Ministério Público do Rio de Janeiro quer proibir aumento de tarifa por falta de ar condicionado

Passageiros e motoristas reclama da falta de conforto em ônibus sem ar no calor do Rio de Janeiro

De acordo com os promotores, não faz sentido aumento para passageiro com base em índice para o ônibus com ar-condicionado se a meta de climatização da frota não foi cumprida. Multas podem ser de R$ 76 milhões

ADAMO BAZANI

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pediu que a Justiça proíba aumento de tarifa de ônibus na cidade vinculada aos custos de ar-condicionado.

Segundo os promotores, a meta da prefeitura e das empresas de ônibus seria climatizar toda a frota municipal até o final deste ano, mas de acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente – Gaema do Ministério Público, a promessa não será alcançada.

Para os promotores, a lógica é simples e direta. Não faz sentido o passageiro pagar uma tarifa que conte os custos de ar-condicionado em toda a frota se nem todos os ônibus possuem o equipamento.

Como existe um déficit de 3802 ônibus sem ar-condicionado, a prefeitura do Rio de Janeiro terá de pagar R$ 76 milhões em multas em janeiro. Isso porque, em julho deste ano, a justiça determinou multa de R$ 20 mil por cada veículo sem ar condicionado, decisão que foi confirmada no final de outubro pelo juiz Leonardo Grandmasson, da 8ª Vara de Fazenda Pública do TJ.

A prefeitura prometeu climatizar 3990 ônibus neste ano, mas até setembro, foram apenas 868 veículos, sendo que 681 foram para cobrir déficit de 2015, ano em que a meta era comprar 1525 ônibus novos com ar-condicionado. No entanto, somente 845 entraram em operação no ano passado.

Os promotores também querem que o prefeito Eduardo Paes e os secretários de transportes responsáveis pela pasta desde quando foi firmado o acordo de climatizar todos os ônibus, no começo de 2014, dividam e paguem esta multa.

Ainda de acordo com a justiça, além da multa de R$ 20 mil por ônibus não climatizado, será imposta ao município outra multa de 20% sobre o valor da causa, que devem ser pagos pelo prefeito e pelos secretários.

O Ministério Público quer saber o percentual que resta de frota sem ar-condicionado, dividido por região, consórcio e linhas e o que a prefeitura vai fazer para cumprir a meta.

Os promotores querem também abatimento das tarifas em 2017. O MPERJ quer planilhas com os valores arrecadados pelas empresas de ônibus por causa do aumento da tarifa, devido ao uso do ar-condicionado, entre os anos de 2014, 2015 e 2016.

O Ministério Público não admite o fato de a tarifa ter sido estipulada para que todos os ônibus tivessem ar-condicionado, o passageiro ter arcado com isso e, ainda quase 4 mil não deterem o equipamento. O município deve assim abater esse percentual da tarifa em 2017 por causa do descumprimento.

Adamo Bazani, jornalista especializada em transportes

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Comentários

Comentários

  1. RICARDO disse:

    OS AUMENTOS DE TARIFAS NA BAIXADA FLUMINENSE FORAM DE MAIS DE 10% ,QUANDO FOI ANUNCIADO MENOS QUE ISSO. GOSTARIA QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO FALASSE SOBRE ESSE AUMENTO SE É ABUSIVO

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