Projeto de novo sistema de BRT não poluente é aprovado em Curitiba
Publicado em: 12 de janeiro de 2017
Proposta desbancou VLP e modelo de cooperativa. Agora basta licitação para que sistema seja saia do papel
ADAMO BAZANI
A prefeitura de Curitiba aprovou num processo de PMI – Proposição de Manifestação de Interesse da iniciativa privada um novo modelo de transporte limpo para a capital paranaense e parte da região metropoliatna, que consiste numa rede de corredores de ônibus BRT com veículos não poluentes e estações conectadas, algumas, inclusive, subterrâneas como as do metrô.
O próximo passo para a proposta se tornar realidade é a realização de uma licitação, o que não tem data ainda para ocorrer.
Denominado de CIVI – City Vehicle Interconnect, o projeto que deve contar com ônibus híbridos e, posteriormente, elétricos puros, é de iniciativa de um consórcio formado pela Associação Metrocard, que reúne as empresas de ônibus da região metropolitana de Curitiba, da Nórdica, representante da montadora Volvo, e pela construtora Cesbe S.A. – Engenharia e Empreendimentos.
O procedimento de apresentação de propostas foi lançado pela prefeitura de Curitiba em maio de 2016 e contou com três projetos, o próprio CIVI, um VLP – Veículo Leve sobre Pneus, sugerido pelo consórcio das empresas JMaluceli Construtora, M4 Consultoria e Pontoon Participações e uma proposta da Sociedade Peatonal, representada pelo engenheiro André Caon, que contemplava uma espécie de cooperativa de ônibus elétricos com baterias no trajeto entre a CIC e o Parque da Imigração Japonesa.
Os custos mais baixos, a viabilidade de implantação e a extensão da malha foram decisivos para a proposta do BRT limpo ser considerada vencedora.
O projeto prevê uma rede de cinco corredores que somam 106 quilômetros: Aeroporto/Centro Cívico; Tamandaré/Cabral; Linha Verde; Araucária / Boqueirão; e Norte/Sul.
O sistema deve contar com aproximadamente 300 estações de embarque e desembarque, todas conectadas por cabos de fibra ótica. Os passageiros terão wi-fi, painéis com informações sobre os horários e as linhas, além de ar-condicionado nos espaços. A rede deve ter aplicativos de celulares específicos com informações em tempo real para os passageiros sobre os serviços
Seis destas estações devem ser subterrâneas, como as do metrô.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Cesbe, Carlos de Loyola e Silva, em nota, o desenvolvimento do projeto foi liderado pela Volvo e, quando implementado, requalificará Curitiba como exemplo de cidade sustentável.
“O aspecto que nos atraiu foi a tecnologia proposta pela Volvo para esse tipo de projeto. O CIVI é um modelo que não tem paralelo no mundo, além de atender as normas da Euro 6 de restrição à poluição, com ônibus híbridos, incorpora conectividade, permitindo prever com exatidão o horário de chegada do ônibus” – explicou.
O executivo complementou dizendo que a solução terá baixo custo para os cofres públicos na comparação com outros modais que têm capacidade semelhante de transportes
“Buscamos oferecer uma solução econômica para Curitiba, com vantagens muito grandes para o usuário, unindo funcionalidade e conforto”, afirmou Loyola.
O projeto foi apresentado na Fetransrio, feira de mobilidade urbana que ocorreu em novembro do ano passado no Rio de Janeiro, pela Volvo e teve cobertura do Diário do Transporte.
Na ocasião, o especialista em mobilidade urbana da Volvo Bus Latin América, Ayrton Amaral, que qualificou a ideia como evolução do BRT, explicou como devem ser as estações subterrâneas e disse que o sistema traz vantagens em comparação a outros modelos.
“O conceito de parada seria semelhante às estações de metrô, no entanto com menor profundidade: seis metros, enquanto, em média, uma estação de metrô necessita de uma profundidade de 15 metros. As estações seriam modernas com fácil acesso e na superfície da área onde estariam as estações poderiam ser feitos bulevares para melhorar o espaço urbano … É bem mais barato e viável que o VLT ou qualquer outro sistema por apresentar mais capacidade e poderia ser implantado em dois anos”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Fantástico!
Só faltou o Eixo Tamandaré-Cabral seguir até o Portão via linha férrea existente e ao trecho antigo até a Av Wenceslau Braz.
Acho que vai demorar, e o custo vai ser alto.
PARABÉNS ! Isto é pensar diferente e para melhor . Este é um conceito inteligente e viável . Estou com 58 anos de idade e estarei vivo para usufruir deste sistema.
Thiago, boa tarde.
Acredito que por onde hoje passam trilhos, poderão ser utilizados por VLTs, aliás não entendo porque ainda não implantaram.
Sobre a modernização do BRT já estava mais que na hora, espero pistas de concreto e áreas de ultrapassagens em todas as estações.
VLT na terra do BRT só se for um “Metrô Leve” subterrâneo. E no Eixo Norte-Sul.
No trecho dos trilhos precisa ser feito uma boa requalificada, uma sobrevida, e só sem os trilhos vai ser possível. Também não tem demanda pra VLT tão cedo no trecho.
Daniel,
procure a ideia do Expresso Metropolitano de Ayrton Cornelsen… mas ela vai contra o atual sistema, pois desconstrói o mito…
Interessante que a proposta vencedora não atende ao objeto, pois seria construída em sistema hibrido e não elétrico, sendo convertida para elétrico ”puro” num futuro. Sistemas de VLP efetivamente são problemáticos, vide Caen na França que vai substituir por um VLT, neste caso a alternativa é trólebus (ônibus elétrico), mas uma evolução possível seria um sistema de VLT completo…