HISTÓRIA: Praça da República integrada com os transportes é retrato do desenvolvimento da cidade de São Paulo

Imagem aérea do Colégio Caetano de Campos, entregue em 1894. Detalhe de foto dos anos de 1980, de CMTC e ônibus monobloco.

Um dos locais mais importantes da região central já abrigou touradas, foi palco de manifestações e assistiu ao crescimento da cidade pela mobilidade urbana

ADAMO BAZANI

Várias cidades em todo país possuem espaços públicos com o nome da Praça da República em homenagem ao fim do regime monárquico no Brasil, proclamado oficialmente em 15 de novembro de 1889.

Na capital paulista a Praça da República é uma testemunha do desenvolvimento da cidade em diversos aspectos, não apenas urbanísticos e econômicos, mas culturais e sociais.

Largo Sete de Abril, em 1890. Local onde é hoje a Praça da República

Largo Sete de Abril, em 1890. Local onde é hoje a Praça da República

A região onde está a Praça da República, atualmente privilegiada, era considerada no início da urbanização de São Paulo distante dos principais serviços e comércios. Os primeiros registros imobiliários do local são do século XVIII, quando um terreno foi registrado em nome do Tenente José Arouche de Toledo Rendon.

O local era utilizado para treinamento de militares e foi chamado popularmente então de Praça das Milícias.

No século XIX, uma das atividades que se destacaram no local foi a pastagem de animais, muitos de passagens pertencentes a tropeiros.  Também eram realizados eventos como touradas e cavalgadas. Por causa disso é que o local onde hoje é a Praça da República também foi chamado de Largo dos Curros, que vem de currais.

Mais tarde recebeu o nome de Largo da Palha, por ser próxima à Rua da Palha.

A praça começou a ganhar ares políticos em seu nome, por assim dizer, no final do século XIX. Passou a se chamar Largo 7 de Abril, referência à renúncia de Dom Pedro I, que ocorreu em 1831.

Após a proclamação da República, em 1889, o nome passou a ser Praça 15 de Novembro em homenagem à data. No entanto, muitas pessoas se confundiam com a Rua 15 de Novembro. A identificação oficial então passou a ser Praça da República.

O local começou a ganhar importância a partir de 1892, com a construção do Viaduto do Chá. A obra ligava o chamado Centro Velho ao Centro Novo da época. Os arredores da praça começaram a receber mais investimentos e atrair edifícios comerciais e residenciais.

Um dos marcos foi o término da construção em 1894 do prédio da Escola Normal Caetano de Campos. A edificação foi projetada por Antônio Francisco de Paula Souza e Ramos de Azevedo.

O local hoje é tombado pelo patrimônio histórico e abriga Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

A primeira revitalização da Praça da República ocorreu em 1905. O local que era apenas um terreno ajardinado recebeu lagos e pontes como nas praças europeias.

A Revolução Constitucionalista de 1932, contra Getúlio Vargas, também marcou a Praça da República. Foi nas proximidades da praça, em 23 de maio de 1932, que foram mortos os estudantes “M.M.D.C” – Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Camargo de Andrade. O assassinato ocorreu em frente à sede do Partido Popular Paulista, na Rua Barão de Itapetininga, que tem início uma das esquinas da praça.

A Praça da República mais de 50 anos depois recebeu as manifestações “Diretas Já”, em 1984.

Cartão postal da Praça da República, com bonde ao fundo

Cartão postal da Praça da República, com bonde ao fundo

Pela localização da praça, principalmente após a construção do Viaduto do Chá, o local se tornou destino de muita gente. E onde há pessoas, lá estão os transportes para atender às necessidades humanas, econômicas e sociais. Várias linhas de transporte público, começando pelos carros tracionados por cavalo até bondes, ônibus e modernos trólebus que eram sinônimo de desenvolvimento tecnológico na metrópole.

Os veículos da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, por exemplo, vinham com placas em alusão à Praça da República. Isso mesmo quando no letreiro principal a maioria dos ônibus ostentava a inscrição “Cidade”, se referindo ao centro. Ônibus de diversas empresas também destacavam que serviam às pessoas que precisavam se deslocar para aquela região.

Trólebus representaram inovação tecnológica e dos serviços de transportes. Veículos da CMTC com “Praça da República” no letreiro

Trólebus representaram inovação tecnológica e dos serviços de transportes. Veículos da CMTC com “Praça da República” no letreiro

No final dos anos de 1970, a praça teve outra interferência importante na área de transportes. “Nascia” a linha 3-Vermelha do Metrô, anteriormente chamada de linha Leste-Oeste.

A estação República da linha 3-Vermelha foi inaugurada em 24 de abril de 1982, uma das mais movimentadas do sistema.

Já em 2011, o local recebeu a estação da linha 4-Amarela, a primeira PPP – Parceira Público Privada na área de transportes urbanos.

Certamente a história da Praça da República reflete aspectos interessantes da cidade de São Paulo: a importância dos transportes levando as pessoas das mais variadas regiões até o local que significava oportunidades de uma vida melhor para muita gente, a trajetória cultural da cidade, que já teve touradas e vaquejadas, e as lutas da população em prol dos seus direitos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em HISTÓRIA: Praça da República integrada com os transportes é retrato do desenvolvimento da cidade de São Paulo

  1. Adamo bom dia
    obrigado por trazer a minha lembrança a saudades da Praça da Republica, ponto de muitos eventos na minha juventude.
    Realmente sempre foi muito bonita.
    abraços

  2. Bons tempos… na década de 80 trabalhava de office-boy e pegava muito ônibus na praça da República.

  3. Bacana, e triste ver a foto do bonde, e hoje não ter mais.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: