HISTÓRIA: Aerobus, o avião sem asas da Argentina
Publicado em: 15 de janeiro de 2017
Modelo peculiar cruzou estradas do país vizinho e marcou história inspirando encarroçadoras de outras partes do mundo
ADAMO BAZANI
Não é de hoje que o transporte rodoviário tenta incorporar elementos do setor aéreo.
Atualmente no Brasil, por exemplo, com o barateamento de uma maneira geral das viagens por avião, as empresas de ônibus tentam trazer o conforto e a praticidade do setor aéreo, como venda informatizada de passagens, melhor atendimento nos guichês e também veículos mais confortáveis e com duas classes de serviços, a exemplo de muitos aviões.
No entanto, essa busca pelas semelhanças da aviação pelos serviços de ônibus é antiga.
Uma das páginas dessa realidade no mundo foi escrita na Argentina, com um ônibus bem curioso fabricado na cidade de Necochea denominado Aerobus.
O veículo feito pela fabricante local instalada nessa cidade, que depois acabou assumindo o nome do modelo, chamou bastante atenção. A produção começou entre 1985 e 1986 e as principais unidades foram encarroçadas sobre chassi Scania K112, com três eixos.
O veículo tinha aerodinâmica de um avião, com as janelas fixas e arredondadas, o bico na frente, com rebaixamento, e o interior também bastante semelhante aos aviões: não havia cortinas comuns, mas sim folhas que poderiam ser levantadas ou baixadas e os porta-pacotes eram fechados, tudo como uma aeronave.
A traseira também tinha elementos arredondados, assemelhando-se também à parte de trás de um avião.
Duas empresas se destacaram nas operações deste ônibus peculiar: a General Urquiza e a El Condor.
A EL Condor lançou o ônibus em grande estilo e com muita mídia. Chamado de Galáctico pela empresa, o veículo tinha serviço de bordo, com rodomoças. Uma propaganda no jornal El Clarín, em 1986, dizia que neste ônibus o passageiro estaria já no ano 2000.
Alguns passageiros chamaram o modelo de BalaBus.
Além da sensação de conforto, uma das vantagens do modelo era a aerodinâmica que proporcionava maior velocidade com menor aceleração e, consequentemente, menos gasto de combustível. A carroceria era feita de alumínio, o que também deixava o ônibus mais leve e econômico.
Entretanto havia problemas estruturais que começaram a exigir muita manutenção nos veículos e o sistema de ar-condicionado também foi alvo de críticas por parte dos passageiros.
O ônibus era praticamente todo selado e pelo ar-condicionado não funcionar bem, era abafado ficar em seu interior. Aos poucos ou era Aerobus foi deixando as estradas, mas historiadores dizem que o modelo foi um precursor importante para o famoso modelo CX 40 da Cametal que melhorou o desenho do Aerobus e chegou a ser exportado para outros países latino-americanos e também Estados Unidos.
A Urquiza restaurou um Aerobus e guarda em seus acervos
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes














E 25 anos depois a Neobus relançou uma nova versão dessas linhas “bico de avião”
Muito bom!
Chega a ser bizarro mas também muito interessante
Amigos, boa noite.
Sensacional matéria Adamo, parabéns.
Eu não conhecia essa carroceria.
Simplesmente sensacional a ousadia e criatividade do autor.
Genial.
Parabéns URQUIZA por preservar esse buzão e sua história.
Att,
Paulo Gil