AESA também afirmou que decreto municipal permite ônibus grandes sem cobradores. Gerente da associação dos empresários diz que Bilhete Único Andreense foi prematuro
ADAMO BAZANI
A AESA – Associação das Empresas do Sistema de Transporte de Santo André informou que já está em andamento o processo renovação da parte da frota da cidade do ABC Paulista que opera com idade acima do limite permitido por contrato com a prefeitura, que é de oito anos para ônibus convencionais, micro-ônibus e mídis (micrões) e 12 anos para veículos articulados.
Na semana passada, o Diário do Transporte trouxe com exclusividade a informação da SATrans de que todas as empresas do Consórcio União Santo André operam com ônibus que já deveriam ter sido encostados porque extrapolaram a idade máxima permitida. Na ocasião, a gerenciadora do sistema de Santo André também informou que em setembro a idade média da frota, que é de cinco anos, foi atingida pelas companhias do Consórcio, que têm seis meses para a regularização. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/28/onibus-santo-andre-raio-x-perfil/
Hoje a idade média está em 5,2 anos
O gerente-geral da AESA, Luiz Marcondes de Freitas Junior, recebeu nesta segunda-feira, 31 de outubro de 2016, a reportagem do Diário do Transporte na sede da entidade para explicar o que tem ocorrido com os serviços em Santo André.
Marcondes destacou na entrevista que a situação econômica do país e, principalmente do sistema, tem dificultado a renovação da frota.
“Ninguém está parado. Estamos em processo de renovação. Até o início do ano que vem a idade da frota de ônibus de Santo André vai cair, mas nossa realidade se depara com diversos obstáculos. Hoje registramos, por exemplo, 18% de queda de receita no sistema.” – disse Marcondes.
O executivo disse que se for considerado o período desde 1997, a queda é ainda maior: baixa de 35,77% no número de passageiros pagantes. Naquele ano, quando a operadora pública EPT foi privatizada e criada a Expresso Nova Santo André no lugar, giraram as catracas dos ônibus andreenses 38 milhões 997 mil 262 de pagantes. A projeção é que este ano finalize com 25 milhões 046 mil 868 de passageiros pagantes.
Marcondes também criticou o que considera como prematura a criação do Bilhete Único Andreense, além do aumento de gratuidades.
“Consideramos que o Bilhete Único Andreense foi uma ação prematura da Prefeitura de Santo André. Isso porque não foi feito um estudo anterior sobre a origem e destino dos passageiros, com novo projeto de sistema e isso agora acaba sendo sentido. Os custos poderiam ser enxugados. Hoje temos linhas muito antigas ainda em operação. Muita sobreposição. Além disso, aumentou de forma significativa a transferência de passageiros pagantes para gratuidades. Antes os idosos eram dispensados de pagar passagem tendo 65 anos ou mais. Agora, é a partir de 60 anos. Anteriormente tínhamos cadastrados no sistema de Santo André, 11 mil estudantes que pagavam 50% das passagens. Em 2015, esse número pulou para 34 mil, destacando que não há mais meia tarifa para estudantes e sim isenção total. Há um problema também em relação a critérios. Em São Paulo, por exemplo, a gratuidade é concedida para estudantes de escolas públicas e que comprovem renda inferior. Aqui até mesmo o estudante que estuda no colégio particular cuja mensalidade é de R$ 3 mil está dispensado de pagar passagem” – disse Marcondes.
O executivo também disse que a prefeitura soma três meses de repasses atrasados em relação às complementações das integrações do Bilhete Único Andreense
“Esses meses em atraso somam entre R$ 3,3 milhões e R$ 3,5 milhões. Lembramos que para estudantes e idosos não recebemos complementações”
Marcondes também criticou a postura da SATrans por notificar individualmente as empresas sobre a idade da frota.
“Nós aqui na AESA recebemos até mesmo pedidos de orientação dos associados. É um consórcio. Há uma operação solidária. Se o consórcio fosse notificado, poderia haver remanejamento de carros entre as empresas se fosse necessário”
EMPRESAS DE RONAN PROMETEM COLOCAR 51 ÔNIBUS MAIS NOVOS EM OPERAÇÃO:
Ainda em relação à idade da frota, a SATrans informou na semana passada que por terem extrapolado o limite permitido por veículo, foram multadas as empresas Viação Vaz, EUSA – Empresa Urbana de Santo André, Viação Curuçá, e a então empresa Expresso Guarará, que não opera mais.
O gerente do grupo do empresário Ronan Maria Pinto, que reúne a Viação Guaianazes, Viação Curuçá e ETURSA, Pedro Rezende Brito, disse que a partir de janeiro de 2017, serão colocados em operação 51 ônibus mais novos: “21 da Viação Guaianazes, 21 Viação Curuçá e nove da ETURSA. Teremos, inclusive, ônibus maiores que os atuais, com três eixos” – revelou ao Diário do Transporte durante a entrevista na AESA.
Já Marcondes disse que as outras empresas estão providenciando veículos novos.
Segundo ele, a Viação Vaz já está com carta de crédito e deve comprar entre sete e nove ônibus novos. A TCPN -Transportes Coletivos Parque das Nações também procura formas de financiamento. A Parque das Nações, conhecida como Parquinho, é a menor do sistema, com apenas uma linha municipal, I 08 ( Bairro Paraíso/Hospital Mário Covas – Jardim das Maravilhas) e também alega dificuldades financeiras.
Sobre a fiscalização da SATrans que constatou superlotação na linha B47 (Vila Luzilta/Vila Palmares), operada pela Viação Vaz, empresa que só possui ônibus do tipo micrão na cidade, Marcondes afirmou que a quantidade de veículos bem como se eles devem ser grandes médios ou pequenos é determinada pela própria SATrans
“É só fazer uma nova determinação que dentro do prazo possível seguiremos”
COBRADORES:
A SATrans também informou na semana passada ao Diário do Transporte que multou empresas de ônibus Consórcio União Santo André por circularem com veículos convencionais sem cobradores. A Viação Guaianazes e a EUSA – Empresa Urbana Santo André foram flagradas por esta prática.
Marcondes disse que o decreto 16.404, de 27 de junho de 2013, que dispõe sobre a criação do Bilhete Único Andreense, e o decreto 14.256, de 14 de janeiro de 1999, sobre a bilhetagem eletrônica, permitem o uso de ônibus de grande porte sem cobradores.
“Por isso, já estamos recorrendo.” – disse o gerente da SATrans.
Segundo Marcondes, ainda utilizam dinheiro para pagamento de tarifa em Santo André, aproximadamente 35% dos passageiros. O executivo afirmou que os investimentos são para ampliar o acesso à bilhetagem eletrônica.
“Nestes 14 meses de implantação do Bilhete Único já temos 84 pontos de recarga espalhados pela cidade e devemos chegar nos próximos meses a 100 pontos que atenderão a todas as necessidades da população. Estamos também atentos às inovações do mercado sobre uso de aplicativos de celulares para a recarga”.
SANTO ANDRÉ POR EMPRESAS:
Os transportes na cidade de Santo André são operados por sete empresas de ônibus. Seis delas integram o Consórcio União Santo André, que foi homologado em 7 de maio de 2008, após licitação do sistema. O contrato foi de 15 anos prorrogáveis por mais 15.
A AESA – Associação das Empresas do Sistema de Transporte de Santo André é presidida por Ronan Maria Pinto, empresário de ônibus que foi preso na Operação Lava Jato em abril, sendo solto em julho após pagar fiança de R$ 1 milhão. Ronan atualmente usa uma tornozeleira eletrônica para monitoramento por ordem do juiz Sérgio Moro. O empresário de Santo André também foi condenado em primeira instância em novembro do ano passado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de prisão por causa de um suposto esquema de corrupção envolvendo empresas de transportes no ABC. Neste processo, Ronan responde em liberdade.
Já as 15 linhas da região da Vila Luzita, com serviços troncais até o centro da cidade, que até o início do mês eram de responsabilidade da Expresso Guarará, são operadas emergencialmente pela empresa Suzantur, de Mauá.
O Consórcio União Santo André é formado pelas seguintes empresas:
Base Operacional 01 – Viação Guainazes / Viação Curuçá (proprietário Ronan Maria Pinto).
Base Operacional 02 – Viação Vaz (proprietário Ozias Vaz)
Base Operacional 03 – TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações (proprietário Carlos Sófio)
Base Operacional 04 – ETURSA – Empresa de Transporte Urbano Rodoviário de Santo André (proprietário Ronan Maria Pinto).
Base Operacional 05 – EUSA – Empresa Urbana de Santo André (proprietário Baltazar José de Sousa)
Linhas Troncais e Alimentadoras do Sistema de Vila Luzita:
Suzantur (proprietário Claudinei Brogliato) – operação emergencial até licitação.
Até 07 de outubro de 2016, era Expresso Guarará, da família Passarelli.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
