresa de ônibus Athenas Paulista, que prestava serviços na cidade.
A rescisão do contrato com antiga empresa ocorreu após o Ministério Público ajuizar uma ação civil pública.
A prefeitura abriu um processo de seleção de contrato emergencial, a Suzantur participou e foi classificada.
SANTO ANDRÉ TAMBÉM TEM CONTRATO EMERGENCIAL E LICITAÇÃO POLÊMICA:
Em Santo André, no ABC Paulista, a exemplo de São Carlos, também existe um contrato emergencial operado pela Suzantur e um processo de licitação ainda sem definição.
A empresa começou a operar 15 linhas na região da Vila Luzita, uma das maiores demandas de passageiros da cidade, no dia 08 de outubro. O contrato emergencial de 180 dias assinado em 07 de outubro vence em abril.
A prefeitura abriu a contratação emergencial após a desistência das operações por parte da Expresso Guarará, da família Passarelli, que decretou autofalência. As dificuldades financeiras da Guarará se agravaram após a morte do fundador da empresa, Sebastião Passarelli, em 2014.
No segundo semestre de 2015, Claudinei Brogliato, proprietário da Suzantur, chegou a ser procurador da empresa Guarará, mas se desligou em abril 2016.
No dia 8 de dezembro, a gestão passada da Prefeitura de Santo André, sob o comando de Carlos Grana, chegou a apresentar uma proposta de edital de licitação.
No entanto, a nova gestão de Paulinho Serra diz que precisa reformular vários pontos do certame proposto, mas até o momento descarta a possibilidade de renovação do contrato emergencial.
Na cidade vizinha, Mauá, a Suzantur entrou também por meio de contrato emergencial, após polêmico descredenciamento das duas companhias de ônibus que antes operavam na cidade.
A gestão do ex-prefeito Donisete Braga abriu um processo de licitação no período do contrato emergencial e a Suzantur acabou sendo decretada vencedora.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
