Prefeitura de São Paulo tira R$ 50 milhões de corredores e transfere para subsídios das tarifas de ônibus

Tarifas não cobrem custos de operação dos ônibus em São Paulo

Dívida da prefeitura com o sistema ainda é bastante alta e alcançou nos últimos dois dias R$ 168 milhões

ADAMO BAZANI

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad autorizou a transferência de R$ 50 milhões, que estavam previstos para investimentos em ampliação e requalificação de corredores de ônibus, para subsídios às tarifas do sistema municipal de transportes.

O decreto 57.934 do prefeito foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira, 19 de outubro de 2016.

Na segunda quinzena de setembro acabou a verba de R$ 1,79 bilhão para subsídios que deveria durar todo o ano de 2016.

Desde então, a prefeitura tem feito remanejamento de orçamento para os subsídios, que têm como principal objetivo cobrir a diferença entre o que os passageiros pagam nas catracas e o custo real do sistema, hoje em torno de R$ 8 bilhões por ano.

Essa diferença aumentou após o aumento de concessão de gratuidades, como para estudantes e idosos a partir de 60 anos e pelo congelamento das modalidades diário, semanal e mensal do Bilhete Único.

No último dia 23 de setembro, por exemplo, a prefeitura autorizou o remanejamento de R$ 35 milhões que vieram de projetos como obras e instalações gerais e construção, ampliação e modernização de centros olímpicos.

Mesmo com estas transferências de recursos, a dívida do município de São Paulo com o sistema de transportes coletivos ainda é bastante alta.

Até o último dia 17, por exemplo, dado mais recente da SPTrans, o débito da prefeitura com o sistema chegou a R$ 168 milhões.

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CONGELAMENTO

Para o ano que vem, o orçamento da prefeitura prevê R$ 1,794 bilhão para subsídios ao sistema de transporte, desde que haja aumento de tarifa.

Com o congelamento prometido pelo prefeito eleito, João Doria, esta conta deve subir em pelo menos R$ 1 bilhão, passando para R$ 2,89 bilhões, segundo os técnicos da prefeitura que elaboraram a peça orçamentária.

João Doria, entretanto, acredita que seriam necessários R$ 500 milhões.

A equipe de transição do prefeito eleito afirmou que ainda não existe esse dinheiro disponível.

Doria deve no próximo dia 25 tentar convencer o presidente Michel Temer a liberar recursos federais para cumprir a sua promessa.

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

DECRETO Nº 57.394, DE 18 DE OUTUBRO DE 2016 Abre Crédito Adicional Suplementar de R$ 50.000.000,00 de acordo com a Lei nº 16.334/15.

FERNANDO HADDAD, Prefeito do Município de São Paulo, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, na conformidade da autorização contida na Lei nº 16.334/15, de 30 de dezembro de 2015, e visando possibilitar despesas inerentes às atividades da Secretaria, D E C R E T A :

Artigo 1º – Fica aberto crédito adicional de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), suplementar à seguinte dotação do orçamento vigente: CODIGO NOME VALOR 20.10.26.453.3009.4701 Compensações tarifárias do sistema de ônibus 33904100.00 Contribuições 50.000.000,00 50.000.000,00

Artigo 2º – A cobertura do crédito de que trata o artigo 1º far-se-á através de recursos provenientes da anulação parcial, em igual importância, da seguinte dotação: CODIGO NOME VALOR 22.10.26.453.3009.3378 Implantação e Requalificação de Corredores 44905100.02 Obras e Instalações 50.000.000,00 50.000.000,00

Artigo 3º – Este decreto entrará em vigor na data de sua assinatura.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, em 18 de outubro de 2016, 463º da Fundação de São Paulo.

FERNANDO HADDAD, Prefeito ROGÉRIO CERON DE OLIVEIRA, Secretário Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 18 de outubro de 2016.

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Comentários

Comentários

  1. Mp disse:

    Acho que esta na hora de repensar o sistema de integração, seccionamentos, limite 10 anos para a frota, frota motor traseiro e super articulados. Esse sistema que existe em Sao Paulo é um bom sistema, porém muito caro para a nossa realidade social e economica. Cada ano é destinado valores maiores de subsídios e a divida da prefeitura aumenta. Nesse ritmo em 10 anos toda a arrecadação da prefeitura sera para custear esses sistema. Existe mecanismos para reduzir os gastos como por exemplo: aumentar a idade da frota de 10 para 15 anos, adquirir ônibus articulados no lugar de super articulados, e aumentar a quantidade de onibus com tração dianteira. Essas medidas não são as ideais, mas na atual realidade os custos devem ser enxugados. Não adianta ter transporte de primeiro e nao ter saude e educação.

  2. cada vez mais deputados, vereadores querem ampliar as gratuidades, ontem vi notícias que um projeto deputado concede gratuidade a professores de ensino infantil, segundo grau e universitário. Do jeito que caminha, a gratuidade dos transportes virá logo, porém, tudo tem custo, preço, o dinheiro terá que sair de algum lugar. A reforma do transporte na cidade tem que sair logo, ou vai ser um apagão total.

  3. jair disse:

    Concordo com os comentarios acima e lembro-me que nos anos 50/60 (motoristas e cobradores usavam gravata) os onibus não tinham limite de utilização, sendo constantes as reformas parciais e totais com inclusive a troca de carrocerias sobre o mesmo chassi e a qualidade dos transportes eram mantida com fiscalização eficiente.
    O que melhorou nos anos seguintes foram as modernidades dos chassis e carrocerias e o aumento da frequencia horaria das linhas.
    Em compensação o custo subiu assustadoramente.
    Na CMTC os trolebus chegaram até 50 anos de uso com a mesma carroçaria (ACF Brill) que foram fabricados em 1946/48 e foram usados até depois do ano 2000 quando a Martha tirou-os de circulação.
    Quando o problema é custo, alternativas tem que ser criadas para evitar a falência.

    1. Paulo Gil disse:

      Jair, boa noite.

      As carrocerias dos buzoes e todos os produtos de hoje, NAO sao feitos par durar.

      Nada hoje dura tanto quanto antes.

      A estrutura da carroceria da Caio legitima, nunca mais.

      Abcs,

      Paulo Gil

  4. Ta vendo o que da, querer dar gratuidade pra geral, piada.

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