HISTÓRIA: Aerobus, o avião sem asas da Argentina

Modelo peculiar cruzou estradas do país vizinho e marcou história inspirando encarroçadoras de outras partes do mundo

ADAMO BAZANI

Não é de hoje que o transporte rodoviário tenta incorporar elementos do setor aéreo.

Atualmente no Brasil, por exemplo, com o barateamento de uma maneira geral das viagens por avião, as empresas de ônibus tentam trazer o conforto e a praticidade do setor aéreo, como venda informatizada de passagens, melhor atendimento nos guichês e também veículos mais confortáveis e com duas classes de serviços, a exemplo de muitos aviões.

No entanto, essa busca pelas semelhanças da aviação pelos serviços de ônibus é antiga.

Uma das páginas dessa realidade no mundo foi escrita na Argentina, com um ônibus bem curioso fabricado na cidade de Necochea denominado Aerobus.

O veículo feito pela fabricante local instalada nessa cidade, que depois acabou assumindo o nome do modelo, chamou bastante atenção. A produção começou entre 1985 e 1986 e as principais unidades foram encarroçadas sobre chassi Scania K112, com três eixos.

Design e us o do alumínio possibilitavam menor consumo de combustível

Design e us o do alumínio possibilitavam menor consumo de combustível

O veículo tinha aerodinâmica de um avião, com as janelas fixas e arredondadas, o bico na frente, com rebaixamento, e o interior também bastante semelhante aos aviões: não havia cortinas comuns, mas sim folhas que poderiam ser levantadas ou baixadas e os porta-pacotes eram fechados, tudo como uma aeronave.

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Porta-pacotes e "cortinas" também faziam o passageiro achar que estava num avião

Porta-pacotes e “cortinas” também faziam o passageiro achar que estava num avião

Traseira também se inspirava nos aviões

Traseira também se inspirava nos aviões

A traseira também tinha elementos arredondados, assemelhando-se também à parte de trás de um avião.

Duas empresas se destacaram nas operações deste ônibus peculiar: a General Urquiza e a El Condor.

A EL Condor lançou o ônibus em grande estilo e com muita mídia. Chamado de Galáctico pela empresa, o veículo tinha serviço de bordo, com rodomoças. Uma propaganda no jornal El Clarín, em 1986, dizia que neste ônibus o passageiro estaria já no ano 2000.

El Condor investiu pesado na divulgação do novo serviço com o "Galátctico"

El Condor investiu pesado na divulgação do novo serviço com o “Galátctico”

Alguns passageiros chamaram o modelo de BalaBus.

Além da sensação de conforto, uma das vantagens do modelo era a aerodinâmica que proporcionava maior velocidade com menor aceleração e, consequentemente, menos gasto de combustível. A carroceria era feita de alumínio, o que também deixava o ônibus mais leve e econômico.

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BalaBus e Rapido eram outros apelidos do exótico ônibus aéreo ou avião terrestre

BalaBus e Rapido eram outros apelidos do exótico ônibus aéreo ou avião terrestre

Entretanto havia problemas estruturais que começaram a exigir muita manutenção nos veículos e o sistema de ar-condicionado também foi alvo de críticas por parte dos passageiros.

O ônibus era praticamente todo selado e pelo ar-condicionado não funcionar bem, era abafado ficar em seu interior. Aos poucos ou era Aerobus foi deixando as estradas, mas historiadores dizem que o modelo foi um precursor importante para o famoso modelo CX 40 da Cametal que melhorou o desenho do Aerobus e chegou a ser exportado para outros países latino-americanos e também Estados Unidos.

O CX40, da Cametal, teria "corrigido os erros" do Aerobus

O CX40, da Cametal, teria “corrigido os erros” do Aerobus

CX40 "aterrisando" nos Estados Unidos

CX40 “aterrisando” nos Estados Unidos

Cametal propagandeava com orgulho o sucesso do CX40

Cametal propagandeava com orgulho o sucesso do CX40

Vantagens do modelo também foram noticiadas pela imprensa especialiada no Brasil

Vantagens do modelo também foram noticiadas pela imprensa especialiada no Brasil

A Urquiza restaurou um Aerobus e guarda em seus acervos

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. claudio disse:

    E 25 anos depois a Neobus relançou uma nova versão dessas linhas “bico de avião”

  2. O.Juliano disse:

    Muito bom!

    Chega a ser bizarro mas também muito interessante

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Sensacional matéria Adamo, parabéns.

    Eu não conhecia essa carroceria.

    Simplesmente sensacional a ousadia e criatividade do autor.

    Genial.

    Parabéns URQUIZA por preservar esse buzão e sua história.

    Att,

    Paulo Gil

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