Prefeitura do Rio admite paralisação das obras de corredor de ônibus Transbrasil

Obras do BRT Transbrasil pararam depois das eleições no primeiro turno - Pablo Jacob / Agência O Globo

Há um jogo de empurra de responsabilidades entre o consórcio responsável pela construção e o poder público. VLT também está em ritmo bem abaixo do prometido

ADAMO BAZANI

Após ter negado por várias vezes, a Prefeitura do Rio de Janeiro finalmente admitiu que as obras do BRT Transbrasil, que deve ser um dos maiores corredores de ônibus do sistema do Rio de Janeiro, estão paralisadas.

As intervenções que foram suspensas por causa dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos deveriam ter sido retomadas em setembro.  No entanto, os trabalhos nas várias frentes de obras estão completamente parados.

Em nota, a Secretaria Municipal de Obras informou que já advertiu o consórcio construtor para retomar as intervenções.

Por sua vez, o consórcio afirma que só deve voltar às construções após a prefeitura regularizar o reajuste dos contratos. No mês de maio, Associação das Empresas Engenharia do Rio de Janeiro – Aeerj denunciou a prefeitura ao TCM – Tribunal de Contas do Município pelo poder público não ter pagado esses reajustes.

A Associação também informou que existem atrasos nos pagamentos.

Neste domingo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou ao jornal O Globo que não existe o atraso de R$ 700 milhões nos pagamentos, alegados pelas empreiteiras, e que não será dado nenhum tipo de reajuste ou aditivo.

“Eles estão querendo reajustes e aditivos. E eu não quero dar. Estamos notificando (as empreiteiras). A prefeitura não deve um tostão a empreiteira nenhuma. Ao contrário, antecipa recursos que deveriam ser pagos pelo governo federal. Esse é o jogo tradicional dos empreiteiros. Eles sempre fazem assim”, disse Paes.

À associação, algumas empresas chegaram alegar que a ordem para suspender as obras partiu da própria prefeitura depois do resultado do primeiro turno das eleições. No entanto, o poder público nega a informação.

O BRT Transbrasil deve custar ao todo R$ 1,2 bilhão e, passando pela Avenida Brasil, deve ligar a região de Deodoro até o aeroporto Santos Dumont. Serão 32 km de extensão e o atendimento é para um milhão de passageiros por dia, com 450 ônibus articulados. A capacidade será de 110 mil passageiros/hora sentido no horário de pico.  Haverá 28 estações com distância média de 1,35 km e quatro terminais.

Com pontos de ultrapassagem e maior distância entre as estações a perspectiva é que a velocidade média dos ônibus deva ser de 32,1 km/h, apesar dos atrasos e troca de acusações, a previsão de inauguração para o fim de 2017 é mantida.

OBRAS DO VLT NÃO ENTRARAM NOS TRILHOS:

Se as obras do BRT não avançam, com o VLT a situação é bem semelhante, com problemas inclusive na manutenção dos bondes.

A Alstom chegou a ameaçar a suspensão da manutenção do VLT – Veículo Leve sobre Trilhos caso a Prefeitura não quitasse uma dívida de R$ 60 milhões.

Os operários da empresa Azevedo & Travassos, responsável pelas obras das próximas fases, disseram que houve atrasos nos salários após o primeiro turno das eleições e que 70% da mão de obra foram substituídos por empregados temporários, que recebem por dia trabalhado, assim com o atraso e a paralisação em canteiros, não há gastos para a concessionária.

Numa nota enviada ao jornal O Globo na última quarta-feira, a Alstom confirmou que suspendeu os serviços de manutenção por causa de dívidas pendentes. Porém, na quinta-feira, mudou a versão e disse que parte das dívidas foi paga e que o serviço não parou.

As demais envolvidas como empreiteira Azevedo &Travassos não se pronunciaram e o Consórcio VLT Carioca, operador, disse que não comenta relações comerciais com os fornecedores.

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Daniel Duarte disse:

    Fico pensando, a Metra em São Paulo, é responsável pelo corredor e por administrar as linhas do corredor ABD, porque não fazer o mesmo com outros modais, entrega tudo pra iniciativa privada, pois nesse jogo político parece que nada anda nesse país.

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