TCU formaliza recomendação de bloqueio a obras de corredores de ônibus

Ônibus de linhas de alta demanda ainda só contam com faixas simples na Radial Leste

Entre as intervenções estão Corredor Radial Leste 1, de São Paulo, e o BRT de Palmas

ADAMO BAZANI

O Tribunal de Contas da União formalizou nesta terça-feira, 8 de novembro de 2016, a recomendação para que o Congresso Nacional não aprove a liberação de recursos federais para 10 obras públicas que contariam com verbas da União por diversas fontes, entre elas, o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.

Entre as 10 intervenções, duas são relacionadas diretamente ao transporte público: o corredor Radial Leste trecho 1, em São Paulo, e o BRT de Palmas em Tocantins.

Sobre a suspensão de recursos para o trecho 1 do Corredor Radial Leste, o Diário do Transporte já tinha antecipado, na edição de 20 de outubro de 2016, o parecer para a  recomendação de bloqueio pelo Tribunal de Contas, que se concretizou nesta terça. Relembre neste link: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/20/tcu-mantem-parecer-a-bloqueio-de-recursos-federais-para-corredor-de-onibus-radial-leste-em-sao-paulo/

Uma das possíveis irregularidades apontadas pelo TCU sobre o corredor paulistano foi sobrepreço de 22% do valor da obra. O lote 1 custaria R$ 438 milhões 978 mil 639 reais e 75 centavos. A execução das obras é de responsabilidade Consórcio Mobilidade Urbana SP formado pela Construtora OAS S/A (líder do consórcio) e EIT Engenharia S/A.

Já em Palmas, houve problemas jurídicos e no projeto. Em 2 de maio deste ano, a Justiça Federal considerou ilegal o projeto do BRT. O juiz Adelmar Aires também havia determinado o cancelamento da proposta de financiamento feito pela prefeitura de Palmas ao Ministério das Cidades. O processo para o trecho sul do BRT tinha crédito de R$ 227.915.304,00, de recursos da União.

O Ministério Público Federal entendeu que para conseguir os recursos de financiamento, a prefeitura de Palmas superdimensionou a demanda do BRT, dizendo que o sistema contaria com 89 mil passageiros por dia.

As outras obras com recomendação de bloqueio do TCU também envolvem polêmicas, mas não são relacionadas aos transportes públicos.

Duas delas integram o plano de privatizações e concessões anunciado pelo governo Michel Temer, em setembro: o aeroporto de Porto Alegre e a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia – Caerd.

Além destas obras de corredores de ônibus e do plano de concessões, tiveram recomendação de bloqueio de recursos o Canal do Sertão (AL), a Vila Olímpica – Parnaíba, Usina Termonuclear de Angra III (RJ), rodovia BR-040 (RJ), Hospital Regional em Queimados (RJ) e  rodovia BR-448 (RS).

Para as recomendações de bloqueios das 10 obras, o Tribunal de Contas da União disse ter visto regularidades como sobrepreço, restrição à competitividade na licitação, erro de projetos e ausência da execução de etapas básicas nos estudos e concepções.

Também houve indício de regularidades na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, mas a recomendação foi de bloqueio parcial dos recursos.

Para outras quatro obras, a área técnica do TCU recomendou paralisação das intervenções, no entanto, não houve análise pelo plenário dos ministros. Uma delas também é relacionada a transportes públicos. As obras são: corredor de ônibus de Salvador (BA), Sistema de Esgotamento Sanitário de Parnamirim (RN), fábrica de hemoderivados e biotecnologia (PE) e o Programa BR-Legal (PR).

Todas estas recomendações fazem parte do Fiscobras 2016, o relatório de fiscalização que foi aprovado nesta terça-feira pelo plenário do Tribunal de Contas da União. O material servirá de apoio ao Congresso Nacional para a elaboração do Orçamento de 2017.

Cabe ao Congresso, entretanto, decidir se vai seguir ou não a recomendação do TCU, mas normalmente os parlamentares acabam acatando os pareceres.

Neste ano, o Fiscobras relaciona 126 obras. O TCU encontrou indícios de irregularidades em 94 delas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Ta certo que deve estar tudo errado.

    Mas o mais inteligente e produtivo e exigir a correcao de todos os projetos e nao simplesmete o bloqueio.

    Muda Brasilll, bloqueio nao solucionam problemaa, CRIAM PROBLEMAS.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Piada isso, deveria refazer, e não proibir, sinto cheiro de briga politica.

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