Acordos climáticos ainda dão pouca ênfase para transportes, diz Itamaraty
Publicado em: 7 de novembro de 2016
22ª Conferência sobre mudanças climáticas em Marrakesh inicia hoje. Brasil quer debater biocombustíveis
ADAMO BAZANI
Tem início nesta segunda-feira, 07 de novembro de 2016, a 22ª Conferência Quadro das Partes sobre Mudanças Climáticas -COP 22, na cidade de Marrakesh, no Marrocos.
A cúpula, na verdade, será uma continuidade da COP-21, o acordo de Paris assinado em dezembro de 2015, e vai discutir como colocar em prática as metas assumidas no acordo na capital francesa, que na semana passada foi ratificado por 100 dos 195 participantes.
O subsecretário-geral de Meio Ambiente do Itamaraty, embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, disse que uma das metas será focar ações que possam reduzir as emissões de poluentes pelos transportes. Segundo ele, haverá tratativas com outros países sobre o maior uso de biocombustível. O embaixador ainda afirmou que as questões relativas aos transportes não têm sido debatidas de maneira satisfatória.
“É um grupo de discussão, de viabilização, de como devemos trabalhar de forma mais intensa a questão do biocombustível. Muita ênfase tem havido em matéria de mudanças no uso da terra, geração elétrica, mas menor ênfase tem sido dada ao setor de transportes”, explicou Carvalho ao Portal Brasil, do Governo Federal.
O embaixador também disse que a partir do dia 16, será lançada Plataforma do Biofuturo, elaborada com outros países, para colocar os biocombustíveis no centro dos debates.
O plano brasileiro é reduzir 37% das emissões de poluentes até 2025, podendo ampliar este número para 43% até 2030, ampliar a bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18% do setor, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares e aumentar em 45% energia participação de energias renováveis na matriz energética brasileira até 2030.
O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Everton Lucero, disse que uma das metas do encontro é atrair investimentos para setores com atividades que reduzam a emissão de carbono, como agricultura sustentável, reflorestamento e geração de energias renováveis.
Outro aspecto a ser debatido é a ajuda de países mais ricos aos mais pobres para que nestas regiões que contam com menos recursos, haja também políticas de redução de desmatamento e poluição. Entre 2025 e 2030 deve ser criado um Fundo Climático com US$ 100 bilhões por ano para financiar esses projetos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

