Doria nega que haverá aumento de passagem de ônibus em 2017, mas confirma estudo para rever gratuidades

Publicado em: 21 de novembro de 2016
ônibus

Crise financeira nos transportes e indefinições sobre licitação têm impedido ritmo maior de renovação de frota.

Estudos da prefeitura aos quais equipe de transição do prefeito eleito teve acesso mostram que o congelamento da tarifa precisaria de um aumento de R$ 1,25 bilhão nos subsídios para o ano que vem

ADAMO BAZANI

O prefeito eleito de São Paulo João Dória, do PSDB, reafirmou nesta segunda-feira, 21 de novembro de 2016, que vai manter durante todo o ano de 2017 a tarifa de ônibus congelada em R$ 3,80.

“A tarifa não muda. Quero reafirmar que a tarifa ficará mantida até 31 de dezembro de 2017”.- disse durante evento.

Doria também negou a intenção da equipe de transição em propor um reajuste parcial, abaixo dos R$ 4,40, que seriam necessários para repor a inflação e o impacto das gratuidades.

Pela proposta, o reajuste parcial cobriria os R$ 750 milhões devido ao aumento do total de gratuidades e R$ 500 milhões correspondentes à correção da inflação seriam assumidos pelos cofres públicos.

Logo após a vitória já no primeiro turno, Doria afirmou que seriam necessários R$ 550 milhões para manter a tarifa em R$ 3,80. Mas estudos de técnicos da prefeitura que elaboraram o Orçamento para 2017 mostram que o congelamento aumentaria em R$ 1,25 bilhão os subsídios para o sistema.

De acordo com o Orçamento, contanto com aumento da tarifa, os subsídios para 2017 seriam de R$ 1,79 bilhão. Sem aumento do valor das passagens, pelas contas da gestão atual, os subsídios deveriam ser de R$ 3,04 bilhões (R$ 1,79 bilhão já previsto + R$ 1,25 bilhão a mais)

Doria admitiu nesta segunda-feira que pode rever as gratuidades no sistema de transportes

“Em relação à gratuidade estamos estudando. Estamos analisando isto com o grupo de trabalho composto pela Secretaria da Fazenda, a Secretaria de Gestão e a Secretaria de Transportes. Oportunamente nos vamos comunicar o resultado disso”.

Durante a gestão de Haddad, o número de benefícios aumentou. Antes a os idosos contavam com isenção de tarifa a partir dos 65 anos. Em 2014, esta vantagem foi ampliada para quem tem a partir de 60 anos.

Os estudantes tinham direito a 50% de isenção nas tarifas, mas também durante a gestão Haddad, a maior parte começou a ter isenção total a partir de 2 de fevereiro de 2015.

Atualmente dos seis milhões de usuários diretos dos ônibus em São Paulo, 2,1 milhões contam com gratuidades totais ou parciais, isso sem levar em consideração as integrações com Bilhete Único.

Já os subsídios têm sido insuficientes para pagar a conta. Como revelou em primeira mão o Diário do Transporte, na segunda quinzena de setembro, o total de R$ 1,79 bilhão que deveria durar até o final do ano, já tinha acabado. A prefeitura então tem feito remanejamentos de recursos para cobrir a conta, mesmo assim as dívidas da administração com o sistema orbitam sempre em R$ 200 milhões.

Algumas destas gratuidades podem ser revisadas por João Doria. No alvo, por exemplo, está o grupo de usuários entre 60 e 64 anos. O Estatuto do Idoso (lei nacional) obriga passagens gratuitas para quem tem 65 anos ou mais.

O Bilhete Único do Desempregado que chegou a ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad e suspenso por causa do período eleitoral não deve mais voltar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Ele ainda esta com essa ideia ridícula, piada.

  2. Alberto disse:

    Perdem a municipalidade e a população em geral, ganha(?) a minoria de usuários de ônibus. Como empresário, deveria se preocupar em fechar contas públicas, não manter o absurdo petista de calcular efeitos políticos.

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